domingo, 4 de novembro de 2012

Para refletir

Tem razão, Jeanne, não sei como me interessar pela salvação da minha alma.
Alguns são chamados, outros se viram como podem.
Eu aceito, o que coube a mim está bem.
Não me arrogo a dignidade de um velho sábio.
Intraduzível em palavras, escolho meu lar no que é agora,
Em coisas deste mundo, que existem e, por isso, nos encantam:
A nudez das mulheres na praia, os cones cor de cobre de seus seios,
Hibiscos, alamandas, um lírio vermelho, devorar
Com meu olhos, lábios, língua, o suco da goiaba, o suco de la prune de Cythère,
Rum com gelo e melaço, orquídeas trepadeiras
Em uma floresta tropical, onde as árvores se sustentam nas hastes de suas raízes.

A morte, você me diz, a minha e a sua, anda cada vez mais perto,
Sofremos e este pobre mundo ainda não foi o bastante.
A terra negra e púrpura das hortas
Estará aqui, quer alguém a veja, quer não.
O mar, como hoje, vai exalar seu hálito das profundezas.
Diminuindo, desapareço na imensidão, cada vez mais livre.

Fragmento de Conversa com Jeanne/ Guadalupe.

[Trad. Rubens Figueiredo |

Texto extraído de um comentário do Blog Psicotramas

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários são moderados e não serão aceitas mensagens consideradas inadequadas.