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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não lute contra sua natureza

oshoO psicólogo Hans Selye trabalhou durante toda a vida focalizando apenas um problema: o estresse. E chegou a conclusões muito profundas. Uma é que o estresse nem sempre é ruim; ele pode ser usado de maneira admirável.
Não é necessariamente negativo - e, se pensarmos que é sempre negativo, isso não será bom e então geraremos problemas.

O estresse em si pode ser usado como um apoio, pode tornar-se uma força criativa. Porém, fomos ensinados, em geral, que o estresse é ruim, de tal maneira que, ao ser submetido a qualquer tipo de estresse, você se torna receoso. E seu receio o torna até mais estressado; a situação não é ajudada pelo receio.

Por exemplo, talvez os problemas econômicos estejam gerando estresse. No momento em que você sentir que há alguma tensão, algum estresse, você passa a receá-lo. Diz a si mesmo: "Tenho de relaxar". Bem, tentar relaxamento não ajudará, porque você não consegue relaxar; na realidade tentar o relaxamento criará um novo tipo de estresse.

O estresse está presente e você está tentando relaxar e não consegue, portanto está aumentando o problema.

Quando houver o estresse, use-o como energia criativa. Primeiro, aceite-o; não há necessidade de lutar com ele. Aceite-o, isso é perfeitamente correto. Ele apenas diz: "Há problemas econômicos, algo está dando errado, você pode fracassar."

O estresse é tão-só uma indicação de que o corpo está se preparando para enfrentar a situação. Se você tenta relaxar ou toma comprimidos para a dor ou tranquilizantes, está agindo contra o corpo.

O corpo está ficando pronto para lidar com uma certa situação, um certo desafio que existe nele. Aproveite o desafio! Mesmo que você algumas vezes não consiga dormir à noite, não há necessidade de ficar preocupado.

Use a energia que surge do estresse: ande, corra, faça uma caminhada longa. Planeje o que deseja fazer, o que a mente quer fazer. Em vez de tentar adormecer, o que não é possível, use a situação de modo criativo.

A mente apenas está dizendo que o corpo está pronto para enfrentar um problema; essa não é a situação para relaxar. O relaxamento pode ocorrer posteriormente.

Osho, em "Meditação para Pessoas Ocupadas"

domingo, 19 de janeiro de 2014

Doenças relacionadas ao estresse

Pergunta a Osho:

"Fico doente com muita facilidade e acho que isso tem relação com o fato de me esforçar demais. Quando isso acontece, não me sinto mais conectado ao meu centro e o corpo adoece."

oshoTodo mundo tem de entender o funcionamento do próprio corpo. Se está tentando fazer algo além do que o seu corpo pode tolerar, mais cedo ou mais tarde ficará doente.

Existe um limite para o que você pode impingir ao corpo, então chega o momento em que ele não aguenta mais. Pode estar trabalhando demais. Para as outras pessoas, pode não parecer que você está trabalhando tanto, mas isso não interessa. O seu corpo não aguenta tanto esforço, você tem de descansar.

E o resultado final será o mesmo. Em vez de trabalhar por duas ou três semanas e depois descansar durante um período equivalente, trabalhe por seis semanas seguidas, mas reduza o esforço pela metade... é simples aritmética.

E é muito perigoso trabalhar demais porque pode prejudicar muitas coisas frágeis no corpo - você se sobrecarrega de trabalho e depois fica exausto, deprimido, se joga na cama e se sente mal com relação a todas as coisas.

Reduza o ritmo, vá mais devagar em tudo o que fizer. Por exemplo, pare de andar do jeito que anda. Ande devagar, respire devagar, fale devagar. Coma devagar: se você costuma levar 30 minutos para fazer uma refeição, leve 40 minutos. Tome banho devagar: se está acostumado a tomar banho em 10 minutos, prolongue o banho por 30 minutos.

Não estou falando apenas de seu lado profissional. Nas 24 horas do dia, tudo tem de ser reduzido, o ritmo tem de voltar para o mínimo, para a metade. Tem de ser uma mudança em todo o padrão e estilo de vida.

Fale mais devagar, leia mais devagar, pois a mente tende a fazer tudo de uma determinada maneira. A pessoa que trabalha muito lê rápido, fala rápido, come rápido - é uma obsessão. Seja lá o que estiver fazendo, ela o fará rapidamente, mesmo quando não houver necessidade. É o seu mecanismo automático e passa a ser uma característica quase inerente.

Pare com isso. De hoje em diante, reduza tudo pela metade. Levante-se devagar, ande devagar. E isso também lhe dará uma consciência maior, pois, quando fizer alguma coisa mais lentamente, ficará alerta ao que está fazendo. Quando move a mão depressa, faz o movimento de forma mecânica.

Se quiser ir mais devagar, terá de fazer isso conscientemente. Não é uma questão de falta de capacidade, é uma questão de ritmo. Cada pessoa possui seu próprio ritmo e tem de se movimentar de acordo com ele. Você pode trabalhar o suficiente obedecendo a esse ritmo, e acho até que poderá trabalhar mais. Depois que chegar ao seu ritmo certo, conseguirá fazer muito mais.

Seu trabalho não será febril, transcorrerá de um jeito muito mais suave e você será capaz de produzir mais. Existem pessoas que trabalham devagar, mas essa lentidão tem suas qualidades. E, na verdade, são as melhores qualidades.
A pessoa que trabalha rápido pode ser quantitativamente melhor. Consegue produzir mais, mas, qualitativamente, nunca será muito eficiente.

A pessoa que trabalha devagar faz as coisas com mais qualidade. Toda a energia dela flui numa dimensão qualitativa. A quantidade pode não ser grande, mas não é o importante. Se você puder fazer poucas coisas, mas bem-feitas, quase perfeitas, se sentirá muito feliz e realizado. Não há necessidade de fazer muitas. Se conseguir até mesmo fazer uma única coisa que cause extremo contentamento, isso basta; sua vida estará preenchida.

