Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Mesmo que esqueçamos Deus, se lembrarmos do amor nada será esquecido

oshoJesus diz: “Deus é amor” e eu digo: “Amor é Deus.”
Mesmo que nós nos esqueçamos de Deus completamente e nos lembremos do amor, nada está esquecido. E se nós ficarmos repetindo os nomes de Deus e nós esquecermos do amor, então nada será lembrado.

Para a mente moderna, para a mente contemporânea, o amor é mais relevante do que Deus. De algum modo, Deus se tornou associado a coisas erradas — à igreja, aos dogmas, aos padres.

Deus sofre do efeito de más companhias. O amor ainda é humano, puro, inocente. O amor não é teoló­gico; ainda é natural.

Portanto, torne-se um servo do amor.

Osho, em "O Cipreste no Jardim"
Publicado no blog palavras de Osho

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Não há outro Deus além da própria vida

osho

Estou propondo uma abordagem totalmente nova da religião. A religião tem de afirmar a vida, tem de melhorar a vida, deixá-la mais bonita, tem de ser criativa, não escapista.
Ela não deve entorpecer seus sentidos, e sim deixá-los mais aguçados.

Para mim, não há outro Deus além da própria vida, e não há outro templo além da própria existência. Portanto, tudo se torna uma celebração divina.

E, quando digo tudo, quero dizer tudo: a vida é celebração, a morte é celebração; chegar é celebração, partir é celebração; a infância é celebração, a juventude é celebração, a velhice é celebração - diferentes tipos de celebração.

Se começa a celebrar tudo, você se torna um verdadeiro adorador. E não precisa acreditar em coisa alguma, não precisa ir à igreja ou ao templo.

Onde quer que você esteja, o que quer que esteja fazendo, tudo se torna sua oração, sua meditação, seu sadhana, sua disciplina.

Osho, em "Meditações Para a Noite"
Imagem por Sonia Braga

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A verdadeira religião não tem nada a ver com Deus ou com o diabo

deus-diaboA verdadeira religião não tem nada a ver com Deus, com o diabo, com céu ou inferno.

A palavra “religião” tem de ser entendida. Ela é significativa: significa unir as partes para que elas não sejam mais partes, mas tornem-se um todo. O significado principal da palavra religião é unir as coisas de tal maneira que a parte não seja mais uma parte, mas torne-se o todo. Cada parte torna-se o todo, em união.

Cada parte, separada, está morta; com as partes unidas, uma nova qualidade aparece, a qualidade do todo, e trazer essa qualidade para a sua vida é o propósito da religião. Não tem nada a ver com Deus ou com o diabo.

Mas a maneira como as religiões têm funcionado no mundo... elas têm mudado sua propriedade, a verdadeira estrutura, em vez de torná-la uma ciência de integração, para que o homem não seja muitos, mas um.

Comumente, você é muitos, uma multidão. É necessário dissolver essa multidão num todo, de modo que tudo em você comece a funcionar em harmonia com tudo o mais dentro de você e não haja nenhum conflito, nenhuma divisão, nenhuma luta, ninguém superior, ninguém inferior... você sendo simplesmente um todo harmonioso.

Osho, em "Religiosidade é Diferente de Religião: Ensinamentos de Osho para um Mundo em Paz"
Imagem por mcw026

domingo, 23 de junho de 2013

A Personificação do Mal

O texto é longo mas, para quem se interessa pelo assunto, vale a pena ler até o final.

(Leonardo Oliveira de Araújo – ICTYS)

diaboUm dos conceitos mais intrigantes na tradição religiosa, mística e esotérica é, sem dúvida, o da personificação do mal. Um ente inspirador e fonte de todo o infortúnio humano e, por que não, divino. Sua denominação migra dentre várias raízes da qual nossa língua apoderou-se, tendo algumas das denominações mais comuns as de Satã, Diabo, Demônio, Lúcifer dentre outras várias.

Para tal pesquisa, nos apoiaremos num resumo da dissertação de mestrado, na FE-USP, de Julva Moreira (graduado em filosofia, doutor e mestre pela FE-USP, Prof de Filosofia e Filosofia da Educação). Além disso, recorreremos a mitos, dentre os mais antigos, de várias tradições do oriente e do ocidente.

