Mostrando postagens com marcador documentos secretos americanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documentos secretos americanos. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nassif: A batalha da WikiLeaks

A batalha da WikiLeaks – o site que vazou milhares de documentos secretos do Departamento de Estado norte-americano – é um divisor de águas na política mundial. Não fosse esse episódio, seria outro. Desde que surgiu a Internet, aguardava-se o dia em que provocaria o desmoronamento completo do jogo político e diplomático convencionais.

Historicamente, política e diplomacia foram exercitadas com enorme dose de hipocrisia. Há um jogo interno e um teatro para o público. É possível dois parlamentares encenarem brigas homéricas no plenário e saírem juntos para jantar. Ou a diplomacia de dois países demonstrarem relações civilizadas por cima e, por baixo da mesa, trocarem pontapés.

Faz parte do jogo da democracia representativa e das relações internacionais.

***

Na democracia representativa, o poder se exerce de maneira diferente em dois momentos distintos: nas eleições e no pós-eleições.

O verdadeiro poder se estabelece no pós-eleições. Compartilham dele os partidos políticos, grupos estabelecidos nos diversos poderes, grandes fornecedores do Estado, grupos econômicos influentes.

Esse é o jogo subterrâneo, no qual alianças, interesses, esquemas tendem a se estratificar, muitas vezes amarrando o desenvolvimento das democracias.

***

A cada quatro ou cinco anos vêm as eleições. É um dos poucos momentos em que o cidadão se manifesta.

Nas eleições há o teatro político, a denúncia, a radicalização do discurso, a captação das novas tendências da população, até então difusas, a retórica fácil. Convencer o eleitor é peça central do jogo. São esses momentos únicos, que se repetem a cada quatro anos, os responsáveis pela dinamização do país. Não significa que o eleitor sempre acerte. Mas ele sempre provoca as mudanças.

***

Em 1989, farto do jogo político e da paralisia total nas decisões de política econômica, o eleitor votou em Fernando Collor para o trabalho de desmonte da estrutura dos anos 80. Em 1994, considerou que Fernando Henrique Cardoso era o mais capaz para conduzir a estabilização econômica.

Em 2002, julgou que era a hora de se pensar no social. E elegeu Lula.
Em 2010 considerou importante a consolidação do modelo Lula e votou em Dilma.

***

As eleições determinam mudanças nas prioridades públicas, mas, passado o momento, o exercício do poder volta ao leito original, com mudanças lentas de rumo e com o mesmo exercício da hipocrisia.

O WikiLeaks simplesmente abriu as cortinas no intervalo das representações e mostrou o que se passa nos bastidores. Esse jogo será cada vez mais aberto, seja no vazamento de documentos confidenciais, gravações de cenas por celulares, inconfidências que ganham a Internet. E provocarão a desconstrução tanto da diplomacia quanto do jogo político convencionais – através de suas duas pernas centrais, o Executivo/Congresso e a velha mídia.

***

Durante décadas, a velha mídia fez um trabalho sistemático de desconstrução da política, visando impor seu poder sobre os partidos. O WikiLeaks acaba desnudando as duas pontas do modelo e reforçando como nunca o poder do chamado leitor-cidadão.

É o Momento 1 da construção de um novo modelo de governança.

Fonte: Blog do Miro, com informações do Luís Nassif Online
.

WikiLeaks: Brazil - A lista secreta de compras do império

Natalia Viana, 5 de dezembro de 2010, 21.00 GMT

Se os Estados unidos fizessem uma lista de compras – apenas o essencial para a manutenção do seu poderio estratégico, como ela seria?

A resposta está em um longo documento publicado na noite de domingo pelo site WikiLeaks.

O documento mostra que o Departamento de Estado americano pediu que diplomatas em todo o mundo fizessem uma lista da infraestrutura e recursos imprescindíveis aos EUA nos países onde trabalham.

