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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Governo de Minas amplia a oferta de cursos técnicos e de qualificação na Zona da Mata

Os jovens de Minas Gerais, estudantes do ensino médio da rede pública, terão mais oportunidades para fazer um curso técnico ou de qualificação profissional. Isto porque o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Educação (SEE), fechou parceria com o Ministério da Educação (MEC) para ampliar a oferta desses tipos de cursos no estado. A partir de 2012, cerca de 35 mil vagas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Governo Federal, estarão à disposição dos alunos do ensino médio da rede pública de Minas Gerais em 82 municípios. Na Zona da Mata serão beneficiados seis municípios: Cataguases, Juiz de Fora, Muriaé, Ponte Nova, São João Nepomuceno e Ubá.

Serão oferecidas vagas nos cursos de qualificação profissional, cuja carga horária varia entre 160 e 400 horas. Entre os cursos ofertados nesta modalidade estão o de agente comunitário de saúde, soldador, padeiro, eletricista, entre outros. Além dos cursos de qualificação, serão disponibilizadas vagas nos cursos técnicos, que têm carga horária mínima de 800 horas. Nesta categoria estão os cursos de técnico em mecânica, edificações, química, segurança do trabalho, entre outros. Os cursos são gratuitos e a previsão é de que a primeira turma comece em março de 2012.

As aulas serão realizadas nas escolas do Sistema S (Senai e Senac), pelos Institutos Federais e pelas unidades do Sistema Federal de Educação Profissional. Os cursos ofertados serão escolhidos de acordo com a disponibilidade de vagas e localização dessas instituições, ficando a cargo da SEE a adoção dos critérios de seleção dos estudantes e de toda a gestão do programa.

A iniciativa veio se somar às ações já desenvolvidas pelo Governo de Minas por meio do Programa de Educação Profissional (PEP). Com a parceria firmada entre a SEE e o MEC, o número de oportunidades para que os jovens estudantes do ensino médio façam um curso técnico e de qualificação profissional irá dobrar em 2012. Com as 30 mil vagas do PEP e as 35 mil vagas pactuadas com o MEC, serão ofertadas cerca de 65 mil vagas aos estudantes mineiros.

As vagas dos cursos técnicos e de qualificação profissional serão oferecidas nas cidades em que existem escolas do Senai e do Senac, dos Institutos Federais ou do Sistema Federal de Educação Profissional credenciadas pelo MEC. Os municípios inicialmente atendidos, além dos da Zona da Mata, serão: Almenara, Araçuaí, Araguari, Araxá, Arcos, Arinos, Bambuí, Barão de Cocais, Barbacena, Barroso, Belo Horizonte, Betim, Cláudio, Congonhas, Contagem, Coromandel, Coronel Fabriciano, Conselheiro Lafaiete, Curvelo, Diamantina, Divinópolis, Extrema, Formiga, Florestal, Governador Valadares, Guaxupé, Ibirité, Inconfidentes, Ipatinga, Itabira, Itajubá, Itaúna, Ituiutaba, Januária, João Monlevade, Lavras, Machado, Mariana, Manhuaçu, Matozinhos, Montes Claros, Muzambinho, Nova Lima, Nova Serrana, Ouro Branco, Ouro Preto, Paracatu, Pará de Minas, Passos, Patos de Minas, Patrocínio, Pedro Leopoldo, Pirapora, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Ribeirão das Neves, Santo Antônio do Monte, Sabará, Santa Rita do Sapucaí, São Gonçalo do Rio Abaixo, São Gonçalo do Sapucaí, Santa Luzia, Salinas, São João Del Rei, São João Evangelista, Sete Lagoas, Três Marias, Três Corações, Teófilo Otoni, Tiradentes, Uberaba, Uberlândia, Varginha, Várzea da Palma, Vazante e Vespasiano.

Educação à distância

Outra iniciativa importante da SEE é a implantação dos cursos técnicos a distância. Para isso, a secretaria aderiu, junto ao MEC, ao Programa Escola Técnica Aberta do Brasil (e-TEC). Esta tecnologia tem como objetivo expandir e tornar mais acessível aos jovens a oportunidade de fazer um curso de qualificação, contribuindo para a inclusão social. A expectativa é de que os cursos desta modalidade sejam oferecidos pela SEE ainda no 1º semestre de 2012.

Programa de Educação Profissional

O Governo de Minas criou, em 2007, o Programa de Educação Profissional (PEP), que oferece oportunidade de capacitação profissional gratuita aos jovens mineiros. Em 2012 o PEP vai oferecer 30 mil vagas em 60 diferentes cursos em todas as regiões do estado. A prova de seleção dos interessados ocorreu em novembro e a relação dos aprovados será divulgada no dia 16 de dezembro. Desde a sua implantação, o programa ultrapassa a marca de 200 mil estudantes atendidos.

Pronatec

O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), ação do Governo Federal, tem como objetivo expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos técnicos e de qualificação profissional para jovens do ensino médio e trabalhadores. Além disso, o Pronatec visa a ampliação de vagas e expansão das redes estaduais de educação profissional, com oferta de cursos gratuitos pelo MEC.

Camila Vaz de Moura (Segov)

sábado, 18 de junho de 2011

Inculta e bela

P. PERINI-SANTOS E B. VIANNA
Doutores em linguística (UFMG)

Publicado no Jornal OTEMPO em 16/06/2011

Linguistas por formação e ofício, sentimo-nos no dever de comentar sobre os ditos erros no livro de português que o MEC avalizou. Vamos explicar de forma simples para que o Clóvis Rossi, o Merval Pereira, o Arnaldo Jabor, a Viviane Mosé, o Milton Jung, o Alexandre Garcia, o Carlos Monforte, o Reinaldo Azevedo e o Cristovam Buarque entendam.