Não existe o que as pessoas chamam de natureza humana. Existem tantas naturezas humanas quanto existem seres humanos, por isso não há critério. Uma pessoa corre velozmente, a outra anda devagar. Não se pode comparar as duas, porque estão separadas, ambas são totalmente únicas e individuais. Portanto, não se preocupe com isso.

Essa preocupação vem da comparação. Você vê que alguém está trabalhando duro e não precisa dormir, enquanto você faz uma só coisa e precisa ir para a cama. Por isso se sente mal, acha que não tem a capacidade que deveria.

Mas quem é essa outra pessoa e como é possível comparar-se a ela? Você é você e ela é ela. Se ela for obrigada a diminuir o ritmo, pode ficar doente. Ela estará indo contra a natureza dela. O que você está fazendo é ir contra a sua natureza - portanto, fique atento à sua essência.

Sempre ouça seu corpo. Ele sussurra, nunca grita, porque não pode gritar. Ele transmite suas mensagens sussurrando. Se você ficar alerta, será capaz de entendê-lo. E o corpo tem uma sabedoria só dele, muito mais profunda que a da mente.
O corpo ainda detém o controle de todas as coisas básicas. Só as coisas inúteis foram atribuídas à mente: pensar. Pensar sobre filosofia, sobre Deus, sobre o inferno e sobre a política.

As funções mais básicas - respiração, digestão, circulação do sangue - estão sob o controle do corpo, enquanto apenas os luxos foram dados à mente.

Ouça seu corpo e nunca faça comparações. Nunca antes existiu alguém como você e nunca existirá. Você é absolutamente único - no passado, no presente e no futuro. Não é possível comparar-se com alguém e também não é possível imitar outra pessoa.

Osho, em "Corpo e Mente em Equilíbrio"
Publicado no blog palavras de Osho

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Meditação

Perguntaram a Osho:

Como evoluir, deixando para trás a coletividade, as nações, sem cair na barbárie de egos isolados, lutando uns contra os outros?

oshoTodas as perguntas de vocês giram em torno de uma coisa. Eu gostaria de dar uma única resposta.

Lembro-me de uma parábola...
Um grande mestre estava sentado à beira-mar, na praia, e um homem que buscava a verdade se aproximou dele, tocou os seus pés e pediu, “Se não for incomodar, eu gostaria de fazer qualquer coisa que o senhor sugira para me ajudar a encontrar a verdade”.

O mestre simplesmente fechou os olhos e ficou em silêncio.

O homem sacudiu a cabeça, dizendo para si mesmo, “Esse homem parece louco. Eu lhe faço uma pergunta e ele fecha os olhos”. Ele cutucou o mestre e insistiu, “E a minha pergunta?”

O mestre disse, “Eu a respondi. Basta sentar-se em silêncio... não faça nada e a grama cresce por si mesma. Você não precisa se incomodar com isso — tudo acontecerá por si mesmo. Basta que se sente em silêncio, aprecie o silêncio”.

O homem disse, “O senhor pode me dar um nome para isso — porque as pessoas vão me perguntar ‘O que você está fazendo?’”

Então o mestre escreveu na areia com o dedo: meditação.
O homem disse, “Essa é uma resposta muito breve. Explique melhor”.

O mestre escreveu com letras maiúsculas: MEDITAÇÃO.
O homem disse, “Mas são apenas letras maiúsculas. O senhor escreveu a mesma coisa”.

O velho mestre disse, “Se eu disser mais do que isso, estará errado. Se pode entender, então faça o que eu disse e você saberá”.

E essa é a minha resposta também.

Cada pessoa tem de se tornar um praticante de meditação, um observador silencioso, de modo que possa descobrir por si mesma. E essa descoberta vai mudar tudo em torno dela. E se conseguirmos mudar muitas pessoas por meio da meditação, conseguiremos criar um mundo novo.

Muitas pessoas esperam há séculos por um mundo novo, mas elas não têm ideia de como criá-lo. Estou dando a vocês a ciência exata para criá-lo. Meditação é o nome dessa ciência.

Osho, em "Liberdade - a Coragem de Ser Você Mesmo"
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O autoconhecimento é a maior das rebeldias

oshoAlgumas coisas antes de introduzirmos estes sutras de Heráclito.

Primeiro: conhecer a si mesmo é a coisa mais difícil. Não deveria ser assim. Deveria ser exatamente o oposto — a coisa mais simples. Mas não é — por muitas razões. Tornou-se tão complicado, pois você investiu tanto na auto-ignorância que parece quase impossível retornar, voltar à fonte, encontrar a si mesmo.

Toda a sua vida, tal como ela é, como é aprovada pela sociedade, pelo Estado, pela Igreja, está baseada na auto-ignorância. Você vive sem se conhecer, porque a sociedade não quer que você se conheça. É perigoso para a sociedade. Um homem que conhece a si mesmo está destinado a ser rebelde.

O conhecimento é a maior das rebeldias — quer dizer, o autoconhecimento, não o conhecimento acumulado através de escrituras, não o conhecimento encontrado nas universidades, mas o conhecimento que acontece quando você encontra o seu próprio ser, quando chega a si mesmo na sua nudez total; quando você se vê como Deus o vê, não como a sociedade gostaria de vê-lo; quando você vê o seu ser natural, no seu florescimento total e selvagem — não o fenômeno civilizado, condicionado, educado, polido.

A sociedade está interessada em fazer de você um robô, não um revolucionário, porque o robô é mais útil. É fácil dominar um robô; é quase impossível dominar um homem de autoconhecimento. Como se pode dominar um Jesus? Como se pode dominar um Buda ou um Heráclito?