O telegrama, enviado em 18 de fevereiro de 2009, mostra uma primeira versão do que seria chamado de Iniciativa de Dependência Crítica de Infraestrutura estrangeira. Detalha todos os locais considerados estratégicos para a sobrevivência dos EUA – de cabos de telefonia a minas. Fazem parte da lista por exemplo o gasoduto Nadyn, na Rússia, descrito como “o gasoduto mais importante do mundo”. A empresa MacTaggart Scott, na Escócia, é relatada como “crítica” para os submarinos nucleares”.

No Brasil, a principal preocupação dos EUA é com cabos de transmissão submarinos em Fortaleza (Americas II e GlobeNet), e com as minas gerenciadas pela britânica Rio Tinto Company em Minas Gerais e Rio de Janeiro – elas fornecem minério de ferro – e com a Mina Catalão I, em Goiás (explorada pela Anglo American), que fornece nióbio, usado principalmente em ligas de aço. Até a Venezuela tem infraestrutura crítica para os EUA: são os cabos submarinos Americas-II, que passa por Camuri e GlobeNet, que passa por Punta Gorda, Catia La Mar, e Manonga.

O Departamento de Estado – já sob a administração de Hillary Clinton – pediu que os funcionários das embaixadas adicionassem quaisquer infraestruturas que considerassem essenciais, assim como “qualquer informação que mostre que a infraestrutura ou recursos críticos seja um alvo de fato ou esteja especialmente vulnerável por conta de circunstâncias naturais”. Mais do que que isso. Como mostra o telegrama, a coisa toda teria que ser feita em segredo: “não estamos pedindo que as embaixadas consultem os governos a respeito desse pedido”. Mais uma prova de que as embaixadas americanas no mundo fazem principalmente trabalho de inteligência.

Outro telegrama, enviado pela embaixada dos EUA no Qatar no dia 26 de março de 2009, revela também como o governo americano se importa com a segurança de cada uma dessas instalações. Por exemplo, os EUA procuram oferecer apoio financeiro para esses países, ou oferecer tecnologia e serviços americanos na proteção desses locais.

O documento é classificado como secreto, a mais forte classificação dentre os documentos obtidos pelo WikiLeaks – que não contém documentos “top secret”. Mesmo assim, cerca de 1,5 milhão de funcionários americanos tinha acesso a ele.

Fonte: WikiLeaks

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Blog do Miro: "Vingaremos Assange e seremos milhões"

Artigo enviado pela combativa Luana Bonone e postado no Blog do Miro:

Os documentos revelados pelo site WikiLeaks alarmaram os chefes de Estado das nações mais poderosas e a solução óbvia foi a melhor que o imperialismo consegue desempenhar: a criminalização daquele identificado como o líder ou o responsável público pelo transtorno às relações diplomáticas.

Não conseguiram prender Julian Assange pelo que realmente incomodou, que foi a publicação de informações sigilosas, visto que este tem o direito de não revelar as fontes da informação veiculada. Arranjaram, então, outro motivo. E estão aliviados. “É uma boa notícia”, comemora o secretário de Defesa dos EUA, Roberts Gates.
Mas este não é o fim desta história, é apenas o começo de uma disputa que ninguém havia ousado pautar às nações imperialistas: a guerra da informação. “A primeira guerra da informação começou. Envie por Twitter e poste isso em qualquer site”, proclamam os hackers.

A propósito, antes que se confundam os talentosos profissionais que alimentam o WikiLeaks com larápios virtuais, fomos buscar uma definição do termo hacker na enciclopédia mais lida da rede: a Wikipedia. “Os hackers utilizam todo o seu conhecimento para melhorar softwares de forma legal. Eles geralmente são de classe média ou alta, com idade de 12 a 28 anos... A verdadeira expressão para invasores de computadores é denominada Cracker e o termo designa programadores maliciosos e ciberpiratas que agem com o intuito de violar ilegal ou imoralmente sistemas cibernéticos”, define a enciclopédia construída pelos próprios usuários da internet.