Assim encontrei a raízes de algumas das denominações citadas: Satã; sua raiz é opor, obstruir ou acusar. Passou ao grego como Diabolos (caluniador, enganador, difamador, delator, adversário). Ao latim passou como Diabolus. Seu sentido básico ficou de adversário, oponente ou opositor.

Como entender um ser que é puro ódio e perversão? Como admitir que Deus onisciente, onipotente e onipresente tenha um rival, ou criado tal ser, ou sido enganado por aquele que achava ser o maior, ou um dos maiores, dentre seus anjos? Nenhuma destas possibilidades é coerente com os atributos de uma cultura monoteísta, cuja tudo provém de Deus (ou seja qual for a denominação que é dada ao Criador).

Então devemos simplesmente descartar a existência de Satanás? Talvez ele só reflita o lado negro de cada um de nós.

Para ajudar a entender um pouco melhor estas dúvidas e buscar soluções para tais, se faz necessário entender como e quando este conceito aparece na nossa cultura. Será que a Tradição sempre trouxe um Deus e um Anti-deus dentre seus mitos e conhecimentos?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Divagando um pouco sobre Deus

Por Roque Davi

deus2Por mais interessante que possa ser alguma definição de Deus, seja ela feita por grandes pensadores ou por simples neófitos, são apenas ideias sobre a divindade. Todas merecedoras de respeito, mas apenas ideias. Para algumas pessoas, uma ideia  um conceito, uma definição racional de Deus pode ser algo satisfatório. Para outras é necessário mais que isso. É necessário algum tipo de experiência direta. Algo que lhes tire do campo do simples acreditar. Até lá, tudo são crenças e apenas crenças. Todas válidas, mas sempre carentes da experiência.

No emaranhado dessa selva teológica, alguns afirmam ter passado pela experiência direta de Deus. A mim, que faço parte do grupo dos que acreditam em Deus, parece melhor tentar ouvir aqueles que afirmam a possibilidade de tal experiência. Por que contentarmo-nos com os presentes, se podemos ter a presença do próprio doador? Nessa busca, quem teria ido mais longe? Os que criam lindas ideias sobre a divindade ou os que afirmam ter experimentado? São as palavras destes últimos que me chamam mais a atenção.           

Sim, há os que não acreditam em Deus. Eles compõem o restante da humanidade. Nada pode ser feito por eles quanto a isso. Uns conseguem crer, outros não. Eu jamais entraria em discussão com alguém que não crê em Deus. Aceito que não creiam. Não me incomodam. São grandes pessoas e não parece fazer muita diferença crerem ou não. Eu creio. É algo inerente a mim. Mesmo que eu tentasse, não conseguiria perder esse sentimento.

Crer em Deus pressupõe - para mim - uma série de observâncias e outros conceitos que devem ser levados em conta, ou minha vida entraria em contradição com minha própria crença sobre Ele. Há todo um sistema, um pacote que advêm da crença em Deus. O fato de acreditar me obriga a ter uma conduta que vá de acordo com a ideia que tenho Dele. Para mim é contraditório alguém afirmar crer em Deus e viver na inércia espiritual. O simples fato de crer seria razão para uma profunda modificação. A crença em Deus deveria ser o maior evento para o ser humano.

Depoimento colhido da Lista Voadores

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Abandone o "você"

Pergunta a Osho:

Osho, por favor, explique por que não sentimos o divino que está aqui e agora, dentro e fora, que está em mim, em você e em todos.
abandone-voceIsso vem de Swami Yoga Chinmaya. É porque você é muito você, e pesa demais sobre si mesmo.

Porque você não consegue rir, o divino fica oculto. Porque você é muito tenso, fica fechado. E essas coisas que você pensa — que o divino está aqui e agora, dentro e fora, em você e em mim — são apenas coisas da cabeça, não são seus sentimentos.

São pensamentos, não realizações.

E se você continuar pensando nessa linha, nada disso se tornará sua experiência. Você pode se convencer, através de mil e um argumentos, de que é isso mesmo, mas isso nunca se tornará sua experiência. Você continuará perdendo.
Não é uma questão de argumento, filosofia, pensamento, contemplação — não. É uma questão de mergulhar profundamente no sentimento do fenômeno.
A pessoa tem que sentir, não pensar sobre. E para sentir esse fenômeno, a pessoa tem de desaparecer.

