Mostrando postagens com marcador futilidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador futilidades. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mulheres ricas

Por Nélio Azevedo

O programa sobre mulheres milionárias brasileiras, apresentado na Band no início da semana (02/01/2012), é uma verdadeira ofensa aos não ricos desse país. O programa apresentou flashes do cotidiano delas, uma coletânea de futilidades e baboseiras dignas de uma comédia pastelão americana.

A socialite carioca Narcisa Tamboridegui que já é uma antiga conhecida desse ramo juntamente com uma loura descerebrada gastam seus mimos e afagos uma com a outra se vangloriando do tanto que é bom ser rico e dos prazeres que a dinheirama proporciona. As duas nasceram ricas e, provavelmente, nunca tiveram que trabalhar nem sabem que as pessoas são pobres ou ricas por opção nem por pré-destinação; o são por contingências que as levaram às situações de cada um.

Num mundo onde a riqueza é sempre fruto da usurpação, apropriação ou roubo, menos pelo próprio trabalho honesto e digno, soou muito mal ver toda aquela gastança para aplacar a TPM ou simplesmente o exercício do desfrute gratuito e idiota delas. Uma delas vai a uma feira da aviação e compra um jatinho por 30 milhões (ela tinha outro) como alguém compra um par de sapatos, somente para atender ao ego e satisfazer seus desejos de ir às compras em Paris sem ter que fazer escalas. Depois, para fechar o desplante, acham que os ricos são necessários porque compram muito e esse dinheiro circulando, proporciona mais empregos e gira a roda da fortuna. Todas essas encenações acompanhadas de expressões em inglês, se achando linda repetindo à exaustão os “Hello” e Darling, igualzinho um papagaio ou Mico de Realejo.

Outra coisa muito comum nesse meio e que vem sendo copiada por pessoas de outras classes sociais é a esquisita mania de tratar cães e gatos de estimação como se fossem filhos, como se fossem pessoas; o que sempre leva ao mais estranho costume de tratar pessoas como se fossem animais. Minha consciência socialista não me deixa concordar com um absurdo desse e não pensem que eu sou contra a riqueza, sou contra a pobreza e a favor de uma divisão mais justa dela; menos exploração do trabalho alheio e menos poder para o capital.

Não sei o que a Band pretendia com esse programa, se era expor essas pessoas ao ridículo ou nos brindar com esse descalabro, seja lá o que for, me deixou vexado e, tenho uma sugestão para um próximo programa, mostrar a miséria dos brasileiros que lutam dia-a-dia para conquistar o duro pão que o diabo amassou para alimentar as bocas famintas da prole que irá substituí-lo no futuro, já que a única herança que irão receber será a pobreza material, que nem de longe é pior do que a pobreza de espírito.