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domingo, 14 de abril de 2013

Papel jornal e tomates

tomateAna Maria Braga usou colar de tomates (que, aliás, lhe caiu muito bem…) Abril e Globo dão capa ao tomate. O Brasil está despencando. Os índices de crescimento, desenvolvimento e distribuição de renda são fabricados por Lula, Ahmadinejad, Fidel e Chaves para iludir o povo brasileiro. Ninguém consegue pagar a prestação. A bola da Copa será quadrada e o apito será assobio. Lula, Dirceu, Genoino e filhos são milionários. O mensalão de Roberto Jefferson é o maior escândalo da paróquia. Vem aí o apocalipse…

Imprimem o verde em papel jornal pra colher maduro. Se não der, voltam com Apagão, Gripe Suína, Dengue e factoides genéricos para apavorar.

Em uníssono, o oligopólio midiático faz campanha maciça pelo aumento dos juros e a volta da inflação. Usam e abusam da palavra “inflação” diariamente em suas capas. Esperam com isso, contaminar o comércio e outros setores da economia de pessimismo que leve ao pânico e ao aumento dos preços. Apostam que convertem sua especulação barata em fato. Como antigamente… Porque, diferentemente de quando calaram nas falências seguidas de FHC, falir o país – mesmo que seja apenas nas manchetes – é a ÚNICA maneira de desalojar o PT do Planalto. Logo mais vem pesquisa avaliando se suas manobras surtiram efeito…

A direita fascista quer levar o país de volta à década de 90 e retomar o rumo da subserviência vira-lata que Serra e FHC imprimiram ao seu governo. Os vampiros das multinacionais falidas pelo neoliberalismo exigem que se abra a porteira para voltarem à pilhar nossas riquezas naturais.

Para a casa Grande, a doméstica deve voltar a dormir na Senzala, que é o seu lugar, antes de começar a se achar a azeitona da empada.  Segundo Delfim Neto: “A empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center. Agora, ela toma banho com sabonete Dove. A proposta desses ‘gênios’ é fazer com que ela volte a usar sabão de coco, (sem direito trabalhista)”. Quer dizer, que volte ao regime de 16 horas diárias de escravidão. 

Nossa relação com a imprensa é assim: nunca os venceremos, mas nunca nos calarão. Eles morrem aos poucos, tragados pela nova era, onde a informação voa e o papel impresso é lento, caro e mentiroso. Analistas, entrevistadores e apresentadores embusteiros – que ainda vendem o peixe do patrão – mentem em merrecas de audiência. Jornalista encurralado em redações fétidas pensa em mudar patrão ou de profissão: o PiG não contrata nem faxineiro, só demite… Os falsários que vomitam o JN diariamente na mesa de jantar dos brasileiros, morrem de medo de perder o emprego. E com ele o padrão…

E nós, pela Internet, nos apropriamos da liberdade de expressão que a Constituição nos garante. Sem negociações! Hoje, a rede se impõe e projeta o futuro das comunicações, O UOL sustenta a Folha que o pariu nos tempos em que FHC afundava o país.

Não é uma questão ideológica apenas. É uma disputa de poder sem escrúpulos ou comprometimento com população alguma. O que está em jogo não é apenas o destino do Brasil, mas da América do Sul. As razões sempre as mesmas: somos vira-latas (o povo, não as elites, que não tem nacionalidade) e devemos servir ao Tio Sam, nossa vocação eterna. Como dizia Tia Carmela, querem viabilizar a todo custo o acordo CARACU entre Brasil e os EUA, onde os EUA entram com a CARA…

O Capitão do Mato está de olho no andar a carruagem, e o PiG lhe dá “cobertura”. Se não for ele a acabar com o PT, só Deus. O golpe caminha. Não basta prender Lula, Dirceu, Genoino e criminalizar toda a nação petista. Não basta desestabilizar o governo Dilma com alarmismo falso. O problema está na Copa do Mundo e nas Olimpíadas. Dois eventos que consolidariam a imagem do Brasil da era petista. Como apagar da história a presidenta Dilma na tribuna de honra na abertura da Copa? E novamente nas Olimpíadas? Eles não vão engolir Dilma, Lula e o PT cravados na história brasileira e mundial do século 21. Mas quem disse que são eles que a escrevem?

