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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Atingidos por Granada e Emboque encerram acampamento

mab_emboque2As famílias atingidas pelas barragens de Emboque e Granada, pertencentes à empresa canadense Brookfield, encerraram nesta terça-feira (27) o acampamento Silvio Ziquita iniciado no dia 20 de setembro. Foram sete dias de luta que permitiram o avanço na conquista da pauta local, que foi entregue à empresa na quinta-feira (22), e que fortaleceram a organização do Movimento dos Atingidos por Barragens na Zona de Mata de Minas Gerais.

Na segunda-feira (21), os acampados fizeram uma caminhada até Granada, distrito de Abre Campo. Na chegada, foram recepcionados por professores e estudantes da escola local que já os esperavam.

Depois, os acampados seguiram em marcha e ocuparam a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). “O tratamento de esgoto de Granada, que tem quase 200 casas, é uma vergonha. A ETE, que é fruto de uma parceria entre a empresa dona das barragens e a prefeitura de Abre Campo, não faz o tratamento adequado do esgoto, o que traz muitos problemas para a população local. Estamos aqui para denunciar isto”, afirmou Fernanda Oliveira Portes, da coordenação estadual do MAB. A construção de estações de tratamento de água e esgoto são uma pauta histórica dos atingidos da região e também foi apresentada à Brookfield na reunião realizada no acampamento

No dia 27, o Incra esteve no acampamento e cadastrou cerca de 50 famílias, o que animou os atingidos na luta pela terra.

Aproveitando a presença de dezenas de famílias, foi feita uma avaliação e o encerramento das atividades. Pablo Dias, também da coordenação estadual do MAB, avaliou positivamente o acampamento. “Nós vimos aqui que o povo ficou animado para continuar a organização, construir os grupos de base, fortalecer a coordenação local. Isto é muito importante. Nenhuma conquista virá por boa vontade de nenhuma empresa e sim pela organização popular. Mais uma vez o acampamento se mostrou um ótimo método de luta e de fortalecimento da organização”, afirmou.

Fonte: Movimento dos Atingidos por Barragens

sábado, 24 de setembro de 2011

Atingidos por Emboque e Granada apresentam pauta de reivindicações à Brookfield

Uma comissão com representantes das diversas comunidades atingidas pelas barragens de Emboque e Granada, construídas nos municípios de Raul Soares e Abre Campo, recebeu a empresa Brookfield, responsável pelas obras, no acampamento Silvio Ziquita, nessa quinta-feira (22). Os atingidos apresentaram suas demandas à empresa e denunciaram a forma como foram tratados ao longo dos 15 anos da existência das barragens.

Cada representante apresentou as demandas urgentes das localidades, como a construção de estação de tratamento de água e esgoto, de fossas sépticas, de pontes e recuperação de casas danificadas. Também foram apresentadas pendências como a recuperação de estradas que, na imensa maioria, são ruins e perigosas. O acesso às cidades de Raul Soares, Abre Campo e Matipó foi muito prejudicado depois da construção das barragens.

Projetos coletivos de geração de trabalho, emprego e renda permanentes também estavam na pauta entregue aos representantes da empresa.

Os representantes reafirmaram o conteúdo do relatório aprovado em novembro de 2010 pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, que constatou um padrão de violação dos direitos humanos na construção das duas barragens.

O diretor de meio ambiente da Brookfield, Antônio Fonseca, assumiu o compromisso de continuar o processo de negociação e afirmou que os erros cometidos pelas antigas donas das barragens, a Brascan e Cataguases Leopoldina, não serão repetidos. Foi marcada outra reunião no meio de outubro para o avanço das conversas e a constituição de um grupo de trabalho.

Durante a reunião, cerca de 200 atingidos da região se reuniram em uma assembleia popular no acampamento para acompanhar as negociações e protestar.

Thiago Alves, membro da coordenação estadual do MAB, avaliou positivamente a reunião, mas acredita, que para além de qualquer boa vontade, será a luta e a organização do povo que garantirão a vitória. “A conversa com a empresa foi animadora, mas não devemos ficar iludidos com boa vontade. O que vai garantir as conquistas será o avanço da organização dos atingidos e a construção coletiva das lutas populares como este acampamento. Foi por causa do acampamento Silvio Ziquita que a empresa esteve aqui” lembrou.

Haverá outra assembleia na segunda-feira (26) e na terça-feira (27) o INCRA irá ao acampamento cadastrar as dezenas de famílias atingidas sem terra que ainda esperam cadastramento na região.

Acampamento

O acampamento Silvio Ziquita, às margens do lago de Emboque, começou na terça-feira (20) e recebeu este nome em memória a um atingido que se enforcou devido à intensa pressão da empresa para abandonar a terra.

Um memorial foi construído no acampamento lembrando as dezenas de trabalhadores e trabalhadoras mortos diretamente ou indiretamente pelo processo de instalação das barragens.

Fonte: Blog da Amodig, com informações do MAB