Numa análise de Klinger Sobreira de Almeida (Coronel da Reserva da Polícia Militar de Minas Gerais), reflitamos:
“Numa primeira análise de nosso trânsito, não só nas grandes cidades, mas também nas de porte pequeno e médio, o observador verificará que o cidadão não mais respeita espaços para estacionamento: os veículos ocupam as zonas proibidas (e não adianta a sinalização); sobem nos passeios, deixando os pedestres sem espaço; ignoram os canteiros centrais; colocam-se em fila dupla e até tripla. Por que tudo isso? O espaço das cidades é pequeno para atender a demanda cada vez mais crescente. Antigamente, ser proprietário de um carro era símbolo de status, hoje, não. O simples trabalhador, usando de crediário fácil ou dos acertos com o FGTS, tem acesso tranquilo ao carro usado ou mesmo novo. A classe média não se contenta com um só automóvel: o casal precisa de dois veículos, e não basta, é preciso um para cada filho que passa no vestibular; mas o edifício possui apenas duas garagens por morador, então, resolve-se o problema ocupando a rua, os dois lados, deixando-se um diminuto funil para a circulação, ou ocupa-se os passeios, as ilhas de pedestres, os canteiros centrais... É a ânsia de consumo desenfreada, atrelada ao egoísmo exacerbado, que não enxerga o direito do próximo”.