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domingo, 4 de março de 2012

Daniela Mercury vai a programa de TV com peça produzida por detentos mineiros

Credito Célia Santos - TV Bahia Globo (1)A cantora Daniela Mercury apareceu mais uma vez vestindo peça produzida por detentos da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, de Juiz de Fora. A artista foi a um programa da TV Bahia, afiliada da Rede Globo, usando um vestido roxo da marca Doisélles, que coordena a produção de peças com a parceria do presídio.

No dia 14 de fevereiro, Daniela já havia concedido entrevista coletiva sobre o Carnaval 2012 usando um outro modelo fabricado pelos detentos, um vestido vermelho, de crochê, que ajudou a compor figurino de Dona Flor, personagem do escritor Jorge Amado, que faria 100 anos em 2012 e foi homenageado pela cantora durante os dias de folia.

Credito Célia Santos - TV Bahia Globo (2)Além da artista, a apresentadora Angélica também já usou modelo produzido pelos detentos durante programa da TV Globo. A socialite Beth Szafir também adquiriu peças da marca, que mantém um showroom em São Paulo, está presente em 70 lojas multimarcas em todo o Brasil e participa, constantemente, de feiras em Paris e Tóquio.

Os modelos também já apareceram em campanhas publicitárias e todas as peças, sem exceção, trazem uma etiqueta que identifica o trabalho social realizado pela penitenciária estadual e a empresa Doisélles.

Ressocialização de detentos

Os detentos se dedicam oito horas por dia à produção da marca, criada pela empresária mineira Raquell Guimarães, que teve a ideia de buscar mão de obra na prisão, já que não conseguia no mercado. “Normalmente quem realiza esse tipo de trabalho são pessoas mais idosas, senhoras, que não conseguiam se dedicar como precisávamos. Então pensei nessa parceria, mas imaginei mulheres. Quem sugeriu que fossem os homens foi a diretora do presídio”, conta a empresária.

Ândria Valéria Andries Pinto é quem comanda a penitenciária e apostou nos detentos. “Falei com ela que em dez dias a gente ia conseguir provar que eles eram capazes. E deu tão certo que eles até já criaram um modelo”, revela. Os detentos realizam o trabalho desde 2009, quando foram capacitados e aprenderam o ofício.

Pelo trabalho, os presos recebem remição de pena - a cada três dias trabalhados, um a menos no cumprimento da sentença – e remuneração por peça produzida. O principal retorno, no entanto, não pode ser contabilizado: é a oportunidade de começar uma vida nova, ainda dentro dos presídios e penitenciárias.

Camila Moura (Segov)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mulheres ricas

Por Nélio Azevedo

O programa sobre mulheres milionárias brasileiras, apresentado na Band no início da semana (02/01/2012), é uma verdadeira ofensa aos não ricos desse país. O programa apresentou flashes do cotidiano delas, uma coletânea de futilidades e baboseiras dignas de uma comédia pastelão americana.

A socialite carioca Narcisa Tamboridegui que já é uma antiga conhecida desse ramo juntamente com uma loura descerebrada gastam seus mimos e afagos uma com a outra se vangloriando do tanto que é bom ser rico e dos prazeres que a dinheirama proporciona. As duas nasceram ricas e, provavelmente, nunca tiveram que trabalhar nem sabem que as pessoas são pobres ou ricas por opção nem por pré-destinação; o são por contingências que as levaram às situações de cada um.

Num mundo onde a riqueza é sempre fruto da usurpação, apropriação ou roubo, menos pelo próprio trabalho honesto e digno, soou muito mal ver toda aquela gastança para aplacar a TPM ou simplesmente o exercício do desfrute gratuito e idiota delas. Uma delas vai a uma feira da aviação e compra um jatinho por 30 milhões (ela tinha outro) como alguém compra um par de sapatos, somente para atender ao ego e satisfazer seus desejos de ir às compras em Paris sem ter que fazer escalas. Depois, para fechar o desplante, acham que os ricos são necessários porque compram muito e esse dinheiro circulando, proporciona mais empregos e gira a roda da fortuna. Todas essas encenações acompanhadas de expressões em inglês, se achando linda repetindo à exaustão os “Hello” e Darling, igualzinho um papagaio ou Mico de Realejo.

Outra coisa muito comum nesse meio e que vem sendo copiada por pessoas de outras classes sociais é a esquisita mania de tratar cães e gatos de estimação como se fossem filhos, como se fossem pessoas; o que sempre leva ao mais estranho costume de tratar pessoas como se fossem animais. Minha consciência socialista não me deixa concordar com um absurdo desse e não pensem que eu sou contra a riqueza, sou contra a pobreza e a favor de uma divisão mais justa dela; menos exploração do trabalho alheio e menos poder para o capital.

Não sei o que a Band pretendia com esse programa, se era expor essas pessoas ao ridículo ou nos brindar com esse descalabro, seja lá o que for, me deixou vexado e, tenho uma sugestão para um próximo programa, mostrar a miséria dos brasileiros que lutam dia-a-dia para conquistar o duro pão que o diabo amassou para alimentar as bocas famintas da prole que irá substituí-lo no futuro, já que a única herança que irão receber será a pobreza material, que nem de longe é pior do que a pobreza de espírito.