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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Considerações sobre o Bolsa Família

Por Nélio Azevedo

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Ouvindo, lendo e assistindo as notícias sobre boato do fim do Bolsa Família e de suas consequências, fiquei muito impressionado com alguns comentários a esse respeito. No Jornal O Tempo várias pessoas teceram comentários agressivos e que demonstram total desinformação a respeito do benefício.

Uns reclamavam da aparência física das pessoas que estavam nas aglomerações nas agências da Caixa, imaginavam que somente deficientes, doentes e fracas teriam direito ao benefício, pensam que a bolsa é uma espécie de salário. Não sabem que muitas famílias recebem essa ajuda, chamada de esmola por alguns, tem pessoas que trabalham e que o critério para ter acesso à ela é a renda per capta da família. Outro perguntava porque não oferecem trabalho para aquelas pessoas, como se tivesse vaga para todos e não houvesse desemprego nenhum no país e, tivesse essa oferta em todos os lugares, inclusive onde ela é mais utilizada, nas regiões norte e nordeste, onde a oferta de emprego sempre foi um problema sério por não haver investimentos ao longo da história desse país, são as regiões mais pobres e menos industrializadas.

Só na última década é que os governantes resolveram investir nelas, criando um fenômeno que é o inverso do se conhecia, migração de pessoas do sudeste e de outras regiões para o nordeste em busca de emprego. Essa região tem sido tratada como um apêndice indesejável, poço sem fundo de verbas governamentais em nome de combater fenômenos como o da seca e pobreza endêmica, mas se esquecem de que vieram de lá as mãos que construíram o progresso de grandes centros como São Paulo, berço de intolerância e preconceito ao valoroso povo nordestino.

Nos últimos anos, 1,6 milhão de pessoas devolveram espontaneamente seus cartões do Bolsa Família por não mais precisar dele, por ter conseguido aumentar a renda familiar com o salário, mas ainda são 13 milhões de famílias que contam com esse acréscimo na sua renda para oferecer um pouco de dignidade aos seus filhos; esse contingente é maior do que a população de muitos países.

Infelizmente, temos ainda no país uma quantidade enorme de pessoas que vivem na miséria, eram mais de 30 milhões há 10 anos, isso nunca incomodou essa gente que acha que estão tirando da classe média e dando para os pobres, que os pobres são pobres porque não trabalham nem querem trabalhar e outras formas de ver o problema que só é bom para quem o vê de longe, longe da porta de sua casa.

Acho que a Ministra tem razão de culpar a desesperada oposição, afinal essas duas regiões é justamente onde o PT tem mais votos e, como falar em inflação e crescimento ínfimo não está dando certo, sobra o quê? Depois, se não foram os tucanos, seria o próprio PT como sugere o leitor Leônidas Marques, com uma prática comum na tucanada, um belo tiro no próprio pé.

San Tiago Dantas tinha razão quando afirmava que o Brasil ao contrário da Índia tinha um grande povo e uma elite de bosta, uma elite que pensa que o país é só deles e se sente muito bem e rico se estiver rodeado de pobreza.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A pobreza da riqueza

Por Cristóvam Buarque

"Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, sequestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranquilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.

Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam frequentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Riqueza x Pobreza

Por Nélio Azevedo



No ano de 2001 eu estava na faculdade e o meu professor de Política, Marco Cepik, foi substituído, pois, aceitara o convite para fazer parte de um seleto grupo de pessoas escolhidas pelo Congresso dos Estados Unidos para fazer um curso e se tornar uma espécie de reserva moral, intelectual e acadêmica para o caso do mundo, digo República e Democracia, ficarem em perigo de extinção.

Hoje lendo a coluna do Paul Krugman, no Jornal O Tempo, “Oligarquia estilo norte-americano”, eu fico preocupado e pensativo a respeito do tema. Segundo ele, toda a sociedade norte-americana está em perigo. O dito colunista, ganhador do Nobel de Economia em 2008, não iria dizer isso à toa. Vejamos alguns dados que estão incomodando os mais argutos jornalistas e intelectuais de lá, pela primeira vez na história daquele povo, mais da metade da população dos Estados Unidos é de classe média ou baixa, deixando de ser considerado um país de classe média como eles sempre diziam; também que de forma inédita, os filhos da maior parte da população irá ter uma vida pior do que a dos pais, o que não ocorrera nem nos difíceis tempos da crise de 29 nem na época da II Grande Guerra; que o emprego hoje é tão difícil para quem tem uma ou mais especialidades do que o é para quem não tem diploma de faculdade.

Aí vem o dado mais importante: a concentração de riqueza e renda se tornou mais concentrada nas mãos de uma minoria tão ínfima que põe em cheque os dados do Gabinete de Orçamento do Congresso e o que a mídia noticia ou tenta desmentir, como os dados colocados pelo movimento “Occupy Wall Street”. A renda desse seleto grupo cresceu mais de 400% de 1997 a 2007. Já imaginaram o que é 1% deter em suas mãos mais renda do que 80% da população do país e, que 70% dessa riqueza que está nas mãos de 1% da população?

Quando escuto que o Brasil é o país com uma das piores distribuições de renda do mundo fico preocupado, pois, faço parte dessa população, só que, essa disparidade vista aqui em Pindorama não afeta em quase nada o andar da carruagem que conduz a economia mundial; já eles, que consomem 40% de tudo que é produzido no mundo, se não recuperarem a economia nem derem conta de sair desse atoleiro em que se meteram, se eles não suportarem a concorrência chinesa dentro dos seus domínios, o mundo todo tá ferrado. Aí, tchau Cepik.

O que as pessoas não querem admitir é que está estabelecida uma guerra da Riqueza contra a Pobreza, dão nomes diversos a esse fato, Guerra Santa, Jihad Islâmico, Muito Educados contra os Sem-educação ou qualquer nome que quiserem; o fato é que um país que cria um déficit na economia dele de 4 trilhões de dólares para sustentar uma estúpida guerra contra Iraque e Afeganistão, não me deixa mentir. Agora o mundo todo paga pela insanidade do Bush e sua camarilha, o que me deixa com vontade de acreditar naquele reporte norte-americano que afirma que o atentado de 11 de setembro foi uma farsa e, me deixa com uma vontade maior ainda de acreditar na existência do Diabo.