Você está tentando uma coisa absolutamente impossível: pensando, está tentando perceber Deus como realidade. Ele permanecerá uma filosofia, nunca se tornará sua experiência.
E a menos que ele seja uma experiência, não será algo libertador. Vai se tornar um aprisionamento; você morrerá nesse aprisionamento de palavras.

Você é muito você — a cabeça de Yoga Chinmaya tem de ser cortada, completamente cortada. Você está muito na cabeça e é muito você.

Deus não é o mais importante; você é mais importante. Você quer conhecer Deus. Ele não é a ênfase, você é a ênfase. Você quer alcançar Deus: não que ele seja importante, você é importante — e como pode viver sem alcançar Deus?
Ele tem que ser possuído, mas a ênfase está em você. Eis por que você continua perdendo.

Abandone o "você". Então, não há necessidade de se preocupar com Deus — ele vem por conta própria.
Uma vez que você desapareça, ele vem. Uma vez que você esteja ausente, sua presença é sentida. Uma vez que você esteja vazio, ele corre em sua direção.

Abandone todas as filosofias e tudo o que aprendeu, e todo o conhecimento que tomou emprestado, e tudo o que se tornou um peso na cabeça. Abandone isso tudo. Fique limpo, tudo isso está podre.

Uma vez que esteja limpo, nessa limpeza você começa a sentir algo surgindo. Nessa inocência está a virgindade. Deus está sempre disponível.

Osho, em "Palavras de Fogo: Reflexões sobre Jesus de Nazaré"

Imagem por Leo Reynolds

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Reflexões sobre Deus, segundo Spinoza

"Eu não preciso acreditar em Deus, Ele vive." (Carl Gustav Jung)

Spinoza

O Deus de Spinoza

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: "Acredito no Deus de Spinoza; Spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens ".

E aí vai o que lhe diz DEUS, segundo SPINOZA (1632-1677):

"Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.

Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? 

Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

baruch-spinozaPara de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.  

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.
Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... 

Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Para de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato?

Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti."


(Baruch Spinoza também conhecido como Benedito de Spinoza)

As sábias palavras são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, e falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677. Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Influenciou nada menos que Jung e Goethe entre tantos outros. Essas palavras foram ditas em pleno Século XVII.

***Spinoza foi 'excomungado' ('chérem', em 1656) pela Sinagoga portuguesa de Amsterdam.

Com informações do Blog Papos e Reflexões

domingo, 16 de setembro de 2012

Amor

deus

Osho, em "Don’t Let Yourself Be Upset by the Sutra, rather Upset the Sutra Yourself"
Imagem por Caro Wallis
Publicado no blog palavras de Osho

sábado, 13 de agosto de 2011

Não existe o dia do juízo final

Ao nos dar a vida, a existência já nos aceitou. Não existe o dia do juízo final. Acredito no dia do juízo inicial – ele já passou, já acabou.

O dia em que Deus decidiu criar o mundo foi o dia do juízo. Nesse dia ele deve ter ponderado, pensado se deveria ou não criar o mundo, mas resolveu criá-lo. Ele decidiu que era melhor criar que não criar. Ele preferiu algo a nada.

Não importa o que tenha criado, ele é responsável por tudo. Eu não sou responsável, você não é responsável, ninguém mais é responsável. Toda a responsabilidade é de Deus ou da existência; todo bem que existe pertence a ele, todo mal também.

Podemos encerrar a questão, não precisamos nos preocupar com isso. Uma coisa posso lhe dizer: à medida que uma pessoa se aprofunda na meditação, percebe que não há a menor possibilidade de um dia do juízo final nem a necessidade de ficar preocupado.

Quando você fica em silêncio, começa a sentir o amor de Deus jorrando de todos os lados. De repente percebe que alguém está cuidando de você, que você não é ignorado, que não é uma coisa acidental, que você é intrínseco à existência.
Deus precisava de você, por isso ele o criou.