Ele não cederá, não obedecerá ordens. Ele se moverá. através de seu próprio ser. Será como o vento, como as nuvens; ele se moverá como os rios. Será selvagem — naturalmente belo, natural, mas perigoso para a falsa sociedade. Ele não se ajustará. A menos que criemos no mundo uma sociedade natural, um Buda continuará sendo sempre um desajustado, um Jesus certamente será crucificado.

A sociedade quer dominar; as classes privilegiadas querem dominar, oprimir, explorar. Gostaria que você permanecesse completamente inconsciente de si mesmo. Esta é a primeira dificuldade. E a pessoa tem de nascer numa sociedade. Os pais fazem parte da sociedade, os professores fazem parte da sociedade, os padres fazem parte da sociedade. A sociedade está em toda parte, à sua volta. Parece realmente impossível — como escapar? Como encontrar a porta que leva de volta à natureza? Você está cercado por todos os lados.

A segunda dificuldade vem do seu próprio ser — porque você também gostaria de oprimir, de dominar; você também gostaria de possuir, de ser poderoso. Um homem de autoconhecimento não pode ser escravizado, e também não pode escravizar ninguém. Não se pode oprimir um homem de conhecimento e um homem de conhecimento não pode oprimir ninguém. Ele não pode ser dominado e não domina. A dominação simplesmente desaparece nessa dimensão. Você não pode possuí-lo e ele não possui ninguém.
Ele é livre e ajuda os outros a serem livres.

Esta é uma dificuldade ainda maior do que a primeira. Você pode evitar a sociedade, mas como evitar o seu próprio ego? Você sente medo — porque um homem de conhecimento simplesmente não pensa em termos de posse, de domínio, de poder. É inocente como uma criança. Ele gostaria de viver totalmente livre, e gostaria que os outros também vivessem livres.

Esse homem será uma liberdade aqui neste seu mundo de escravidão. Você gostaria de não ser explorado? Sim, você responderá, você gostaria de não ser explorado. Gostaria de não ser um prisioneiro? Sim, você gostaria de não ser um prisioneiro. Mas gostaria também da outra coisa? — de não prender ninguém? Não dominar, não oprimir e explorar? Não matar o espírito, não transformar o outro num objeto? Isso é difícil.

E lembre-se: se você quiser dominar, você será dominado. Se você quiser explorar, você será explorado. Se você quiser que alguém seja seu escravo, você será escravizado. Os dois lados pertencem à mesma moeda. Esta é a dificuldade do autoconhecimento. Senão, o autoconhecimento seria a coisa mais simples, a mais fácil. Não haveria nenhuma necessidade de se fazer qualquer esforço.

Os esforços são necessários para essas duas coisas, elas são as barreiras. Observe e veja essas duas barreiras, e comece abandonando a sua. Primeiro, pare de dominar, de possuir e explorar, e de repente será capaz de escapar da armadilha da sociedade.

Osho, em "A Harmonia Oculta - Discursos Sobre os Fragmentos de Heráclito"

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Volte a ser criança e você será criativo

oshoVolte a ser criança e você será criativo. Toda criança é criativa. A criatividade precisa de libertação - libertação do grilhões da mente, do conhecimento, dos preconceitos.

A pessoa criativa é aquela que consegue experimentar o novo. A pessoa criativa não é um robô. Os robôs jamais são criativos; eles são repetitivos.

Portanto, volte a ser criança - e ficará surpreso ao ver que toda criança é criativa.

Toda criança nasce criativa - mas não aprovamos sua criatividade. Sufocamos e matamos sua criatividade, saltamos sobre ela; começamos a ensiná-las a maneira “correta” de fazer as coisas.

Guarde isto: a pessoa criativa nunca deixa de tentar fazer as coisas da maneira “incorreta”. Se você sempre procurar fazer as coisas da maneira “correta”, jamais será criativo, pois a “maneira correta” de fazer algo significa a maneira estabelecida pelos outros.

Logicamente, com “fazer algo da maneira correta”, quero dizer que você será capaz de fazê-lo; você será um produtor, um manufator, um técnico, mas jamais um criador.

Qual a diferença entre produtor e criador?

O produtor conhece a forma correta de fazer as coisas, o meio mais econômico de fazer algo; com o mínimo de esforço, ele consegue produzir mais resultados. Ele é produtor.

O criador se perde no que procura fazer. Ele ignora a forma correta de fazer as coisas. Assim, ele continua a procurar e a buscar sem parar, em várias direções. Muitas são as vezes em que ele segue o caminho errado - mas toda vez que ele se mobiliza, ele aprende; ele vai se tornando cada vez mais rico de experiências. Ele faz algo que ninguém antes havia feito.

Se ele tivesse seguido a forma correta de fazer as coisas, ele não teria sido capaz de fazê-lo.

Osho, em "Criatividade - Liberando sua Força Interior"
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Palavras de Osho

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Osho, em "The Golden Future"

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sábado, 4 de janeiro de 2014

A revolução real nunca foi tentada

oshoNoutro dia, eu lhes disse que todas as revoluções fracassaram, todas, exceto uma. Mas essa jamais foi tentada, trata-se da religião, a revolução não tentada.

Por que ela ainda não foi tentada? E ela é a única revolução real possível, então, por que ainda não foi tentada? Ela é real e pode de fato mudar o mundo inteiro, por isso não foi tentada. As pessoas desejam falar sobre mudança e revolução, desejam brincar com essas palavras e adoram filosofar, mas não querem realmente penetrar na revolução; elas não são muito corajosas e se apegam a seus passados. É seguro falar, mas penetrar na revolução é muito arriscado.

Por isso o real foi evitado até agora e os irreais foram tentados. A política, a social, a econômica — essas revoluções foram tentadas, pois no fundo as pessoas sabem que elas estão destinadas a fracassar. Elas podem ter a alegria de ser revolucionárias e ainda poder continuar apegadas ao passado. Não há risco envolvido.

