terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crimes, criminosos e vítimas. Isso tem solução?

Por Nélio Azevedo

Outro dia, assistindo ao programa “Conexões Urbanas”, onde se falava do problema carcerário e a questão da violência onde o tráfico de drogas era o motivo principal de um debate iniciado por algumas pessoas envolvendo advogados, promotores, juízes, criminosos e representantes de instituições culturais segue sem muita repercussão.

Uma coisa é certa: nunca se debateu seriamente essas questões e se o fizeram, não convidaram os personagens diretamente ligados a elas.

Uma proposta me chamou a atenção pela ousadia e pela novidade que ela representava, causando espanto em alguns, indignação em muitos e euforia de esperança em outros mais.

Ao entrevistar um chefe do tráfico dos morros cariocas, fica um misto de surpresa e de incógnita onde ele se mostra uma pessoa bem articulada, bem vestido e sua fala é no mínimo, motivo para se pensar a respeito. Ele diz que não gostaria de ver o filho seguindo seus passos, que gostaria de vê-lo levando uma vida diferente da sua, longe da criminalidade e que, ele mesmo, se tivesse uma oportunidade deixaria aquela vida criminosa e iria viver do seu trabalho.

Atrás de máscaras e vozes distorcidas, fica difícil perceber algum traço de sinceridade, mas essas pessoas não são tão idiotas ou ignorantes ao ponto de não ter consciência de sua realidade, taí o Marcola (PCC) que não me deixa mentir; talvez, a esperteza e a sagacidade tenha que ser um dos traços necessários para que essas pessoas venham a chefiar tantos homens armados, drogados e desesperados como vimos naquele triste espetáculo da retirada do Morro do Alemão.

Fico pensando nos policiais e soldados que participam da guerra contra o tráfico empreendidas no México, EUA, Brasil e outros países onde as soluções apresentadas não têm surtido o efeito desejado, nos milhares de mortos dos dois lados e na enorme soma de dinheiro gasta nessa luta, enquanto alguns países ou estados norte-americanos liberam o uso de maconha. Se for para liberar em alguns países, como e porque deveriam combatê-la nas fronteiras? Porque seria crime produzi-la se é lícito usá-la?

São questões que há muito que se debater e ouvir pessoas que têm realmente alguma coisa a acrescentar a essa discussão, não torná-la simplesmente um mote para algum programa de televisão no nível de Ximenes ou Ratinho que só querem pontos no IBOP.

Aí veio a tal proposta, conceder anistia aos criminosos que quisessem deixar o crime.

Alguns juízes, advogados e pessoas ligadas a movimentos sociais são a favor, outros contra e me pus a pensar, será que isto seria bom? Alguns criminosos assaltaram, mataram pessoas com requintes de extrema crueldade e agora iriam para as ruas sem pagar pelo que fizeram? E as vítimas e seus parentes? Que diriam dessa proposta?

Aí me veio outra questão, se o Estado gasta R$ 1.800,00 por preso/mês com cada preso e eles costumam sair dos presídios piores do que entraram, ou seja, estamos pagando caro para torná-los piores. Será que não seria melhor pagá-los ou anistiá-los para que se tornassem melhores em liberdade?

Esta é realmente uma questão que iria acarretar muita polêmica e os adeptos da filosofia de que criminoso tem que ser morto ou preso se sentiriam em plenos direitos de pleitear a adoção da pena capital como solução para tão grave problema. Mas, já estão matando há tanto tempo e o problema só aumenta. Será que não estaria na hora de as autoridades adotarem uma postura diferente? Será que isso não seria um problema social e de saúde ao invés de ser tratado como uma questão policial e criminal?

Estamos perdendo tempo, dinheiro e vidas nessa luta, enquanto os verdadeiros donos do tráfico continuam se enriquecendo e vivendo uma vida de justo. O saudoso Romeu Tuma dizia que se quisessem acabar com o tráfico não precisariam subir os morros cariocas, bastava ir até a Bolsa de Valores, é lá que o dinheiro está.

3 comentários:

  1. Eu acho que existem pessoas inteligentes,capazes e até estudadas mesmo,mas que só usam isto para fazerem coisas erradas,fora da lei.Muitas vezes,na família da gente mesmo acontece.Foram criados como todos em casa,mas por um "desvio de caráter" ou sei lá que nome dar a isto,sentem uma enorme atração pelo lado inverso e marginal...

    ResponderExcluir
  2. O problema é que pelas estatíscas mesmo a gente vê.O meliante fora da cadeia,comete delito outra vez,isto em pelo menos 90% dos casos...

    ResponderExcluir
  3. Na minha opiniao a solucao e mais oportunidade para as criancas, mais educacao e justica social.

    Crianca bem nascida e criada tem menos chance de se ingressar no crime.

    Outra coisa que ajudaria eh a legalizacao das drogas. Nao digo vender drogas na esquina para todo mundo, mas um sistem aonde o drogrado tem ajuda para se injetar e conseguir a droga que necessita do governo a preco de custo. O drogado que tem ajuda e nao precisa de roubar para comprar tem mais oportunidades de mudar de vida. Logicamente se o governo entrar nesta os traficantes vao ter que entrar em outra area de "business".

    O combate as drogas nunca vai produzir fruto positivo. So beneficia aos criminosos e as autoridades corruptas.

    Matar criminoso nao resolve nada. Se mata alguns e aqueles que sobrevivem matam inocentes e o circulo vicioso nunca se acaba.

    Uma sociedade mais justa e uma sociedade com menos crime. O Brazil deve parar de seguir as politicas americanas. Eles tem um dos maiores indice de criminalidade no mundo e as prisoes mais cheias de todos. Sei disto pois moro no Canada ha mais de 25 anos e vejo de perto tudo isto.

    Jay

    ResponderExcluir

Todos os comentários são moderados e não serão aceitas mensagens consideradas inadequadas.