Fonte: Blog O que será que me dá?

domingo, 24 de junho de 2012

FHC fez sumir a foto que tirou com Maluf; Lula conseguiria?

Artigo reproduzido do Blog da Cidadania

A foto que emoldura este texto é rara. Foi preciso esforço para encontrá-la. E não foi achada em arquivo de algum órgão de imprensa, mas perdida em alguma página esquecida da internet. É de 1998, durante um dos vários encontros públicos que Fernando Henrique Cardoso e Paulo Maluf tiveram naquele ano. A foto de um deles foi parar em um outdoor que a campanha malufista ao governo do Estado espalhou pelas ruas de São Paulo.

Não há paulista que não se lembre dos outdoors em que FHC, Maluf e o seu candidato a vice, Luiz Carlos Santos, apareciam perfilados e sorridentes. Havia um outdoor daqueles em cada esquina. Todavia, na internet, onde a história mais recente do país está registrada em incontáveis milhões de fotos, não se acha uma só imagem de cena que agora que se deu com Lula poderá ser encontrada daqui a um século de tantas reproduções que já recebeu.

Àquela época, apesar de alguns raros textos jornalísticos terem tocado no assunto, nenhum veículo estampou a imagem de FHC e Maluf com destaque sequer parecido com o que foi dado à foto de Lula com Maluf tirada durante esta semana. É mais do que óbvio que há registros daquela imagem, ao menos pela imprensa. Porém, algum interesse levou a grande mídia a sumir com ela. Que interesse será, não?

Não acredito que Lula venha a tentar apagar esse momento de sua biografia – Lula não é dado a esse tipo de covardia. Mas, se quisesse, certamente não conseguiria. Não só por sua foto ao lado de Maluf, à diferença da de FHC com o mesmo Maluf, ter ido parar na primeira página dos principais jornais do país, mas, também, porque eles não fariam pelo petista o que fizeram pelo tucano.

Em benefício da memória do país é preciso corrigir tal distorção. Não tirando a foto de Lula e Maluf dos arquivos dos jornais, mas trazendo para a internet imagem que mostra FHC indo muito mais longe do que o petista ao apoiar a eleição do mesmo Maluf – e, ainda por cima, contra o candidato do PSDB que o enfrentava, Mario Covas. Não se pode permitir que a imprensa partidarizada e políticos covardes mutilem a memória do país.

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Aqui, mais fotos dos amigos FHC e Maluf à época

Pascoal Online, com informações do Blog da Cidadania

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lula Malufou ou foi o Maluf que Lulou?

malufhaddadFoi com extremo pesar que assisti ao encontro do Lula com o Maluf nos jardins da mansão do notório Deputado paulistano, notoriedade ganha nas páginas policiais e inquéritos que investigaram a vida pregressa pelo seu envolvimento em tantos escândalos e falcatruas bilionárias. Bem fez a Luiza Erundina que sartô fora desse conchavo que põe em cheque as mais antigas bandeiras do PT. Esse ato é uma ofensa aos petistas de todas as cores e credos, uma vergonha.

Não concordo nem apoiaria nunca esse remendo político que o PT de Sampa está alinhavando, costurando e arrematando para ganhar a Prefeitura de São Paulo. Se vale tudo para conquistar o poder, então teremos que anistiar o Maluf, o Barbalho, os corruptos presos (se é que tem algum) e os que estão sendo alvo de investigações na CPI do Cachoeira.

Desde a coligação com o Roberto Jeferson eu ando insatisfeito com os rumos que o PT tomou para se manter no poder; vemos hoje o que se transformou o PT de Minas nesse conchavo esdrúxulo para manter a aliança com o Marcio Lacerda, que só tem feito dividir as já alquebradas forças políticas mineiras que se tornaram indigentes e apartados do poder maior da nação e tem gerado seus filhos menos ilustres da história política do estado.

Bons tempos aqueles em que até os medíocres eram melhores do que os bons de hoje, com raríssimas exceções. Fico com uma vontade imensa de mergulhar na irresponsabilidade e anular o meu voto na próxima eleição. Nós merecemos e queremos ser respeitados, afinal, Minas ainda é um dos mais importantes estados da Federação e nosso estado atual me faz concordar com o Drummond quando dizia que “Minas não há mais, José. E agora”?