As chamadas revoluções tentadas e que fracassaram, todas são fugas da revolução real. Soará muito estranho a você, mas o que estou dizendo é isto: todos os seus chamados revolucionários são escapistas. Para evitar o real, eles criam o falso, o pseudo.

A sociedade não pode ser mudada a menos que as pessoas também mudem — essa é uma verdade fundamental, não há como evitar, esquivar-se ou fugir dela. A sociedade é uma abstração; ela não existe. O que existe é o indivíduo, não a sociedade. O ser humano existe e a sociedade é apenas uma abstração, um conceito, uma ideia.
Você já encontrou a sociedade? Você já encontrou a nação?
Sempre que você se depara com algo, você se depara com um indivíduo concreto, vivo e respirando. "Sociedade" é uma palavra morta. Ela tem utilidade, mas é apenas um símbolo.
Ao mudar o símbolo você não estará absolutamente mudando coisa alguma. Você precisa mudar a matéria real, e a sociedade é feita da matéria chamada ser humano, o qual é o tijolo da sociedade. A menos que o ser humano seja mudado, nada é mudado; você pode apenas fingir, acreditar, esperar, imaginar e continuar a viver em sua miséria.

Você pode sonhar, e esses sonhos são confortantes e confortáveis; eles o mantêm dormindo. Na verdade, as pesquisas modernas sobre os sonhos dizem que é assim, exatamente assim — esta é a função dos sonhos: eles o mantêm dormindo.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Encontrando sua própria voz

oshoSe você escolher de acordo com sua própria inclinação, de acordo com sua própria intuição... (a voz interior) é muito forte nas crianças, mas aos poucos, lentamente enfraquece. As vozes dos pais e dos professores, da sociedade e dos padres, vão se fortalecendo. Agora se você quiser descobrir qual é sua voz, você terá que passar através da multidão de ruídos.

Basta olhar dentro: de quem é essa voz? Às vezes é o seu pai, às vezes é sua mãe, às vezes é seu avô, às vezes é o seu professor; e essas vozes são todas diferentes. Apenas uma coisa você não será capaz de encontrar facilmente – sua própria voz. Ela tem sido sempre reprimida. Foi dito a você para escutar os mais velhos, para escutar os padres, para escutar os professores. Nunca lhe foi dito para escutar seu próprio coração.

Você está carregando sua própria pequena voz, suave, não ouvida, e no meio da multidão de vozes que foram impostas sobre você, é quase impossível encontrá-la. Primeiro você terá que se livrar de todos esses ruídos, alcançar uma certa qualidade de silêncio, paz, serenidade. Só então isso virá, como uma surpresa, que você também possui sua própria voz. Ela sempre esteve aí como uma corrente subterrânea.

A menos que você tenha encontrado sua própria tendência, sua vida vai ser uma longa, longa tragédia, do berço ao túmulo. As únicas pessoas que foram felizes no mundo são aquelas que viveram de acordo com sua própria intuição e se rebelaram contra qualquer esforço feito pelos outros para impor as ideias deles. Quão valiosas essas ideias possam ser, elas são inúteis porque não são suas. A única ideia significante é aquela que surge de você, cresce em você, floresce em você.

Primeiro Passo: Quem está falando, por favor?

O que quer que você esteja fazendo, pensando, decidindo, pergunte a si mesmo: isso está vindo de mim ou é outra pessoa falando?

Você ficará surpreso quando você encontrar a verdadeira voz. Talvez seja sua mãe; você irá ouví-la falar novamente. Talvez seja seu pai; não é absolutamente difícil de detectar. Isso permanece lá gravado em você exatamente como lhe foi dado pela primeira vez – o conselho, a ordem, a disciplina, ou o mandamento. Você pode encontrar muitas pessoas: os sacerdotes, os professores, os vizinhos e os parentes.

Não há nenhuma necessidade de lutar. Basta saber que essa não é sua voz, mas a de outra pessoa – quem quer que esse outro alguém seja – você sabe que você não irá segui-lo. Sejam quais forem as consequências – boas ou ruins – agora você está decidindo mover-se por si mesmo, você está decidindo ser maduro. Você tem permanecido por demais uma criança. Você permaneceu por demais dependente. Você deu ouvidos a todas essas vozes e as seguiu bastante. E para onde elas lhe trouxeram? Para uma confusão.


Segundo Passo: Obrigado... e Adeus!

Uma vez que você identifica de quem é essa voz, agradeça a pessoa, peça para ser deixado só e diga adeus a ela.

A pessoa que lhe deu a voz não era seu inimigo. A intenção dela não era ruim, mas isso não é uma questão de intenção. A questão é que ela impôs algo sobre você que não está vindo de sua fonte interior; e qualquer coisa que proceda do exterior lhe torna um escravo psicológico.

Uma vez que você disse claramente a uma certa voz, ‘Deixe-me em paz’. Sua conexão com ela, sua identidade com ela, é quebrada. Isso foi capaz de lhe controlar porque você estava pensando que era sua voz. Toda a estratégia era a identidade. Agora você sabe que isso não é seus pensamentos, nem sua voz; isso é algo estranho a sua natureza. Reconhecer isso é suficiente. Livre-se das vozes que estão dentro de você e logo você ficará surpreso de ouvir uma pequena voz suave, a qual você nunca tinha ouvido antes... então um súbito reconhecimento de que essa é sua voz.

Ela sempre esteve aí, mas ela é muito suave, uma pequena voz porque ela estava reprimida desde quando você era uma criança muito pequena, e a voz era muito débil, apenas um botão, e estava coberta com todo tipo de asneiras e você esqueceu da planta que sua vida é, a qual ainda está viva, esperando que você a descubra. Descubra sua voz e então siga-a sem nenhum medo.

