Por Nélio Azevedo
A Usiminas detém o título de maior produtora de aços planos do país e, quando foi privatizada, era chamada junto com a Cosipa e a CSN de “Sacos-sem-fundo” e de incompetência. Cantaram loas à Privataria Tucana e não faltou gente para elogiar os altos lucros conquistados pelas ex-estatais.
Agora anunciam uma redução de 36,4% do Ebitda (geração operacional de caixa), um prejuízo de R$ 87 milhões no segundo trimestre quando o crescimento do País passa por um período de desaceleração, e um aumento dos custos dos produtos vendidos; vale lembrar que no mesmo período do ano passado a Usiminas teve um lucro de R$ 156 milhões. Que será que está havendo? Será que vamos ter de estatizar a Usiminas outra vez?
Cadê os defensores da privatização? O que será dessa empresa? Será que vão vendê-la para um conglomerado transnacional e levá-la pra Índia ou China?
Estatizá-la novamente... só repatriando... a Dilma não faria isso, impossível... Hoje a usiminas é dos argentinos...
ResponderExcluirQuanto ao prejuízo, o problema é que atualmente o lucro da cadeia do aço, diferentemente do que ocorria no passado, está todo na mão das mineradoras, ou seja, antes quem detinha a margem era o fim da cadeia (as siderúrgicas), atualmente são as mineradoras, que devido ao monopólio tem alto poder de barganha e vendem o minério a um preço absurdo (fato esse, potencializado pela grande demanda chinesa). Esta mesma mudança já aconteceu na cadeia do petróleo a mais tempo, pois antes o lucro era dos postos, hoje é da petrobrás. Como a usiminas, diferentemente de outras siderúrgicas não tem mina própria (Gerdau e principalmente CSN) e o preço de produtos planos está em baixa, seu custo de produção acaba sendo mais alto que seu preço de venda, dando prejuízo... A solução pra esse assunto é complicado. Tem siderúrica por aí (CSA - RJ - maior investimento privado dos últimos 15 anos no Brasil - 5 bilhões) que nem acabou de entrar totalmente em operação e já está no buraco. Sua controladora Thyseen já ta dando de graça pra quem quiser pegar... Além disso a Usiminas sempre foi muito paternalista e mal gerida. Vamos ver o que sua nova controladora (Ternium do grupo argentino Technint) pretende fazer para salvá-la.
Abçs...
Além do grupo Ternium argentino tem um percentual maior nas mão de um grupo holandes.
ExcluirConcordo plenamente com o comentário anterior.Hoje o mercado siderúrgico é altamente demandado e volátil. As margens EBTIDA do setor que que no passado eram da ordem de 30 a 40% hoje não ultrapassam os 10%. Além disto, as taxas e impostos que as empresas privadas e nacionais têm que pagar elevam muito os custos de produção e tornam a competitividade destas desleal frente as empresas estrangeiras. Concluindo, é impossível fazer uma comparação, como realizada no artigo, pois houve mudança significativa no cenário mundial.Gostaria de ressaltar que é muito importante que publicações como estas sejam devidamente escritas baseados em entendimentos do assunto.
ResponderExcluirNélio disse:
ResponderExcluirÓtimos comentários, tecnicamente explicados; entretanto, eu fico com medo dos efeitos psicológicos e sociais de um desastre econômico na região onde a locomotiva corre o risco de descarilar. Não vi nenhum governador do Estado ou político demonstrar um dedo de preocupação com o fato dessa gigante se encontrar na situação anunciada sem destaque nos jornais da capital. Tomara que esse cenário sombrio mude e traga um pouco de alento para a região.
Perguntem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso-FHC a tucanada,deputados e senadores (que votaram em prol das privatizações),BNDS,PFL (atual DEMOCRATAS),simpatizantes do PT o que fazer.
ResponderExcluirGostei dos comentários mas ressalvo que o modelo de gestão do pais deu uma mão empurrando várias empresas para o buraco.
Vejam a CVRD quanto tá valendo na Bovespa suas ações e quanto tá valendo a Petrobras, existe diferenças entre estas duas empresas obviamente; mas a Petrobras esta metida em desapropriações de nossos vizinhos e não reajuste dos derivados do petroleo para não alimentar o dragao da inflação.
Pergunto aqui o que preferem dar lucro aos empresarios nacionais ou extrageiros ou garantir que as proximas gerações de brasileirinhos tenham um futuro digno.
Existe crise lá fora diferente da nossa ex.: Grécia, Espanha inclusive com o Santander á venda.
O ex-presidente Lula queria que a Vale produzise trilhos ou começas e a competir com seus compradores produzindo o aço, será que eles concordariam.