Por Nélio Azevedo*
Mesmo tendo meus pés plantados na cidade de Belo Horizonte, meu coração está ligado à cidade de Raul Soares, tanto que, se por ventura um dia vir a morrer eu gostaria que, ele fosse enterrado ou minhas cinzas lançadas lá. Várias vezes escrevo sobre Belo Horizonte, mas, gostaria de escrever sobre Raul Soares, no entanto, a minha ausência não me permitiria tal coisa e, tento escrever sobre assuntos que dizem respeito à vida das pessoas; tento falar sobre cultura e comportamento.
Pois, bem. Nessa semana que passou, tivemos em Belo Horizonte um episódio triste com a morte de uma pessoa que fora arrastado pelas águas de um córrego que sempre transborda na região da Pampulha, apesar das obras realizadas no local. A tempestade que caiu naquele dia foi uma tragédia para muitas pessoas que até hoje não se acostumaram com o fato de viverem em locais que sempre alagam; foram quase oitenta pontos de alagamento com direito a desabamentos, queda de árvores, veículos arrastados pelas águas e muito prejuízo material de comerciantes das áreas atingidas.
A explicação do vitorioso prefeito Marcio Lacerda foi que a prefeitura deveria ter sido mais “Babá” naquele momento, ter feito mais pela população que não se cuida, que prefere morar em áreas de risco e que os comerciantes deveriam se mudar para um lugar mais alto a cada vez que se aproximasse a época das chuvas. De certa forma ele até que tem razão, boa parte da nossa população não tem a menor educação e lança lixo por toda parte; lixo que, inevitavelmente, irá parar nos córregos ou entupir as bocas de-lobo e bueiros provocando alagamento e desespero na população.
Mais alarmante ainda, é o fato de a Defesa Civil alertar a população sobre o fato de que a maioria das cidades de Minas Gerais atingidas pelas enchentes no ano passado não tomou nenhuma providência para evitar que a tragédia se repetisse nesse ano. A Defesa Civil está impedida por lei eleitoral de fornecer determinado tipo de ajuda aos prefeitos que estão deixando o cargo e, penalizando os prefeitos que estarão assumindo o mandato no próximo ano; no final das contas, a população é a maior vítima desses absurdos.
Como Raul Soares foi uma das cidades atingidas por enchentes, eu acho que uma pergunta deveria ser feita à população: Vocês gostariam de ter um Prefeito-Babá ou um Prefeito-Babão, que ao invés de executar as obras necessárias fica pondo a culpa na população?
*Nélio Agostinho Azevedo – Desenhista Projetista, Técnico em Comunicação Gráfica, Historiador e Artesão
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Todos os comentários são moderados e não serão aceitas mensagens consideradas inadequadas.