Esse conchavo poderá jogar na lata de lixo tudo que o PT e o ex-presidente Lula fizeram nessa última década, na mesma lata de lixo onde foram jogados os escritos do FHC, onde os dois ficariam muito parecidos.

Nélio Azevedo

sábado, 2 de junho de 2012

O Cenário Político Nacional

lula_gilmarOs acontecimentos políticos da semana deixam a gente meio atordoado, a começar com a tal conversa entre o Lula e o Gilmar Mendes, estranho o fato de do Lula não ser nada mais que um ex-presidente, portanto, um cidadão comum; ainda que pese o fato dele ter sido presidente, qualquer cidadão pode dizer o que ele disse sem maiores consequências. O estranho é que se foi um assédio, porque será que o Ministro do Supremo ficou calado, já que a conversa aconteceu há um mês? Se houve realmente essa tal conversa, acho que deveria ser apurado não o que o Lula teria falado com Gilmar, mas, porque ele teria insinuado que as coisas investigadas poderiam chegar até o Ministro.

No início, o Ministro veio com uma história, depois que a Veja publicou a reportagem a história mudou. Infelizmente, vivemos num país onde a boataria é capaz de criar os famosos factoides e lançar dúvidas na mídia, sem contar a desinformação e a formação falsa de opiniões, sobretudo em ano eleitoral e, o pior: a verdade dos fatos é pior do que as mentiras em torno dela.

calcinha_misterioOutro episódio foi o aparecimento da tal calcinha no Congresso, pode parecer uma estratégia de uma velha raposa, na tentativa de desviar o foco da CPMI do Cachoeira e Demóstenes ou ser um simples e corriqueiro fato de um político ter perdido um talismã, um suvenir ou mesmo um fetiche, o fato é que já vejo o Senador Álvaro Dias (PSDB) pedindo para abrir outra CPMI, pois a dita calcinha é vermelha, portanto é uma calcinha Petista que estava lá para pressionar os senadores e deputados na sua dura missão de achar e desvendar os mistérios dos meandros que deságuam nessa Cachoeira que, se não for barrada, vai afogar deputados, prefeitos, senadores, governadores e ministros.

Em tempo, que o Marcos Maia não se meta a fazer mais piadas sobre o episódio, seu infeliz comentário só vem acrescentar mais falta de respeito e confiança nos políticos, que ele deixe as piadas para os humoristas como o Tiririca que, após fazer um minucioso exame parlamentar na calcinha declarou que a mesma era bonita e cheirosa.

Nélio Azevedo

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.

Maria Inês Nassif*

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.

O câncer de Lula me envergonhou

Em virtude de algumas manifestações no blog, em defesa dos ataques irônicos iniciados por uma minoria raivosa nos sites de redes sociais contra o ex-presidente Lula, transcrevo o artigo (sugerido pela leitora Bruna) de autoria de Gilberto Dimenstein, colunista da Folha de São Paulo, o que, de certa forma, reforça a nossa opinião.

O câncer de Lula me envergonhou

Senti um misto de vergonha e enjoo ao receber centenas de comentários de leitores para a minha coluna sobre o câncer de Lula. Fossem apenas algumas dezenas, não me daria o trabalho de comentar. O fato é que foi uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano. Pode sinalizar algo mais profundo.

Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?

Lula teve muitos problemas -- e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção. Mas não foi um ditador, manteve as regras democráticas e a economia crescendo, investiu como nunca no social.

No caso de seu câncer, tratou a doença com extrema transparência e altivez. É um caso, portanto, em que todos deveriam se sentir incomodados com a tragédia alheia.

Minha suspeita é que a interatividade democrática da internet é, de um lado, um avanço do jornalismo, e, de outro, uma porta direta para o esgoto do ressentimento e da ignorância.

Isso significa que um dos nossos papéis como jornalistas é educar os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência.

Gilberto Dimenstein

Gilberto Dimenstein, 54, integra o Conselho Editorial da Folha e vive nos Estados Unidos, onde foi convidado para desenvolver em Harvard projeto de comunicação para a cidadania.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quem mandou votar no homem?

Por Luís Fernando Verissimo

Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior – tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

- A nova classe média nos descaracterizou?

- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada…

- Buuu para o Lula, então?

- Buuu para o Lula!

- E buuu para o Fernando Henrique?

- Buuu para o… Como, “buuu para o Fernando Henrique”?!

- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

- Sim. Não. Quer dizer…

- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

- Por quê?

- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.

- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?

- Acho, mas…

Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Já é um começo de golpe

Por Rui Martins*



Se você faz parte dos 87% que apoiavam o governo Lula, fique alerta – no mais escondido covil de serpentes e escorpiões trama-se um golpe institucional contra o governo de Dilma, mesmo se esse governo começou com 62% de aprovação popular.

Desta vez, ao contrário do golpe de 1964 não se trama nos quartéis com o apoio declarado dos Estados Unidos. A trama é bem mais sutil – não se acena com a paranoia do perigo vermelho, mas com base em pretensos arrazoados jurídicos se quer desmoralizar e desautorizar o ex-presidente Lula e se colocar no ridículo a presidenta Dilma, que será destituída do poder de decisão.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tremendo mau cheiro

As cascas de banana e a intriga grosseira começam a tomar algumas manchetes jornalísticas na indisfarçável tentativa de criar embaraços a um governo que mal começou. O PMDB se tornará mais uma vez o ‘fiel da balança’ de um sistema partidário viciado, ineficiente e sensivelmente corrupto em muitos dos seus integrantes.

Izaías Almada

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

Por Hildegard Angel

Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de "a Cara" por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À "companheira" número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E - pior de tudo - os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família? Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.

Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a "mudez", a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que "eles" queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar pomposo de doutorados e mestrados. Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?

Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto. Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar "emergentes" metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo "arrodeado" de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!

Cobraram de Marisa Letícia um "trabalho social nacional", um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.

Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos. Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

Fonte: Blog da Hildegard Angel

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A solidariedade de Lula ao WikiLeaks

Lula apoia o trabalho da Wikileaks e ainda pede protestos a favor de Julian Assange e contra restrições na liberdade de expressão.

sábado, 27 de novembro de 2010

Eduardo Guimarães: Lição de cidadania

O blogueiro Eduardo Guimarães, um dos mais ativos da blogosfera e que também participou da reunião de blogueiros com o Presidente Lula no Palácio do Planalto, ocorrida na última quinta-feira (24), deu uma verdadeira aula em seu post de hoje, de como se deve praticar a verdadeira cidadania.

Com o irrepreensível caráter e dignidade, que sempre lhe acompanharam, irradia uma imagem invejável, a qual muito poucos têm condições de ostentar nos dias de hoje.

Ao explicar a sua relação com o trabalho, a política e o compromisso que tem como cidadão blogueiro, cônscio de suas responsabilidades para com os demais brasileiros que povoam este país, ele não consegue esconder a sua obstinação em ajudar a construir junto com os governantes que compactuam com suas ideias, um Brasil forte e justo para todos.

Veja a matéria.

Blogueiros também comem


Por Eduardo Guimarães, em 27/11/10


malabarismoSempre me surpreendo quando ouço ou leio alguém dizendo que não gosta da forma como o Brasil vem sendo governado porque acha que estaria perdendo com as atuais regras do jogo. Tal reflexão me decorreu do fato de que viajo à Argentina a trabalho no próximo domingo e esse trabalho sofrerá consequências da atual governança do país.

A bem da verdade, poucos são os que não estão ganhando dinheiro na era Lula. E sou o exemplo vivo de que há quem esteja perdendo – ao menos no que diz respeito aos rendimentos do seu trabalho.

Para quem não sabe, vivo de comércio exterior – e não de jornalismo, atividade que se insere no contexto do ativismo político que pratico através do Blog da Cidadania e do Movimento dos Sem Mídia, que só me dão despesas.

Mantenho um escritório de representação de indústrias brasileiras na América Latina e na África. Em tese, portanto, estaria perdendo por conta da preocupante situação cambial que vige hoje no Brasil e que está gerando não menos preocupantes déficits em conta corrente (resultado do fluxo de entrada e saída de divisas).

A conta corrente sintetiza as relações de uma nação com o exterior. Inclui a balança comercial (exportações menos importações), a balança de serviços (como royalties que multinacionais mandam para suas matrizes) e as transferências unilaterais (dinheiro que estrangeiros que vivem aqui remetem para seus países e brasileiros que moram lá fora mandam para cá).