Mas o que o secretário estadunidense Robert Gates não contava era com o caráter coletivo das ações do WikiLeaks. O próprio nome do site já dá dicas a respeito do seu caráter coletivo. Wiki é o termo utilizado para descrever atividades colaborativas, em que várias pessoas ao redor do mundo, conectadas pela rede mundial de computadores, desenvolvem conteúdos, programas, jogos e uma infinidade de outras informações de forma simultânea e constante. Os programas de código aberto, por exemplo, conhecidos como software livre, são desenvolvidos desta forma, e apresentam alto nível de segurança, além de um desenvolvimento aprimorado de programas e sistemas, o que os coloca como preferenciais para utilização das mega empresas que atuam em âmbito global. O Google, por exemplo, utiliza plataforma livre.

Leaks também é um termo bastante apropriado para o site, não pelo seu caráter colaborativo, mas pelo seu caráter... bombástico, pois, na tradução literal, leak significa “vazamento”.

O fato do WikiLeaks ser wiki, ou seja, colaborativo, o posiciona de forma destacada na trincheira dos que lutam pela liberdade de expressão e de imprensa para todos, e não para as empresas de comunicação. E, mais, transforma este site em trincheira da luta anti-imperialista, à medida que revela os bastidores das disputas políticas entre as nações capitalistas. E olha que o site ainda nem revelou os segredos mais cabeludos, acerca de como são constituídas e derrubadas democracias, de como as nações poderosas influenciam nos rumos de outras nações, ou como promovem guerras e conflitos.

Em resposta à prisão de Assange, flagrantemente política, hackers de todo o mundo reagem, como ouvissem o chamado de um ex-combatente da ditadura militar brasileira, o presidente da UNE desaparecido em 1973, Honestino Guimarães: “podem nos prender, podem nos matar, mas um dia voltaremos e seremos milhões...”.

Se os poderosos temiam Julian Assange, terão que enfrentar, após sua desastrosa manobra de criminalização do ativismo político e da liberdade de expressão, milhões de Assange, indignados e ansiosos por revelar informações cada vez mais comprometedoras dos objetivos nefastos de dominação global dos recursos econômicos e naturais, da cultura e do mercado de consumo de diversas nações por parte dos países mais poderosos.

Tio Sam, após a sede de vingança que ajudou a promover, ponha suas barbas de molho, pois um novo movimento se consolidou. Ele tem raízes em todos os países, não tem nome e nem face e não pode ser criminalizado, pois a cada baixa efetivada, um novo exército surgirá, com maior gana de pôr fim ao conforto da sala oval, sustentado pela fome e pela miséria de milhões.

Fonte: Blog do Miro.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Natalia Viana: Em parceria com CartaCapital, conteúdo do WikiLeaks em primeira mão

A partir desta quarta-feira 8, a jornalista Natalia Viana traz todas as informações sobre os documentos secretos americanos que vazaram na rede. Convidada pelo WikiLeaks para coordenar com a imprensa nacional a publicação dos documentos referentes ao Brasil e escrever reportagens independentes para o site da organização, Natalia alimenta o novo blog de CartaCapital. Visite, divulgue e marque entre seus favoritos:

Veja seu post de boas-vindas.

“Olá a todos,

Começo este blog aqui na CartaCapital  para contar um pouco o que tem sido essa empreitada em parceria com o projeto mais revolucionário do  jornalismo investigativo mundial – o WikiLeaks. Como outros jornalistas independentes de todo o mundo, tenho colaborado com a publicação dos documentos. Com base neles, estou escrevendo matéria diárias para o site.

Não é à toa que o WikiLeaks  está sob ataque.  É algo novo, com o qual os poderes não sabem lidar. Enquanto escrevo essas linhas o fundador Julian  Assange está preso, sem contato com seus colegas. Todos os que estão escrevendo para o site, como eu, têm que lidar com links que quebram, endereços que saem do ar, grampos e  ataques hackers de todo tipo. O dinheiro foi congelado.

Aqui neste blog vou ter a certeza de que o conteúdo inédito vai sair em primeira mão. E também vou dividir essa experiência na linha de frente do jornalismo.

Natalia Viana

Conheça o Blog de Natalia Viana visitando o link Natalia Viana - Conteúdo WikiLeaks, no menu “Destaques da Blogosfera”, à esquerda.