Por Lázaro Freire
Me emocionei com as falas do Papa e de Dilma no sentido de combater a DESIGUALDADE e de criticar modelos "econômicos" insensíveis onde o Estado não intervém a favor da população carente. Vaticano e governo tem pontos passíveis de críticas. Mas isso não importa nesse momento, trata-se de chefes de estado representando milhões e discutindo questões humanitárias e sociais de relevância mundial.
O papa tem tradição direitista e de apoio aos militares, e Dilma na época jogava no time contrário. Mas ISSO NÃO IMPORTA nesse momento e tópico. Não se trata de política, mas sim de COMBATE À DESIGUALDADE, algo com que TODOS [c̶o̶n̶c̶o̶r̶d̶a̶m̶] deveriam concordar. Trata-se do discernimento que devemos ter contra ideologias e políticas que promovam a meritocracia e o Estado-Zero - pelo risco de, na prática, favorecermos os mais poderosos - enquanto nossa insensibilidade à dor alheia é comprada com alguns iPhones ou programas de milhagem.
O papa é católico e costuma ser aclamado, Dilma parece laica ou agnóstica e costuma ser vaiada. Mas ISSO NÃO IMPORTA aqui, não se trata de religião ou popularidade, mas sim de COMBATE à DESIGUALDADE. E desigualdade só interessa aos que se beneficiam da miséria alheia.
Numa cultura sem redistribuição de impostos, sem (nenhuma) intervenção do Estado - na economia, na saúde, na educação - o que fazemos é dizer aos (muito) mais fracos que "cada um" deve se haver "com seus problemas". É retornar aos poucos à lei da selva, é rasgar aos poucos o contrato social que nos mantém minimamente humanos e civilizados, é retornar ao Estado de Natureza - no mau sentido Hobbesiano do termo - sem possibilidade de um Leviatã. É cruzamos os braços à dor, fome e doença alheia, mais interessados que estamos nos benefícios à nossa classe social, [à̶ ̶r̶e̶s̶e̶r̶v̶a̶ ̶d̶e̶ ̶m̶e̶r̶c̶a̶d̶o̶ ̶c̶o̶r̶p̶o̶r̶a̶t̶i̶v̶i̶s̶t̶a̶ ̶d̶e̶ ̶n̶o̶s̶s̶a̶ ̶p̶r̶o̶f̶i̶s̶s̶ã̶o̶] ao nosso partido favorito, à nossa causa em particular - [e̶ ̶o̶ ̶p̶o̶v̶o̶ ̶q̶u̶e̶ ̶s̶e̶ ̶d̶a̶n̶e̶] em detrimento da população.
Nisso, ambos concordam, o Papa e Dilma. Desavenças políticas, críticas, erros e acusações são normais na política de qualquer país. Não quero discutir aqui se os Democratas ou os Republicanos roubam mais, se somos Corinthians ou Palmeiras, ARENA ou MDB. Mas o que mais me [d̶á̶ ̶v̶o̶n̶t̶a̶d̶e̶ ̶d̶e̶ ̶v̶o̶m̶i̶t̶a̶r̶] INCOMODA é uma larga parcela da sociedade mais favorecida - e da imprensa, e das redes sociais - que ataca o governo não tanto pela política em si, mas no fundo por NÃO SUPORTAR INCLUSÃO SOCIAL:
- Gente que não tem tradição política, mas que vem às redes para dizer, "brincando", que "Odeia pobre" (se espelhando em fotos de Caco Antibes).
- Gente que diz gostar de Jesus Cristo, mas convenientemente "rasga" as muitas páginas do Evangelho sobre igualdade social.
- Gente que ri ou agride quando o pobre usa algo da mesma marca que a dele.