Quando isso acontece, aí está a meta da sua vida, aí está seu destino. É só aí que você irá encontrar realização, contentamento. É só aí que você irá florescer – e nesse florescimento, o saber acontece.

Osho, em "From Ignorance to Innocence"

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cada um mude apenas a si mesmo

Pergunta a Osho:

É possível tentar mudar o mundo para salvá-lo, sem ser agressivo?

oshoIsso já é agressivo. Até mesmo o esforço de mudar um único indivíduo é agressivo. Quem é você para decidir o que está certo para determinada pessoa? Quem é você para decidir que o mundo, se for mudado segundo as suas ideias, será um lugar melhor? Você está assumindo o papel de um salvador, e essa é uma maneira inconsciente de dominar as pessoas. É para o bem delas próprias, é claro, para que não se rebelem contra você.

Todos os pais fazem isso com os filhos. "Pelo próprio bem deles" eles os disciplinam, obrigando-os a fazer coisas que eles não querem fazer, impondo-lhes alguma religião sem o consentimento deles. De todas as maneiras possíveis, a liberdade deles está sendo cerceada. Quanto menos liberdade, menos individualidade... E, no momento em que o filho se tornou cem por cento obediente, ele morreu! A vida do filho estava em sua desobediência; em sua rebeldia estava o seu ser.

E não se pode dizer que as intenções dos pais são erradas. Eu nunca desconfio das intenções de ninguém, mas essa não é a questão. A questão é: qual é o resultado daquilo? A intenção é algo que está dentro de você - você pode ter todas as boas ou as más intenções - mas as mantenha para si mesmo. No momento em que começa a agir em função delas, as boas intenções tornam-se bem mais perigosas do que as más intenções. Uma má intenção pode ser imediatamente retaliada, condenada, não somente pela pessoa sobre a qual você a está impondo, mas até por aquelas que a estão testemunhando. Mas uma boa intenção é perigosa.

Ambas estão fazendo o mesmo trabalho: destruindo a liberdade do indivíduo de ser ele mesmo, de forma que a natureza dele de modo algum seja diferente daquilo que você quer. A rebelião é possível contra a má intenção e será apoiada por todos; mas contra as boas intenções a rebelião torna-se impossível. Todos apoiarão a pessoa com boas intenções que está destruindo o indivíduo. Ninguém virá para apoiar o indivíduo.

Não é função nossa salvar o mundo. Em primeiro lugar, nós nunca o criamos. Não é responsabilidade nossa para onde ele vai e o que vai acontecer com ele. Nossa única responsabilidade é que, enquanto estivermos aqui, vivamos uma vida de alegria, de amor, de felicidade. Enquanto estivermos aqui, a nossa responsabilidade é saber quem somos e em que consiste esta vida.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A existência é um espelho

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Lembre-se, este é o mecanismo: se você quer explorar alguém, torne-o temeroso. Faça-o tremer, deixe o medo entrar em sua alma, e ele nunca será um homem livre. Uma vez que o medo entrar em sua alma, você não pode ser um homem livre. Então, você constantemente tem medo de fazer o que quer fazer porque para essas coisas há castigo, e continua a fazer o que nunca quis fazer, só para adquirir algumas recompensas.
Eu ouvi contar:

Seis amigos viajaram para caçar. Um deles teria de fazer toda a comida. O cozinheiro designado ficaria na cabana, controlaria todas as tarefas, e claro que ficaria excluído da diversão do dia.

O arranjo se manteria até que alguém reclamasse de sua comida; então, o reclamante seria obrigado a se tornar o cozinheiro.

Havia grande excitação enquanto a sorte era tirada para determinar quem ficaria encarregado da tarefa desagradável. Joe se tornou o infeliz.

Durante dois dias, Joe se irritou e suou. No terceiro dia, pensou que deveria ficar furioso. Os outros cincos estavam brincando, atirando e se divertindo, e ele estava fechado na cozinha sufocante e quente da pequena cabana. Joe decidiu que uma situação desesperada exigia um remédio desesperado. Assim, ele jogou um monte de merda na sopa e mexeu até que se dissolvesse.

Naquela noite, ele serviu uma sopa de cebola marrom. Sam pegou uma colherada; quando a levou aos lábios e provou o líquido nocivo, deixou escapar: “Meu Deus! Isto tem gosto de merda!”. Então, percebendo de repente qual seria a penalidade, acrescentou: “Tem gosto de merda — mas eu gosto!”.

Isso é o que está acontecendo a você. O medo do inferno... então ele tem um gosto de merda, mas você continua a dizer “mas eu gosto”.

Seja corajoso e abandone toda essa tolice. Não há inferno e não há céu; você cria seu céu e cria seu inferno. Não há ninguém em lugar algum para castigá-lo ou recompensá-lo.

Esqueça essas ideias infantis de Deus — que se você for bom o papai virá com brinquedos, e se for ruim terá de perder seu almoço ou seu jantar e ficará fechado no banheiro, ou algo assim acontecerá.

Não há ninguém. Você é livre.

Mas eu não estou dizendo que você não pode criar um inferno para você — você pode. O fundamento deve ser entendido; se você quer criar céu ou inferno, o fundamento é o mesmo.

Ame, desfrute, celebre, e você estará criando o céu — porque tudo que você é, se está contente, se é jovial, você compartilha: sua felicidade e sua alegria. Você só pode compartilhar aquilo que você é, e, quando o compartilha, repercute em você. Essa é a lei. A vida reflete e ecoa tudo o que você lança na vida — vem de volta, mil vezes mais vem de volta.

Sorria, e a existência inteira sorri para você. Grite e insulte, e a existência inteira grita e o insulta. E você é a causa de tudo isso; você cria o processo inteiro.

