Dom Cavati (MG) - A jornalista Rose Mara Dias Domingues, 42 anos, foi agredida e sexualmente violentada por um casal. A mulher, Efigênia Dias de Morais, 41 anos, e o namorado, Julimar Custódio de Oliveira, 32 anos, chegaram na casa de Rose Mara para tirar satisfações a respeito de um cheque que a jornalista havia emprestado para que Efigênia fizesse compras.
“Cada cômodo desta casa, cada parede, cada canto me lembra de como eu fui machucada e torturada. Eu não consigo dormir a noite, eu fecho os olhos e fico com medo de alguém me atacar”. O depoimento é da jornalista de 43 anos que foi espancada, esfaqueada e estuprada pela sogra dos filhos dela e o namorado em Dom Cavati, na região do Rio Doce. O motivo seria a cobrança de um cheque.
O crime aconteceu na última terça-feira (13) na casa da vítima. O casal foi preso nessa quarta-feira (14) e segue detido no presídio de Inhapim, na mesma região.
A suspeita de 41 anos é mãe das esposas de dois filhos da jornalista, que têm 21 e 22 anos, e é também namorada do comparsa, de 32 anos. Segundo a vítima, o relacionamento das duas era amigável e, até então, sem conflitos. “Ela até me elogiava pela forma que eu tratava as filhas dela, minhas noras”, conta.
A jornalista costumava emprestar cheques para a mulher. O último empréstimo deveria ser pago no dia 30 de setembro, no entanto, não houve pagamento. Depois de esperar por cerca de uma semana, a vítima decidiu saber o que aconteceu com o cheque que emprestou. Ela foi ao açougue onde a suspeita disse ter usado o cheque perguntar sobre o recebimento do mesmo, e recebeu como resposta da comerciante que não houve nenhum pagamento em cheque.
“Fui sondar mesmo onde tinha ido parar o meu cheque. Falei com a comerciante que estava preocupada com esse cheque. A minha sogra sequer o tinha utilizado”, conta, ainda.
O crime
Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, a vítima foi surpreendida em sua casa pela suspeita na noite de terça-feira (13), quando estava sozinha no imóvel. Ao abrir a porta, o casal entrou e quando a vítima iria servir um café para eles, foi agredida com chutes, tapas, socos e empurrões, sendo esfaqueada e abusada sexualmente pouco depois.
“Quando fui à cozinha preparar o café, ela foi atrás e me perguntou se eu fui até o açougue perguntar sobre cheque. Eu disse que sim e ela respondeu que estava ali para acertar as contas, que eu havia desmoralizado ela no comércio. Ela tirou o cheque e esfregou na minha cara. Eu disse que só estava preocupada, porque cheque é coisa séria, e que minha intenção não era acabar com a reputação dela”, conta.
Ainda segundo a jornalista, neste momento, a mulher passou a dar tapas no rosto dela. “Eu pedi pra ela parar, que não tinha necessidade de ficar me batendo, que a gente podia conversar. Foi quando o namorado dela apareceu, e ela disse pra ele ´olha amor, ela tá querendo conversar e mal sabe que a brincadeira ainda nem começou´”, lembra.
A vítima, então, foi puxada pelo cabelo até o quarto e imobilizada pela mulher, que sentou em seu abdômen. Enquanto isso, o namorado da suspeita tirava as roupas da jornalista.
“E enquanto ele fazia isso eu pedia para parar, mas ela me batia cada vez mais. Me dava muitos socos no rosto. Me colocaram na cama e ela pediu para ele enfiar o dedo no meio das minhas pernas. Eu fechei as pernas com força, e ela continuava me batendo muito, até que ele conseguiu enfiar o dedo dentro de mim. Então, ele pediu que ela fizesse o mesmo e ela me pediu para beijá-la. Eu falei que não, e ela me deu outro soco na boca, que me fez começar a sangrar muito. Foi aí que ela disse que aquele dia eu ia morrer”, conta.
“Já que eu ia morrer, pedi a ela um copo d´água, porque estava com muita sede. Ela foi até a cozinha, pegou o que eu pedi, me deu um golinho e jogou o resto na minha cara. Enquanto isso o meu celular tocava em outro cômodo. Era o meu marido que estava no Rio de Janeiro e sempre me liga à noite. A minha sogra se irritou com isso e foi atrás do celular para dar um fim nas chamadas. Nesta hora que fiquei sozinha com o namorado dela, que me segurava, percebi que suas mãos suavam muito. Consegui escorregar por elas e saí correndo”, diz, ainda.
Fuga sem socorro
A jornalista conta que correu até a entrada da casa, sem roupa, e gritou por ajuda. Não teve nenhuma resposta, apesar de ter notado uma movimentação dos vizinhos. Os suspeitos conseguiram dominá-la e começaram a arrastá-la pela escada, para voltar ao imóvel.
“Quando eles começaram a me arrastar pela escada, eu travei o meu pé no degrau. Ela me pegou e socou a minha barriga, me jogando na parede. Me levou pelos cabelos até a área de lavar roupas, e socou a minha cabeça na parede. Os azulejos ficaram cheios de sangue”, lembra.