Osho, em "Meditações Para o Dia"
Imagem por
maureen_sill

Publicado no blog palavras de Osho
Visite o site oficial da Osho Brasil

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em nome de Deus

Por Nélio Azevedo

Sobre a reportagem de capa “Em Nome de Deus”, sete mitos sobre Deus, a escritora Karen Armstrong, com seu livro em que toma o lugar de advogado de Deus, afirma que o encontro com Deus deriva mais de um esforço pessoal do que da crença, me faz lembrar Clarice Lispector que dizia que se eu preciso inventar Deus, esse Deus não existe.

No seu contra-ataque aos ateus, ela faz justamente o que Richard Dawkins diz em seu livro “Deus um delírio”! Os que creem não têm nenhum respeito pelos que não creem; não permitem que se fale do Deus em que acreditam e tomando sua defesa, como se Deus precisasse de advogados, se tornam às vezes tão violentos quanto as descrições que se fazem Dele nas Sagradas Escrituras.

Disse que os “Novos ateus” são teologicamente iletrados e cai no mesmo erro das autoridades eclesiásticas que afirmam que não se pode tomar os textos bíblicos ao pé da letra. Ela não é teóloga, que se saiba, e se mete a tecer um enredo em que coloca sua experiência de vida com Deus como se fosse uma verdade acabada, para que outros a sigam. Seu ato só não é pior do que os crentes religiosos que se metem a falar de Ciência como se fossem cientistas, numa tentativa, às vezes, idiota de tentar explicar todos os fenômenos da vida e do universo através da religião ou do livro que a sustenta como fundamento.

Quanto a seus sete mitos:

O primeiro: “Deus está morto”. Ela ao diz nada, comparando os níveis de consciência entre os humanos e os cães, que sem Deus os homens não encontram sentido para suas existências. Depois se apoiam em citações como a do xeque Jihad Hassan de que as pessoas já nascem com a crença em Deus, como um assessório do pacote trend do ser humano.

No segundo: O renascimento das religiões; a globalização atingiu as religiões, ela só se esqueceu de dizer que foi em termos econômicos, a venda de uma proposta de marketing em vez de uma proposta de vida, tem assegurado aos tele-pastores um crescimento assustador quase sempre ligados a falcatruas e passagem por páginas policiais. A busca das pessoas por inspiração mostra o desespero dos que não se adaptam ao mundo de consumo onde nem todos conseguem o essencial.

No terceiro: Uns creem outros não, busca-se apoio no xeque novamente e ele afirma que Deus abandonou sua criação e que o mundo corre atrás do prejuízo de não se ter Deus.

Até parece que crer e não crer é uma coisa nova, a diferença de outros tempos é que se você se revela como ateu você não precisa mais enfrentar a Santa Inquisição. Se o que diz dom Dimas é verdade, quanto a sua fé, o mundo não precisaria de polícia, bastava a fé e todos viveriam em perfeita harmonia, (ver o relato de Dawkins sobre o Canadá de algumas décadas atrás).

No quarto: Deus e política, o presente nos mostra o Estado teocrático vencendo o secularismo no Vaticano e no Irã. É, Deus não combina com política, a não ser com a política do extermínio e da ocupação relatados em Êxodos e Números, no Velho Testamento.

No quinto: o nariz da escritora deve ter alcançado meio metro tranquilamente, Deus não semeia violência, com certeza ela não leu aquela parte da Bíblia em que Ele ordena a Moisés que execute os idólatras e será que aquela ação em Sodoma e Gomorra não foi uma pirotecnia celestial? Afinal Moisés não lançou sua ira aos adoradores do Bezerro de Ouro, aniquilando-os com as próprias Tábuas onde estava escrito “Não Matarás”? E que negócio é esse de imputar a culpa aos homens, com sua natureza humana violenta? Afinal nós temos ou não temos uma essência divina? Eu acho que do ponto de vista cristão, temos. Somos igualzinho ao Pai. Violentos por natureza.

No sexto:, ela não resiste e, como mulher, concorda que Deus e os religiosos são misóginos, ela concorda com o fato real de que Deus oprime as mulheres, mais uma vez eu recorro às Sagradas Escrituras onde há farto material e passagens em que as pobres mulheres daquela época são submetidas aos piores abusos e relegadas a uma subcondição de fazer inveja aos talibãs afegãos.