Não é que a existência esteja interessada em gritar e insultá-lo. A existência é neutra; ela simplesmente reflete, é um espelho. Você faz uma cara feia, e vê uma cara feia no espelho; você sorri, e o espelho sorri.

E lembre-se, as recompensas e os castigos não vêm do exterior; você os cria. Você é a oportunidade para eles, você é a terra.

Você é livre — mas por liberdade não quero dizer que você é irresponsável. Na verdade, em liberdade você fica totalmente responsável — porque você é responsável por si mesmo; ninguém mais é. Nenhum Deus é responsável por você, você é o responsável.

Se você for miserável, lembre-se, você deve estar criando isso. Descubra como. E você encontrará as razões — tente procurar as razões e você as achará.

Se você está contente, então também procure dentro de si a razão por que está contente. E crie essas situações cada vez mais. Você ficará mais feliz.


Osho, em "A Revolução: Conversas Sobre Kabir"
Imagem por Kayden
Publicado no blog palavras de Osho
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domingo, 15 de dezembro de 2013

O espírito rebelde é a qualidade essencial de um homem religioso

oshoA mentalidade antiga, as ideologias antigas, as religiões antigas - elas todas combinadas estão criando a situação presente de suicídio global. Só um novo ser humano pode salvar a humanidade e este planeta, e a linda vida deste planeta.

Eu ensino a rebelião, não a revolução. Para mim, o espírito rebelde é a qualidade essencial de um homem religioso. É a espiritualidade em sua pureza absoluta.

O futuro não precisa mais de revoluções. O futuro precisa de um novo experimento que ainda não foi tentado.

Embora tenham existido rebeldes há milhares de anos, eles continuam sozinhos, individuais. Talvez ainda não fosse a hora deles.

Mas agora não só é hora, como, se não nos apressarmos, já não haverá mais tempo. Ou o ser humano desaparecerá ou um novo homem com uma nova visão aparecerá sobre a Terra. Ele será um rebelde.

Osho, em "Transformando Crises em Oportunidades: O Grande Desafio Para Criar Um Futuro Dourado Para a Humanidade"

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Tome consciência do êxtase

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A mente em geral está consciente da dor, mas nunca do êxtase. Se você tem dor de cabeça, está consciente dela. Se não tem dor de cabeça, não se dá conta do bem-estar. Quando o corpo dói, fica consciente dele, mas, quando o corpo está perfeitamente saudável, você não tem consciência da sua saúde.

Essa é a causa básica que faz com que você se sinta tão infeliz: toda a nossa consciência está concentrada na dor. Nós só contamos os espinhos - nunca olhamos para as flores. De algum modo, escolhemos os espinhos e ignoramos as flores. Por uma razão biológica, a natureza fez com que você tivesse consciência da dor para poder evitá-la. De outro modo, sua mão podia ser queimada sem que notasse, seria difícil sobreviver. A natureza, no entanto, não tem qualquer sistema para deixá-lo consciente do prazer, da alegria, da bem-aventurança. Isso tem que ser aprendido, tem que ser praticado. Trata-se de uma arte.

Deste momento em diante, procure ficar consciente das coisas que não são naturais. Por exemplo, seu corpo está saudável: sente-se silenciosamente e tome consciência dele. Sinta o bem-estar. Não há nada de errado com você - aproveite! Faça um esforço deliberado para ter percepção disso. Você se alimentou bem e o seu corpo está satisfeito, saciado: tome consciência disso.

Quando você está com fome, a natureza o deixa consciente disso, mas não tem um sistema para deixá-lo consciente quando está saciado, é algo que tem de ser desenvolvido. A natureza precisa aprimorar essa capacidade porque a sobrevivência é tudo o que tem em vista - qualquer coisa além disso é luxo. A felicidade é um luxo, o maior luxo que existe.
Observo que é isso que faz com que as pessoas sejam tão infelizes - na verdade, não são tão infelizes quanto parecem. Têm muitos momentos de grande alegria, mas esses momentos passam em branco, pois elas nunca tomam consciência deles. A memória das pessoas está sempre cheia de dor e de feridas. A mente, sempre cheia de pesadelos. Num período de 24 horas acontecem milhares de coisas pelas quais você daria graças a Deus, mas sequer se dá conta delas!

Você precisa começar a fazer isso a partir de agora. Ficará surpreso ao ver que a alegria aumentará dia após dia, enquanto a dor e a tristeza diminuirão proporcionalmente, até chegar o dia em que a vida será quase uma celebração. A dor só surgirá de vez em quando e fará parte do jogo. Você não ficará abalado nem perturbado, apenas aceitará.

Se você aprecia a sensação de saciedade que surge depois que come, sabe que a fome provoca uma leve dor... e isso é bom. Se teve uma boa noite de sono e pela manhã se sentiu vivo e revigorado, sabe que, se passar uma noite sem dormir, sentirá um leve mal-estar, mas isso também faz parte do jogo.

Sei por experiência própria que a vida consiste em 99% de alegria e 1% de dor. Contudo, a vida das pessoas consiste em 99% de dor e 1% de alegria - está tudo invertido.
Fique cada vez mais consciente do prazer, da felicidade, do positivo, das flores, dos pequenos raios de sol em meio às nuvens negras.

Osho, em "Corpo e Mente em Equilíbrio"
Imagem por Jacopo Poletto
Publicado no blog palavras de Osho

domingo, 8 de dezembro de 2013

A vida só pode ser conhecida por um estado de não-mente

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A vida é sempre nova, a mente é sempre velha. A vida nunca é velha, a mente nunca é nova. Por isso, as duas nunca se encontram, não podem se encontrar.

A mente se move para trás, a vida se move para frente. Assim, aqueles que tentam viver através da mente estão fazendo algo tão tolo que, no dia em que reconhecerem o que fizeram, não acreditarão que foram tão tolos, tão ridículos, tão absurdos.

