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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A coluna inútil daquele maconheiro

Por GREGORIO DUVIVIER
Jornal Folha de São Paulo


Venho por meio desta carta pedir que o jornal explique por que é que a maconha não pode ser legalizada

Cara Folha de S.Paulo,

Como vocês sabem, os jovens (e o FHC) estão querendo legalizar a erva. Eu, que nunca fumei nem pretendo fumar, mas sei que ela é danosa, pois só quem fuma é marginal, venho por meio desta carta pedir que o jornal explique ao leitor jovem (e para o FHC) por que é que ela não pode ser legalizada. Para ajudá-los, recolhi alguns argumentos entre meus amigos do clube militar.

1. Se legalizar, vai virar moda. Nos países em que a ditadura gay venceu e as feministas legalizaram o aborto, as pessoas passaram a abortar só para se enturmar. Resultado: os países foram dizimados e hoje em dia nem existem mais.

2. Se legalizar, os jovens que atualmente trabalham no ramo do tráfico de drogas vão ficar desempregados. As ruas vão ser tomadas por jovens roubando, matando e estuprando para sobreviver.

3. A maconha impede os jovens de serem violentos quando eles precisam ser. Enquanto a cocaína os torna mais ativos, a maconha os deixa lesos, uma presa fácil para assaltos e estupros. A legalização da maconha vai gerar uma juventude muito facilmente estuprável.

4. Maconha é crime. Como é proibida, é através dela que os jovens entram no mundo do crime. Sim, se ela for legalizada, o argumento muda. Mas como não é, é melhor não legalizar, porque é crime.

5. Maconha é uma droga tradicionalmente cultivada por negros. Não é à toa que bastou os Estados Unidos terem um presidente mulato para afrouxarem em relação à erva. Liberar a maconha equivale a oficializar que vivemos numa negrocracia, não bastasse o pagode, o funk e aquele programa da Regina Casé.

6. Maconha gera a famosa "larica", fenômeno que faz com que o jovem coma qualquer coisa, comestível ou não, que ele veja à sua frente. O que é que isso gera? Obesidade, indigestão e mortes por engasgamento.

7. A qualidade da maconha vai melhorar e vão começar a surgir sommeliers de beque, pessoas que vão achar na erva sabores que só eles sentem. "Esse baseado tem notas de baunilha". Ou então: "A melhor parte do soltinho da Bahia é o retrogosto". Não, por favor. Já bastam os enochatos. A sociedade não está pronta para o surgimento dos ervochatos.

Peço que a Folha me ajude nessa cruzada elucidativa a favor da família brasileira, de preferência publicando a minha carta no lugar da coluna inútil daquele maconheiro carioca (perdão pela redundância).

    sábado, 18 de fevereiro de 2012

    O medo do aborto

    Por Nélio Azevedo

    Quando eu era criança pequena em Raul Soares nos idos de 1950/60, iniciaram-se os debates acerca da implantação da Lei do Divórcio no Brasil, eu e meus colegas de escola pensávamos que ao ser aprovada a tal lei todos os casais seriam obrigados a se divorciarem e, quem o fizesse, estaria condenado ao mármore fervente das prefundas do inferno. A desinformação a respeito do tema foi de responsabilidade da Igreja católica, que não tendo costume de discutir certos assuntos, impôs sua ótica retrógrada à população, já que era hegemônica naquela época.

    Nos dias de hoje, ao ser nomeada para a Secretaria de Políticas Para as Mulheres, Eleonora Menicucci, virou o Judas a ser malhado antes do Sábado de Aleluia. O atraso das mentalidades reinantes nas cabeças daqueles que só veem vida no feto e nenhuma na mãe que sofre o aborto nas mãos de carniceiros de plantão, são os mesmos que gritam do plenário contra sua nomeação e pensam que o único assunto que se vai deliberar naquela pasta seja a questão do aborto.

    Quanto atraso, quanta ignorância escorada por crenças religiosas que não se aplica a todos, essa bancada evangélica deveria então, propor uma discussão mais ampla do assunto e não varrê-la para debaixo do tapete, criando um verdadeiro tabu em torno do tema que ninguém quer admitir sequer que exista a não ser nas páginas policiais e, que as consequências são os números absurdos de casos em que a mãe também morre vítima da falta de assistência médica adequada. Existem milhares de pessoas recorrendo ao aborto todos os anos no Brasil, e a hipocrisia é o anestésico que se usa nessa prática, só que ela é dada na população e nos governantes.

    Essas pessoas se negam a uma discussão em torno do problema de saúde que essa prática acarreta, só falam do pecado, do assassinato do feto e o resto da população que se dane se não veem o problema através do mesmo ponto de vista deles. O certo é que milhares de pessoas recorrem a essa pratica em clínicas clandestinas de norte a sul do país e poucas entidades oferecem algum esclarecimento a elas. Essa prática é fruto da falta de orientação e de uma política de saúde aliada a um controle de natalidade que ponha freio nessa prática.

    Não sou a favor de que a pratica de aborto seja usada como única solução contraceptiva ou de controle de natalidade, mas, alguma coisa melhor do que condenar ao fogo do inferno ou às mãos de pessoas inescrupulosas que utilizam métodos inapropriados e realizam o aborto a revelia da lei e do julgamento moral de quem quer que seja. O tema merece uma discussão mais ampla e que envolva o maior número de pessoas que representem de fato a sociedade, não uma meia dúzia de representantes de grupos religiosos, (ainda que fossem seiscentos), eles não podem falar por uma nação inteira, onde a liberdade religiosa permite a cada um acreditar no que quiser ou mesmo não acreditar em coisa alguma, só na lei que está acima de todos, inclusive das religiões.