No sétimo:, ela afirma que Ciência e religião são irmãs, podem viver em cooperação, são áreas distintas, em que uma é fruto da observação, do ensaio, da comprovação e outra de uma única coisa: da crença, um comportamento que a antropologia cultural trata como superstição.

Diz que a ciência não sabe lidar com temas como a própria vida ou a morte. E a Biologia? E a Psicologia? E a Medicina? E a Psiquiatria? Será que o conhecimento elaborado por essas áreas não servem para nada? Será que os papas, pastores e crentes de uma forma geral buscam só à Deus para se curarem?

Será que diante de um diagnóstico de uma doença grave eles se comportam como crentes ou como seres humanos? Ela credita somente à fé o trabalho de nos fazer entender a vida e a morte, e que todo o resto é razão. Tem razão, tudo é só razão, razão até mesmo para ter fé, como afirmava Santo Agostinho.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que Deus espera de nós?

O texto abaixo foi extraído da Lista de Discussão Voadores e é a resposta de uma participante à pergunta do título deste post. Como a sua resposta expressa o meu ponto de vista, achei por bem postá-la.

"Qualquer ideia, suposição ou opinião que tenhamos a respeito de Deus ou do
que Ele pensa não passará de inferência de nossa própria interpretação do
que seja Deus. Nada mais do que conjectura.

Entendo Deus como o nome que damos àquilo que não entendemos e que sentimos necessidade de explicar, sem nunca ter conseguido.

Se Deus é fruto da nossa necessidade de explicar o mundo e o universo (ou o
que achamos que conhecemos dele), Ele será sempre algo que corresponde a
essa necessidade, que atende a essa expectativa, que supre esse "vazio" que
sentimos de sentido.

Não é que a pergunta seja tola ou sem sentido, mas que não há resposta pra
ela, pois toda e qualquer resposta será sempre o que nós mesmos pensamos
dEle e do que Ele faz. E toca andar correndo atrás do rabo...

Seja o que for Deus, se é que Ele existe mesmo (repetindo, não sou ateia,
portanto eu acredito que Ele existe), acho que é praticamente impossível
entendê-lo ou concebê-lo de forma absoluta, pois Ele teria que preexistir a
tudo o que existe, sem nunca ter sido criado e sem nunca deixar de
existir... Nós simplesmente não alcançamos essa compreensão.

Não nos é possível imaginar algo que não foi criado e sempre existiu e
sempre existirá. Só isso. Nosso raciocínio não alcança. Então, melhor não
perguntar..."

Maísa Intelisano

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Seja você mesmo

Todo o meu ensinamento pode ser condensado nestas três palavras: seja você mesmo.

Uma ocasião eu citava Morarji Desai, que disse só ter uma ambição na vida: conhecer Deus e alcançar as alturas da verdade. Que mal Deus fez a Morarji Desai? Por que ele quer ir atrás de Deus? Não é suficiente ser ele mesmo?

Será que alguém tem que conhecer Deus? Por quê? Para quê? E o que você vai fazer mesmo que conheça Deus? Vai continuar tão tolo quanto é agora. E, mesmo que venha a se encontrar com Deus, o que vai fazer? Vai dizer: "Olá, como vai o senhor? Que tempo bom, não é?". E o que mais?

O que você vai fazer, afinal? Ao conhecer Deus, você não vai conhecer a si próprio. E uma pessoa ignorante que não conhece a si própria... como pode conhecer Deus?

O autêntico buscador nada tem a ver com Deus; ele quer conhecer a si próprio. Esta é a coisa mais fundamental — conhecer a si próprio —, porque a partir daí vem todo o conhecimento, toda a luz.

Se um indivíduo conhecer a si mesmo, ele conhecerá Deus também. Na verdade, quando o indivíduo conhece a si mesmo ele é que ele se torna capaz de conhecer o supremo, porque bem no âmago de seu ser o supremo está presente.

Mas os religiosos dizem: "Conheça Deus! Tente experimentar Deus!". Essa é, como eu já disse, uma estratégia, a mesma estratégia para desviar você de si mesmo.

E essas pessoas como Morarji Desai pensam que são religiosas, mas não são nem um pouco. A pessoa religiosa só tem um anseio... e, lembre-se, não é uma ambição, é um anseio.