A vida só pode ser conhecida por um estado de não-mente.
Meditação é isso: deixar a mente de lado, estar sem pensamentos, apenas ser, ficar em silêncio - nenhuma palavra se movendo na mente, nenhum trânsito, tudo está vazio, quieto, tranquilo. De repente você está em contato com a vida e descobre o tremendo frescor dela, um frescor que liberta.

Isso é Deus, isso é nirvana.

Viver a vida em sua plenitude, conhecer a vida em seu absoluto frescor é ser feliz, é estar em paz.

Osho, em "Meditações Para o Dia"
Imagem por haraldhobbit
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma vida só se torna uma dança quando é uma aventura

oshoO homem moderno é o primeiro em toda a história que não tem uma ideia do sagrado, que vive uma vida muito mundana. Ele está interessado em dinheiro, poder, prestígio, e acha que isso é tudo. É uma noção muito estúpida.

Sua vida é repleta de coisas pequenas, muito pequenas. Ele não tem ideia de coisa alguma maior que ele mesmo.
Negou Deus, disse que Deus está morto. Negou a vida após a morte, negou a vida interior.

Ele só acredita em negar o centro; por isso, vemos tédio em toda parte. Isso é natural, porque, sem algo maior com que você possa se identificar, sua vida vai ser entediante, chata.

Uma vida só se torna uma dança quando é uma aventura. E só pode se tornar uma aventura quando há algo maior que você para ir atrás, para alcançar.

O sagrado significa simplesmente que nós não somos o fim, que somos apenas uma passagem, que nem tudo já aconteceu, muito ainda está por vir.

A semente tem de se tornar um broto, o broto tem de se tornar uma árvore, e essa árvore tem de esperar pela primavera e tem de se abrir em milhares de flores e lançar sua alma no cosmos. Só então haverá realização.

E o sagrado não está longe, só temos de começar a procurá-lo. No início tateamos no escuro, é claro, mas logo as coisas começam a entrar em sintonia, logo passamos a vislumbrar o além, uma música inaudível vai chegando ao nosso coração.

Ela agita nosso ser, começa a nos dar uma nova cor, uma nova alegria, uma nova vida.

Osho, em "Meditações Para o Dia
Publicado no blog palavras de Osho
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A luz sem fonte

Perguntaram a Osho:

Você mencionou que os movimentos rápidos dos olhos indicam processos mentais e que, se os movimentos dos olhos forem parados, os processos mentais também cessarão. Mas esse controle fisiológico dos processos mentais, essa cessação dos movimentos dos olhos, parece criar tensões psíquicas, como acontece quando nós mantemos nossos olhos fechados sob uma venda por um longo tempo.

oshoEm primeiro lugar, sua mente e seu corpo não são duas coisas no que se refere ao tantra. Lembre-se disso sempre. Não diga “processo fisiológico” e “processo mental”. Eles não são dois - simplesmente duas partes de um lodo. Tudo o que você faz fisiologicamente, afeta a mente. Tudo o que você faz psicologicamente, afeta o corpo. Eles não são dois, eles são um.

Você pode dizer que o corpo é um estado sólido da mesma energia e a mente é um estado líquido da mesma energia. Então, não importa o que você esteja fazendo fisiologicamente, não pense que é apenas fisiológico. Não se pergunte como isso irá ajudar alguma transformação na mente. Se você toma álcool, o que acontece à sua mente?
O álcool é tomado no corpo, não na mente, mas o que acontece à mente? Se você toma LSD, ele vai para o corpo, não para a mente, mas o que acontece à mente?

Ou se você faz um jejum, o jejum é feito pelo corpo, mas o que acontece à mente? Ou outro extremo: se você tem pensamentos sexuais, o que acontece ao seu corpo? O corpo é afetado imediatamente. Você pensa na mente em um objeto sexual e seu corpo começa a ficar pronto.

Há uma teoria de William James. Na primeira parte deste século, ela aparentemente parecia muito absurda, mas em um certo sentido ela está certa. Ele e outro cientista chamado Lange propuseram essa teoria que é conhecida como teoria James-Lange. Comumente, nós dizemos que você está com medo e por isso você foge e sai correndo, ou você está com raiva e por isso seus olhos ficam vermelhos e você começa a bater em seu inimigo.

Mas James e Lange propuseram exatamente o contrário. Eles disseram que, porque você corre, por isso você sente medo; e porque seus olhos ficam vermelhos e você começa a bater em seu inimigo, você sente raiva. É exatamente o oposto. Eles diziam que se não fosse assim, então, nós queremos ver ao menos um instante de raiva, quando os olhos não estão vermelhos e o corpo não está afetado e a pessoa está simplesmente com raiva. Não permita que seu corpo seja afetado e tente ficar com raiva — então, você saberá que não pode ficar com raiva.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A única maneira de não ter medo é aceitar o medo

oshoPerguntaram a Osho:

O medo e a culpa são a mesma coisa? Assim como a luz ilumina a escuridão, Jesus deve ter deixado as pessoas conscientes de sua culpa.

O medo e a culpa não são a mesma coisa. O medo aceito se transforma em liberdade; o medo negado, rejeitado, condenado, transforma-se em culpa. Se você aceitar o medo como parte da situação...

Ele é parte da situação. O homem é uma parte, uma parte muito pequena, minúscula e o todo é amplo: uma gota, uma gotícula, e o todo é o oceano inteiro. Um medo surge: “Posso me perder no todo; minha identidade pode se perder.” Esse é o medo da morte. Todo medo é o medo da morte. E o medo da morte é o medo da aniquilação.

