Por Nélio Azevedo
Há poucos dias foi assassinada em Belo Horizonte uma pessoa que eu conhecia, ela foi uma espécie de paixão em segredo da infância do meu filho mais velho, o Caetano. A doce Cecília, ou Ciça, para os mais íntimos. Uma perda que enche os nossos corações de dor; uma dor que parece que estão arrancando um pedaço da gente; e, foi isso mesmo que aconteceu, arrancaram um pedaço dos pais e dos irmãos dela, arrancaram um pedaço das amigas Gabi e da Maria Júlia; deixaram uma criança órfã e arrancaram um pedaço do passado da memória afetiva do meu filho.
Quando a gente ouve ou lê uma notícia assim não consegue imaginar a dor dos parentes, os pais que sobrevivem aos filhos passam por um momento de dor que não sei se eu suportaria; faz-me lembrar duma frase dita por alguém que assimilou esse sentimento: “Nos tempos de paz os filhos enterram os pais, nos tempos de guerra, os pais enterram os filhos”. É justamente o que acontece nas cidades brasileiras, uma guerra onde a vítima preferida é o jovem.
Algumas pessoas não conseguem perceber a dimensão desse triste fato, estão alienadas ou ainda não experimentaram a dor de perder um parente ou amigo e, parece terem se acostumado com esses níveis altíssimos de violência desses tempos de guerra. Para completar, os órgãos responsáveis pela segurança pública não fazem o dever de casa. Os policiais entrevistados depois do crime jogaram a responsabilidade nas mãos dos cidadãos e um delegado aconselhou a todos se posicionar de costas ao entrar em casa e entrar de ré com o carro. Inacreditável! Esse é um conselho de um delegado que deveria nos trazer um alento ao demonstrar seu empenho na captura dos assassinos ou sei lá o quê. O que não pode é continuar esse massacre de jovens ou não teremos futuro.
Muitas pessoas estão preocupadas com o que iremos mostrar na Copa do Mundo, esse batalhão de mendigos pedintes que assolam as praças e ruas das cidades; os mortos-vivos das cracolândias tão comuns em vários pontos da cidade, ou será que vamos assistir a mais um processo de desinfecção como o que ocorreu na Eco-92, no Rio de Janeiro? Eu estou muito preocupado é com a nossa segurança, minha e da minha família que vivemos em uma casa e, as casas são os alvos preferidos dos ladrões que se sentem bem à vontade para nos assaltar e matar os moradores, depois a Secretaria de Defesa Social camufla os dados, nos escondendo a verdade que os números e as estatísticas desmentem esse oásis de tranquilidade que querem dizer que existe.
Quem sobreviver ao caos e a violência urbana verá!