Quando a conta corrente é deficitária, o país precisa financiá-la. O que a vem mantendo no azul são os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). Para 2010, o BC espera um resultado positivo por conta desses investimentos, que cobririam com sobra o saldo negativo do fluxo de entrada e saída de dólares.

Em síntese: exportar ficou difícil e importar ficou fácil. Eu vivo de exportar.

Com o dólar se desvalorizando, quando você vai converter em reais a receita de uma exportação, ganha cada vez menos. Não raro, você fecha uma operação com exterior pensando em ganhar 10 e, se essa operação demorar a se concretizar, corre o risco de receber 9, 8, sabe-se lá quanto a menos.

Para não ser pego por uma diferença para menos que pode comprometer seriamente a rentabilidade de uma exportação, convertendo-a em prejuízo, é preciso colocar alguma “gordura” no preço, de forma preventiva.

Ora, há uma diferença significativa entre o que se quer ganhar e o que é possível ganhar – e boa parte do problema reside na mentalidade do empresário brasileiro, que, devido às barreiras protecionistas do país, acostumou-se a ganhar muito sobre pouco, quando os chineses, por exemplo, ganham na escala de vendas e produção.

Se não é possível a ninguém transformar os próprios desejos comerciais em realidade, pois quem arbitra preços é o mercado, essa necessidade brasileira de vender mais caro ao exterior vem dificultando as exportações, o que vem produzindo esse efeito deletério sobre as contas externas.

Em resumo, estou entre os que têm mais dificuldade para ganhar dinheiro hoje no Brasil. Uma vitória de José Serra na eleição presidencial poderia ter melhorado os meus ganhos financeiros. Não são poucos os que acham que ele interviria no câmbio, se fosse eleito.

No fim da era FHC, quando a farra cambial de seu primeiro mandato fez o real derreter, enquanto todo mundo estava perdendo – pois moeda fraca impõe piora do poder de compra da população – eu estava ganhando. O preço do dólar explodia e qualquer exportaçãozinha gerava belos lucros.

Contudo, ninguém ganha quando um país vai mal. No fim das contas, há prejuízos que extrapolam o financeiro/econômico. Um país mal administrado produz violência e criminalidade ainda maiores, por exemplo, e um péssimo ambiente de negócios.

Se fosse votar com o meu umbigo, teria votado em Serra. O estrato social em que me mantenho a duras penas ganharia com um novo governo do PSDB, que vinha para gerar ganhos a estratos sociais melhor aquinhoados que, apesar de terem ganhado tanto na era Lula, com Serra acham que ganhariam mais, ao exorbitante custo da interrupção da distribuição de renda que se processa hoje no país.

Do próximo domingo até o primeiro sábado subsequente, viajo pela Argentina em busca de negócios. Não será fácil. Não só pela situação cambial já descrita, mas, também, porque, devido à eleição  – e, depois, à entrevista com o presidente Lula -, posterguei essa viagem bem mais do que deveria, pois o ano está acabando e, nesta época, ninguém quer fazer negócios.

Todavia, ponho fé no meu taco, no meu comprovadamente eficiente trololó castelhano. Jamais voltei de mãos vazias de uma missão comercial a outro país.

O prejuízo que causei conscientemente aos meus ganhos é um dos principais motivos pelos quais a família me desaprova o ativismo político. Contudo, mulher e filhos não entendem completamente, apesar de minhas explicações, que a pior coisa que alguém pode fazer é pensar só no seu interesse direto.

Nesse contexto, a vitória de Serra teria sido ruim também para a minha família, porque resultaria em redução – ou quem sabe eliminação – do processo de distribuição de renda, processo sem o qual situações como a que se vê ocorrer no Rio agora mesmo tendem a se agravar e a se espalhar pelo país.

Durante a próxima semana, portanto, haverá demora um pouco maior na liberação de comentários. Mas este blog não pára. Mesmo com os prováveis jantares de negócios – em viagens desse tipo, a gente trabalha 24 horas por dia –, se necessário irei dormir mais tarde para não faltar com a obrigação que tenho para com meus leitores.

Torçam por mim, pois.

Fonte: Blog Cidadania.com