Simonésia, Matipó e Abre Campo
O Deputado Federal Paulo Abi-Ackel esteve em audiência, em Brasília (DF), com o Ministro da Integração, Dr. Fernando Bezerra, para tratar da liberação dos recursos e prevenção de futuras catástrofes nos municípios de Simonésia, Abre Campo e Matipó.
Nas três cidades, houve registros de problemas com inundações provocadas pelo transbordamento de rios, problemas em estradas na zona rural e deslizamento de barrancos.
Para Paulo Abi-Ackel, é preciso agir para que não aconteçam novos problemas nessas cidades. “Para resolver o problema das inundações e de barrancos, é preciso que sejam feitas ações de prevenção e recuperação de alguns locais críticos. Estamos viabilizando os recursos com o Ministro Fernando Bezerra para que essas cidades sejam atendidas. Sozinhos, os municípios não dispõem de recursos suficientes”, destacou.
O parlamentar se solidarizou com a população de Simonésia, Abre Campo e Matipó pelos estragos ocorridos em função da chuva. “É preciso promover medidas estruturantes e preventivas, conforme explicamos ao Ministro Fernando Bezerra”, ressaltou.
Fonte: Portal Caparaó
NOTA DO POL:
E Raul Soares? Por aqui não choveu, não teve inundação, nem perda de bens materiais e até de casas não? Onde estão nossos defensores?
Raul Soares pode se considerar mesmo uma cidade sem sorte nesse aspecto de representatividade política de expressão. Se a oposição não consegue se unir nem para tentar vencer uma mísera eleição para prefeito, quem dirá eleger um Deputado Estadual. Um Federal, isso nem pensar. É muita areia para o meu caminhão, diria o eleitor que, em sua ingenuidade, se satisfaz e se vangloria de ter um carnaval com bandas medíocres e fartura na bebida que entorpece sua vontade de exercer a cidadania com a dignidade que se espera de um autêntico cidadão raul-soarense.
Está faltando competência, dignidade, liderança responsável e, principalmente, amor a esta terra que já produziu tantos talentos.
Quando vejo uma notícia dessas, vinda de cidades vizinhas fortes politicamente como Manhuaçu e Matipó, é que vejo o quanto ficamos pobres. É de dar dó quando olhamos para dentro de nós mesmos e chegamos à triste e, por que não dizer, melancólica conclusão que regredimos muito politicamente a ponto de perdermos a referência no que se diz respeito aos partidos políticos. Cada dia surge um diferente. Uma proliferação de siglas sem nenhuma representatividade, com o único objetivo de saciar o voraz apetite de candidatos inescrupulosos. Esses, na sua ânsia de alcançar o poder no “custe o que custar”, se acham acima do bem e do mal, não se incomodando se para isso tiverem que pisar no pescoço de seus semelhantes. É um vale tudo onde se perde o respeito por todos e onde até o nome de Deus é jogado na lama como se fosse a coisa mais natural do mundo, desde que seja para engrandecer um nome político.
E assim, dançando essa música, cada cabo eleitoral abraça uma sigla, escolhe um deputado estadual ou federal e se lança nessa aventura sem se preocupar com os destinos de sua terra. Nessa hora, fala mais alto é o que vai vir para o seu bolso. É uma eleição pulverizada, onde cada um arranja meia dúzia de votos para seu candidato, mesmo sabendo que depois não vai poder cobrar mais nada, pois, além de ter conseguido uma votação inexpressiva, não há compromisso, porque ela foi comprada. E é desse modo que funciona a eleição aqui nesta terra, principalmente para deputados.
Não vou citar nomes para não melindrar ninguém, mas já tivemos Políticos, sim, com “P” maiúsculo, tempos atrás. Políticos que honravam seus partidos e lutavam por um ideal, por uma cidade melhor e que tinham representatividade perante o Governo Estadual, a ponto de serem recebidos por Governadores como amigos íntimos. Mandavam e desmandavam e tinham o que não se vê mais por aqui hoje: representatividade, força política! Mas, esse tempo já se foi. Agora ficamos pobres. Perdemos a dignidade. A cidade já não é mais capaz de fazer políticos como antigamente.
Estou começando a perder as esperanças com Raul Soares. Lamentavelmente, parece que chegamos no limite da insensatez e da mediocridade. Nesses momentos de angústia, me da uma vontade imensa de mergulhar nos versos deste poeta que soube muito bem descrever a insatisfação de um ser humano, quando sua alma se abala e entristece ao perceber que tudo começa a sair do controle, se desvirtuar e ir por água abaixo.
Tomara que eu esteja enganado, mas, para minha querida terra, acho que não há mais remédio que cure essa doença que se abateu sobre ela.
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90