E há uma diferença tremenda entre ambição e anseio. Ambição é da mente, anseio é do coração. Pertencem a centros diferentes.

Osho, em "Filhos do Universo: Reflexões sobre Desiderata"

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ciência, fé e as três origens

Por Marcelo Gleiser*

A compreensão científica dos vários fenômenos da natureza deveria fortalecer a nossa espiritualidade

Uma excelente ilustração da intersecção entre a ciência e a religião ocorre quando refletimos sobre o que chamo de "as três origens": a do Universo, a da vida e a da mente.

Por milênios, mitos de criação de todas as partes do mundo vêm tecendo explicações para esses três grandes mistérios. No meu livro "A dança do Universo" (Ed. Companhia das Letras, 2006), explorei alguns dos temas míticos que reaparecem na ciência, em particular na cosmologia, no estudo do Universo.

Precisamos conhecer nossas origens. E, desde os primórdios, olhamos para os céus em busca de respostas. Hoje, sabemos que somos aglomerados de poeira estelar dotados de consciência. Para desvendar nossa misteriosa origem, precisamos saber de onde vieram as estrelas, como a matéria não viva se transformou em matéria viva e como essa virou matéria pensante.

Mitos de criação atribuem as três origens a forças sobrenaturais, capazes de realizar feitos que nos parecem impossíveis. Grande parte do conflito entre a religião e a ciência se deve à tensão entre esses dois modos antagônicos de explicação.

Qualquer entidade que, por definição, existe além das leis naturais está além da esfera da ciência.

Será que as três origens podem ser explicadas pela ciência, sem a interferência de entidades sobrenaturais? Em caso afirmativo, religiões baseadas em entidades que existem além das leis naturais teriam que sofrer revisões profundas.

Isso não significa que, caso a ciência venha a entender as três origens, não teremos mais uma conexão espiritual com a natureza. Pelo contrário, a compreensão dos fenômenos naturais, dos mais simples aos mais profundos, deveria apenas fortalecer nossa espiritualidade. A racionalidade e a espiritualidade são aspectos complementares.

Religiosos ou não, poucos resistem ao fascínio da criação. As perguntas que fazemos hoje foram já feitas há milênios de anos na savana africana, nas pirâmides do Egito, nas colinas do monte Olimpo e na selva amazônica. O que mudou foi a natureza da explicação.

A cosmologia nos mostra que o Universo surgiu há 13,7 bilhões de anos. Podemos reconstruir sua história a partir de um segundo após a criação -um grande feito do intelecto humano. Mas ainda não podemos ir até a origem. Podemos afirmar que todos os seres vivos na Terra, presentes e extintos, dividem um ancestral em comum, um ser unicelular que viveu em torno de 3,5 bilhões de anos atrás. Mas não entendemos a origem da vida em si e nem sabemos se a questão pode ser respondida de forma definitiva: talvez existam várias origens da vida.

Entendemos menos ainda o cérebro, esse fantástico aglomerado de cerca de 100 bilhões de neurônios que define quem somos. Porém, através da ressonância magnética, detectamos as atividades de grupos de neurônios que trabalham como numa orquestra sem maestro.

Se podemos ou não entender as três origens através da ciência é matéria para futuros ensaios. Precisamos destrinchar as questões relacionadas com a natureza e com os limites do conhecimento.

São as questões não respondidas que servem de motivação para os cientistas. O destino final importa menos do que o que aprendemos no meio do caminho.

 *MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Espiritualidade: Além da linguagem

Tudo o que é grandioso está além da linguagem.

Quando existe muito a dizer, é sempre difícil dizê-lo. Somente pequenas coisas podem ser ditas, somente trivialidades podem ser ditas, somente o mundano pode ser dito.

Sempre que você sente algo transbordante, é impossível dizê-lo, porque as palavras são muito estreitas para conter algo essencial.

Palavras são utilitárias, boas para o dia-a-dia, para as atividades mundanas. Elas começam a ficar limitadas quando você se move além da vida comum. No amor não são úteis, na prece se tornam completamente inadequadas.

Tudo o que é grandioso está além da linguagem, e, quando você descobre que nada pode ser expresso, então você chegou, então a vida está repleta de grande beleza, de grande amor, de grande deleite, de grande celebração.

