13Caratinga (MG) - Em meio à seca provocada pelo fenômeno climático “El Niño”, que se mostra muito severo em 2015, muitas dúvidas surgem sobre a parcela de culpa da Copasa diante da crise do abastecimento de Caratinga e de outras cidades de Minas. No caso de Caratinga, técnicos da empresa se defendem dizendo que a queda do volume de captação do Córrego do Lage nunca foi tão drástica em toda a história, superando todas as projeções feitas para este período.
Recentemente, o gerente regional da Copasa, Albino Júnior, informou que a empresa estuda captar água do Córrego do Rio Preto, levando-a até o Córrego do Lage, para atenuar o problema. Mas a proposta está em fase de estudo e ainda não há nada de concreto nesse sentido. Enquanto isso, poços artesianos estão sendo perfurados às margens do Lage na tentativa de se obter mais água para Caratinga e, até que as chuvas se normalizem – e pode ser que isso não aconteça neste verão –, moradores e empresas convivem com o racionamento.
Esta não é a primeira vez que a Copasa é alvo de reclamação em Caratinga. População e até autoridades políticas cobram o cumprimento de cronogramas que nunca são cumpridos. A captação e tratamento do esgoto, por exemplo, se arrasta há anos e só agora mostra resultados mais promissores com a Estação de Tratamento em fase de conclusão no Bairro das Graças e a interceptação do esgoto em boa parte do município. Mas, mesmo quando esta etapa for concluída, talvez em 2016, ainda vai ficar para trás um trecho de cerca de 4km do Rio Caratinga. A obra neste ponto tem causado divergências entre a Copasa e a prefeitura por causa de um projeto ambicioso que deverá ser feito, não se sabe quando, para contenção de cheias.
Caso Pará de Minas
Nem todas as cidades mineiras são atendidas pela Copasa e, em Pará de Minas, a 378 Km de Caratinga, um episódio recente chama atenção. Conforme apurado pela TV A Semana, um mandado judicial pôs fim ao contrato da Copasa com aquele município e em abril de 2015 uma outra empresa assumiu seu lugar. Em entrevista ao diretor da TV A Semana, Carlos Carraro, o ex- deputado e atual prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio, contou que há anos a cidade estava insatisfeita com os serviços prestados pela Copasa. Segundo ele, foi preciso encarar o problema para mudar um quadro preocupante de desabastecimento.
A posse das instalações de Pará de Minas passaram a ser ocupadas pela empresa “Águas de Pará de Minas” a partir de abril deste ano. A mudança de concessionária deu tão certo, que em apenas seis meses foi concluído um sistema de captação de água do Rio Paraopeba, a 28 quilômetros da cidade. A Copasa pedia um prazo de cinco anos para desenvolver o mesmo projeto.
A captação acabou com os problemas de desabastecimento, como esclarece o gerente de operação da “Águas de Pará de Minas” Anderson Monteiro. O engenheiro passou boa parte de sua infância e adolescência em Caratinga, onde morou enquanto seu pai, o Sargento Léo Monteiro, comandou o Tiro de Guerra local.
Pará de Minas tem 90 mil habitantes, praticamente a mesma população de Caratinga. Portanto, precisa de uma vazão mínima para abastecimento também muito parecida com a nossa, 170 mil litros por segundo. Mas, em Pará de Minas, os moradores não correm mais o risco de ficarem sem água, segundo o gerente de operação da empresa que substituiu a Copasa.
Quando a terceira etapa estiver concluída, somando água de outros mananciais em época de chuva, Pará de Minas terá 480 mil litros por segundo de fornecimento de água. Segundo Anderson Monteiro, a empresa responde por um contrato com regras e metas rígidas.
O prefeito de Pará de Minas, que já foi deputado estadual e até presidente da Assembleia Legislativa, foi enfático ao dizer qual é seu grau de confiança em relação à capacidade da Copasa de investir no abastecimento e saneamento das cidades mineiras.
Em Caratinga, o rodízio de abastecimento continua afetando algumas escolas do município. Nesta quarta-feira (11) o Centro de Educação Infantil Municipal, Ceim, Nossa Senhora do Carmo recebeu os alunos normalmente depois de ter sido obrigado a fechar as portas nessa terça por falta d’água. Os Ceims Maria Imaculada Ferreira, do bairro Santo Antônio, o Santa Terezinha, do bairro Salatiel, e o Ceim do bairro Zacarias suspenderam as aulas nesta quarta-feira.
Ligamos para a Superintendência Regional de Ensino e fomos informados de que, até o momento, as aulas na rede estadual seguem normalmente e não há previsão de interrupção, pelo menos por enquanto.
Com informações da Rádio Cidade - Caratinga
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