É natural que o homem seja assustado, temeroso. Se você o aceitar, se disser que a vida é assim, se o aceitar totalmente, o temor para imediatamente e o medo - a mesma energia que estava se transformando em medo - retrocede e se transforma em liberdade. Então você percebe que, mesmo que a gota desapareça no oceano, ela estará lá. Na verdade, ela se tornará o oceano inteiro. E então, a morte se transforma em nirvana, e você não tem medo de se perder. E entende a frase de Jesus: “Se salvar sua vida, irá perdê-la, e se perdê-la, irá salvá-la.”

A única maneira de superar a morte é aceitar a morte. E então, ela desaparecerá. A única maneira de não ter medo é aceitar o medo. Assim, a energia é liberada e transformada em liberdade. Mas se você o condena, se o reprime, se esconde o fato de estar com medo - se você usa uma armadura para se proteger e ser defensivo - então surge a culpa.

sábado, 9 de novembro de 2013

Nenhum objetivo, nenhuma técnica

oshoToda técnica é contra a natureza, contra o Tao; todo esforço é contra o Tao. Se você conseguir deixar tudo por conta da natureza, então nenhuma técnica é necessária, porque essa é a técnica suprema. Se você conseguir deixar tudo por conta do Tao, essa é a mais profunda entrega possível. Você está entregando a si mesmo, o seu futuro, as suas possibilidades, está entregando o próprio tempo, todos os esforços. Isso significa paciência e espera infinitas.

Depois que você entregar tudo à natureza, não há esforço, você apenas flui; você está num profundo estado de deixar acontecer. Coisas lhe acontecem, mas você não está fazendo nenhum esforço para que elas aconteçam, não está nem mesmo procurando-as. Se elas acontecerem, tudo bem; se não acontecerem, tudo bem; você não escolhe. Tudo o que acontece, acontece; você não tem expectativas e, é claro, nenhuma frustração.

A vida flui e você flui com ela. Você não tem nenhum objetivo a alcançar, porque com o objetivo entra o esforço. Você não tem nenhum lugar para ir, porque, se tiver algum lugar para ir, o esforço virá; ele está implícito. Você não tem nenhum lugar para ir, nenhum lugar para alcançar, nenhum objetivo, nenhum ideal; nada precisa ser atingido, você entrega tudo, e, nesse momento de entrega, nesse exato momento, tudo lhe acontece.

O esforço requer tempo, a entrega não leva tempo; técnica leva tempo, a entrega não leva tempo. É por isso que chamo a entrega de técnica suprema; ela é uma não-técnica. Você não pode praticá-la, não se pode praticar a entrega. Se você praticar, ela não é entrega; então você está contando consigo mesmo e não está totalmente impotente; então você está tentando fazer alguma coisa. Mesmo se for entrega, você está tentando fazê-la, e a técnica entrará em cena e, com a ela, entra o tempo, o futuro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Aquele que conheceu a si mesmo

oshoLembre-se de uma coisa: Krishna, Buda, Cristo — não são nomes de certas pessoas. Eles denotam um certo estado, o mesmo estado.

Cristo significa aquele que conheceu a si mesmo e, através desta realização, conheceu o todo; aquele que chegou em casa, aquele que pode dizer “Eu sou Deus”.

O significado de Buda, ou Jaina, ou Krishna é o mesmo.

Osho, em "O Caminho do Amor – Discursos Sobre as Canções de Kabir".
Publicado no blog palavras de Osho

sábado, 2 de novembro de 2013

Só uma pessoa rebelde é realmente revolucionária

Perguntaram a Osho:

Você pode falar mais um pouco sobre as qualidades de um rebelde? É a mesma coisa que o “novo ser humano”?

oshoAs qualidades do rebelde são multidimensionais. Primeiro, o rebelde não acredita em nada a não ser na própria experiência. A verdade de­le é sua única verdade; nenhum profeta, nenhum messias, nenhum salvador, nenhuma santa escritura, nenhuma tradição antiga pode lhe dar a verdade. Eles podem falar sobre a verdade, podem fazer muito estardalhaço sobre a verdade, mas saber sobre a verdade não é co­nhecer a verdade. Saber sobre a verdade é o mesmo que tecer comen­tários em torno dela. Mas quem fica em torno nunca chega ao centro.

O rebelde não tem sistema de crença - crente ou ateu, hindu ou cristão. Ele é um investigador, um buscador. Mas é preciso entender algo bastante sutil: o rebelde não é um egoísta. O egoísta também não quer pertencer a nenhuma igreja, a nenhuma ideologia, a nenhum sis­tema de crença, mas a razão para ele não querer pertencer é comple­tamente diferente da razão do rebelde. O egoísta não quer pertencer porque pensa demais em si mesmo. Ele é egocêntrico; só consegue fi­car sozinho.

O rebelde não é egoísta, é totalmente inocente. A sua descrença não é uma atitude arrogante, mas uma abordagem humilde. Ele está simplesmente dizendo, “A menos que eu encontre a minha própria verdade, todas as verdades que emprestei dos outros são como um far­do para mim, elas não vão me libertar. Posso me tornar uma pessoa instruída, mas não conhecerei nada com o meu próprio ser. Não serei testemunha de nenhuma experiência”.

O rebelde não pertence a nenhuma igreja, a nenhuma organização, porque não quer ser apenas um imitador. Ele quer permanecer puro e imaculado para que possa buscar sem nenhum preconceito, de modo que possa permanecer aberto e sem nenhuma ideia preconcebida. Mas toda a abordagem é de uma pessoa humilde.

Um rebelde respeita sua própria independência e também res­peita a independência de todas as outras pessoas. Ele respeita a sua própria divindade e respeita a divindade de todo o universo. Todo o universo é seu templo - é por isso que ele abandonou os pequenos templos feitos pelo homem. Todo o universo são suas sagradas escri­turas - é por isso que ele abandonou todas as sagradas estruturas es­critas pelo homem. Mas não é por arrogância, é para empreender uma humilde busca. O rebelde é tão inocente quanto uma criança.