O livro "Para uma Vida Melhor" fala sobre algo que acontece em todo país: as pessoas são julgadas pelo jeito como falam. Isso se chama preconceito linguístico e tem consequências graves.

Vítimas de preconceito linguístico, muitas pessoas deixam a escola, abandonam consultas médicas e reivindicações trabalhistas e não conversam com os filhos e colegas de trabalho.

Quando nos sentimos constrangidos pela fala, nos calamos e sofremos com isso. O termo "norma culta" é tão absurdo quanto falar de "bairros nobres" por supor o oposto e, a esse oposto, atribuir valores negativos.

Nada mais sendo variável (um problema neurológico ou emocional extremo), todo jovem aprende a variante linguística de sua família e comunidade. Esse é um fato linguístico. E escrita não é língua, mas um sistema normatizado de codificação que abarca uma ou mais variantes da língua.

A escrita difere da língua falada nos mais variados aspectos, inclusive da variante padrão.

A escola deve ensinar aos alunos um padrão normativo nacional, mas não há como um linguista sensato falar que erros de concordância (como "os bicho") sejam ataques à gramática da língua portuguesa do Brasil. Isso é uma ocorrência linguística que faz parte do nosso uso corriqueiro.

O resultado educacional do preconceito linguístico aí está: crianças aprendendo que sua família e amigos "falam errado", o que gera problemas para a vida toda. Considerar a fala espontânea, as variações regionais e pessoais é o melhor caminho para amadurecer o uso do texto escrito e oral. As pessoas já se expressam bem, e os desafios escolares são ajudar os alunos a utilizar a variante padrão no contexto adequado, adequar o texto oral à forma escrita, aprender a interpretar e argumentar a partir da leitura dos textos e amadurecer a consciência de que a gente deve se expressar do jeito apropriado à situação comunicativa que se vive.

Manifestações gramaticais prescritivas, como as que ocorreram na mídia, geram agressividade e aumentam a arrogância com que tratamos as pessoas que se desviam do modelo padrão. Uma simples pitada de diferença no uso da fala, citada no livro, justificou uma violência verbal de dimensões histéricas.

Os intelectuais que nomeamos acima não entendem bulhufas de linguística. Erram na terminologia técnica e na interpretação do texto do livro, não conhecem a literatura científica, distorcem informações e não têm formação apropriada para falar sobre o tema. As consequências de sua fala são graves, pois eles são formadores de opinião. Além de errada, a opinião por eles divulgada é nociva.

Sugestão de Nélio Azevedo

quinta-feira, 2 de junho de 2011

MEC suspende 11 mil vagas em cursos de direito mal avaliados e Faculdades da região estão incluídas

O Ministério da Educação suspendeu cerca de 11 mil vagas de 136 cursos de direito que tiveram resultados insatisfatórios em avaliações da pasta. A medida, publicada no "Diário Oficial da União" desta quinta-feira, que receberam notas 1 e 2, em uma escala de 1 a 5, no CPC (Conceito Preliminar de Curso).

Na relação do MEC as faculdades das cidades de Caratinga (FIC),Viçosa (ESUV) e Ipatinga (UNIPAC) estão incluídas, somando 480 vagas canceladas.

Veja a relação de cursos atingidos

O CPC leva em conta indicadores como a titulação dos professores e a nota dos alunos no Enade 2009, exame federal que avalia os universitários. Os resultados 1 e 2 são considerados insatisfatórios, o 3 razoável e o 4 e o 5 bons.

O corte de vagas ficou entre 15% e 65% do total oferecido pelas instituições --quanto pior a nota, maior a redução. O entendimento é de que esses cursos não têm estrutura para receber o número de alunos que estava autorizado anteriormente.

A medida vale para o próximo processo seletivo. Os alunos já matriculados não são afetados. As instituições atingidas podem recorrer ao MEC nos próximos 30 dias.

É a segunda vez que o ministério determina a redução do número de alunos em cursos de direito mal avaliados. Em 2007, o processo de supervisão resultou no fechamento de 24 mil vagas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Polêmica ou ignorância?

Marcos Bagno
Universidade de Brasília
www.marcosbagno.com.br

Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais
uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no
mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página
e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do
que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente
convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da
informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais
de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no
mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema
da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de
petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira
e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos
de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da
variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua
viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem
transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma
comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os
alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer
no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro,
com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas
mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu
modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é
apenas uma língua diferente daquela — devidamente fossilizada e conservada
em formol — que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo,
principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de
comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias
inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do
conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantados para as
colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua
em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de
conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam
eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em
perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e
entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o
branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e
por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do
macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se
originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não
interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido
como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha
obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da
candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse
ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais
distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados
em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais
vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não
significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade
linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao
mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola
ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso
repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”,
porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz
parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso
ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da
gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda
servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é
dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles — se
julgarem pertinente, adequado e necessário — possam vir a usá-la
TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores
não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assiti ao filme,
que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem
101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três
gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é
ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que
a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles
acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das
Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa
pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe
devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?

Baixe o 1º Capítulo do Livro AQUI