Por Nélio Azevedo
Essa semana a indignação tomou conta do meu coração e do coração de milhares de brasileiros ao ver as imagens da ação policial no cumprimento de uma ordem judicial de integração de posse do terreno de mais de um milhão de metros quadrados, conhecida como Pinheirinho, onde se estabeleceram mais de 2.800 famílias, na cidade de São José dos Campos.
Senti muita revolta ao ver as famílias serem desalojadas com tanta insensatez e violência, alguns não puderam nem retirar seus pertences; crianças, velhos mulheres sob a mira de tiros de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.
Não questiono a ordem judicial, afinal estamos no tal Estado de direito onde a propriedade não pode ser questionada, entretanto, essa lei que protege a propriedade não protege as pessoas, essa lei só é presta para garantir os direitos dos ricos e poderosos, não serve para garantir o direito constitucional mais básico que é o de se ter uma moradia.
Também senti nojo ao ver o prefeito da referida cidade, Eduardo Cury, do PSDB, explicando que naquele momento, muito menos em outro, não estariam cuidando das pessoas desalojadas porque estavam envolvidos na operação acolhimento. Que acolhimento é aquele onde os abrigos não tinham água e as pessoas tinham que dormir amontoadas.
Depois, vem aquela nefasta figura fantasiada de governador justificar a ação policial e toda violência empregada dizendo que a lei tem que ser cumprida.
No Estado mais rico da Federação acontece uma barbaridade dessas e, olhe que o Ministério Público já moveu uma ação para investigar a ação de despejo que não ficou nada a dever aos desmandos das forças policiais empregadas para desalojar favelados do Rio de Janeiro nos idos anos 70, época em que não vivíamos no tal Estado de direito.
Vocês podem estar pensando, o que eu tenho com isso? Não foi comigo, não moro lá, não invadi terreno nenhum, isso é lá com eles. Engano seus, temos exemplos bem próximos em todo o Estado, basta se informar quanto aos contingentes humanos que são deslocados de suas propriedades a cada vez que se constrói uma barragem ou seja atingido por enchentes ou desmoronamentos, como ocorreram na Serra de Petrópolis e adjacências.
Será que essa lei poderia ser usada para resgatar o dinheiro desviado em todos os escândalos envolvendo os políticos? Será que essa lei pode ser usada para que se garantisse o mínimo de dignidade aos milhões de brasileiros menos favorecidos? Ou será que ela poderia ser usada para fazer com que fosse executada a reintegração de posse da vergonha-na-cara que foi tomada de milhões de brasileiros?
Tô querendo entrar em regime de desobediência civil, que nem Mahatma Gandhi.