Osho, em "Osho Todos os Dias – 365 Meditações Diárias"

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Celebre!

Pequenas coisas devem ser celebradas — o sorver o chá precisa ser celebrado. As pessoas do zen criaram uma cerimônia do chá. Esse é o ritual mais belo já desenvolvido.

Existem muitas religiões e muitos rituais nasceram, mas não há nada como a cerimônia do chá — simplesmente sorver o chá e celebrá-lo! Apenas cozinhar o alimento e celebrá-lo! Apenas tomar um banho — deitar na banheira e celebrar; ou em pé, sob o chuveiro, e celebrar.

Essas são pequenas coisas — se você insistir em celebrá-las, o total de todas as suas celebrações será Deus. Se você me perguntar o que é Deus, direi: o total de todas as celebrações — celebrações pequenas e mundanas.

Um amigo vem e segura a sua mão ou te abraça. Não perca essa oportunidade — porque Deus veio na forma da mão, na forma do amigo. Uma pequena criança passa e ri. Não perca isso, ria com a criança — porque Deus riu através da criança. Você passa na rua e uma fragrância vem dos campos. Pare ali por um momento e se sinta grato — porque Deus veio como fragrância.

Se você puder celebrar momento a momento, a vida se tornará religiosa — e não existe outra religião, não há necessidade de ir a qualquer templo. Então, onde você estiver é o templo, e tudo o que você estiver fazendo é religião.

Osho, em "Osho Todos Os Dias — 365 Meditações Diárias"
Imagem por
ben matthews :::

www.palavrasdeosho.com

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A maior síntese concebível

O homem é uma busca, uma eterna inquirição, uma pergunta perene. A busca é pela energia que mantém a existência interligada — chame-a de Deus, chame-a de verdade, chame-a como você queira chamar. O que mantém essa existência infinita interligada? Qual é o centro disso tudo, o cerne disso tudo?

Ciência, filosofia, religião, todas fazem a mesma pergunta. As respostas podem diferir, mas a pergunta é a mesma. A religião chama essa energia de "Deus". Os cientistas não concordarão com a palavra "deus"; parece pessoal demais.

Parece demasiadamente antropomórfica, indicativa do homem. Eles a chamam de eletricidade, magnetismo, campo energético; mas apenas o nome é diferente. Deus é um campo de energia.

Os filósofos vão dando diferentes nomes: estrato supremo, o absoluto, Brahma. De Thales a Bertrand Russell, muitas respostas foram dadas. Algumas vezes, alguns filósofos dizem que ela é água, liquidez; algumas vezes, alguém diz que é fogo — mas a busca tem sido eterna. "O que mantém este universo infinito junto?"

Os místicos da Índia antiga, conhecidos como bauls, chamavam-na de amor — e, para mim, a resposta deles parece ser a mais pertinente. Ela não é pessoal nem impessoal. Ela tem algo de Deus e algo de magnetismo também. Algo do divino e algo da terra.

O amor tem duas faces. É semelhante a Janus: uma face é voltada para a terra e a outra é voltada para o céu. É a maior síntese concebível: ele vem da luxúria e se move em direção à oração; ele nasce do lodo e se torna um loto que olha de frente para o sol.

Osho, em "Vida, Amor e Riso"

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um Deus que sorri

Eu acredito em Deus.

Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bispo ou pastor...

O Deus em que acredito não foi globalizado.

O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.

É uma ideia, uma energia, uma eminência.

Não tem rosto, portanto não tem barba.

Não caminha, portanto não carrega um cajado.

Não está cansado, portanto não está sempre no trono.

O Deus que me acompanha vai muito além do que me mostram as bíblias.

Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.

O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.

O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.

Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras. Nossa penitência é a reflexão.

Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.

O Deus em que acredito não condena o prazer.

O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.

A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.

É onde tudo acontece e este é o Deus que me acompanha:

Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo. Meu Deus é discreto e otimista.

Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.

O Deus que eu acredito também não inventou o pecado, ou a segregação de credo.

E como ele me deu o Livre-Arbítrio, sou eu apenas que respondo e responderei pelos meus atos.

Rubem Alves