Segundo a vítima, a sogra dos filhos disse que a “brincadeira” ia começar de novo e a levou de volta para o quarto.
“Ela me jogou na cama e me imobilizou outra vez, pegou a faca e começou a riscar o meu corpo, enquanto perguntava ´é aqui que você quer levar a facada?´ a cada parte do meu corpo que espetava. Quando ela falou ´chega de brincadeira, você vai morrer agora´ e levantou a faca, eu arredei para o lado e fui atingida no braço. Depois disso comecei a sangrar muito por causa do corte”, diz.
No banheiro
Ainda de acordo com a jornalista, ao ver tanto sangue, o namorado da suspeita começou a se apavorar, dizendo que os vizinhos podiam ter a ouvido gritar e que já deviam ter chamado a polícia, e que era para a namorada "acabar logo com isso".
“Ela levantou da cama dizendo que ia me entregar pro inferno ou pro céu, mas que ia me entregar limpinha. ´Você vai morrer e vou fazer o favor de te limpar´, disse, se referindo a toda a sujeira de sangue do meu corpo. Quando ela falou isso eu ajoelhei e implorei pra ela não fazer isso, pra ela pensar nos netos dela que são meus netos também”, lembra a vítima.
A suspeita então arrastou a mulher pelos cabelos até o banheiro e ligou o chuveiro, enquanto arrancava fios e mechas de cabelo da cabeça da jornalista. Ela também teria dito que já seria tarde demais para deixá-la viver, mas que se isso acontecesse, ela deveria inventar uma história para justificar os hematomas e cortes.
As opções dadas para a nora eram inventar que a vítima falou mal de algum político no jornal em que trabalha e que, por isso, teria sido agredida por algum capataz, ou então, simplesmente dizer que caiu da escada.
O namorado interveio e disse que inventar o caso sobre o político poderia piorar a situação, já que a jornalista teria que citar o nome do tal político à polícia. Por isso, ele sugeriu manter a justificativa da queda na escada.
“Ela me ameaçou dizendo que se me deixasse viva e eu contasse para os meus filhos, para as filhas dela, para a polícia, ou para qualquer um, ela iria sair da cadeia e vir atrás de mim. Ela disse que ia voltar e me matar, matar o meu filho mais novo e o meu marido, e disse que tinha a grana que ia me matar”.
Depois de prometer que não ia contar pra ninguém e continuar implorando pela vida, a vítima viu a suspeita saindo do local novamente, cochichando com o namorado no cômodo ao lado, e voltar ao banheiro dizendo para ele ir amolar a faca, porque teria que matar a jornalista de qualquer jeito.
“Aí ela começou a me esbofetear de novo, dizendo que ia me cortar toda, que ia me estraçalhar e que eu iria ter uma morte muito feia. Foi quando ela saiu de novo, e eu fiquei embaixo do chuveiro só esperando ela voltar e me matar. Estava apavorada", lembra.
Depois de esperar por alguns minutos, ela percebeu que a casa estava em silêncio e ouviu um barulho de porta. Foi até a janela e viu a suspeita entrando no carro e indo embora. “Eu senti tanto alívio nessa hora que não sei explicar. Desci correndo, tranquei a porta e chamei socorro. Foi só nesta hora que os vizinhos vieram ver o que estava acontecendo. Minha irmã veio me ajudar, meu marido voltou do Rio de Janeiro”.
Promessa descumprida
A jornalista foi levada para uma unidade de saúde e, após ser medicada, chamou a Polícia Militar, que esteve no local e constatou manchas de sangue na sala, na escada, e nas paredes e chão do quarto, além de tufos de cabelo.
A suspeita foi presa e confessou o crime. Ela alegou que a vítima lhe emprestou uma folha de cheque e depois a difamou na cidade, dizendo que ela não teria pago, além de chamá-la de “vagabunda”. Já o namorado dela, que também foi preso, negou qualquer participação no crime.
Sequelas
A vítima pretende pedir um afastamento no trabalho para se recuperar. Segundo ela, também está sendo acompanhada por um psicólogo, já que ainda está em estado de choque pelo que aconteceu.
"Eu não sei como vou fazer, mesmo com o meu marido em casa agora, lembro de tudo o que aconteceu aquele dia, em cada lugar desta casa que eu passo. Eu não consigo dormir à noite,. Eu vejo vultos e fico pensando que são eles voltando para cumprir a promessa de me matar. Só espero que a Justiça seja feita e que seja mantida, para que eles não sejam soltos", conclui.
Ainda de acordo com a jornalista, os filhos dela mostraram muito revolta pelo ocorrido, principalmente porque gostavam muito da sogra. Já as filhas da suspeita ficaram chocadas com o crime cometido pela mãe. "As meninas ainda estão chocadas. Elas dizem que estão sem acreditar no que aconteceu e que é revoltante. Que eu não merecia o que a mãe delas fez comigo. Elas estão sem chão. E ficam me mandando mensagens, preocupadas, perguntando como estou".
Atualizado às 19h30
Com informações do Jornal O Tempo
Qual a necessidade de expor em tantos detalhes assim a vítima?
ResponderExcluirFora isso, que notícia horrível! :/ Que bom que ela sobreviveu!