quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESCREVER E LER NO BRASIL


Por Nélio Azevedo

Escrevo muito desde jovem, poucas pessoas sabem disso. Consegui publicar poucas coisas e recentemente tornei público um pouco do que sei e penso, qual não foi a minha surpresa; muitas pessoas leram e discutiram o que eu escrevi. Foi uma grata surpresa, agradeço a todos os que leram, os que concordaram e os que não concordaram também. Longe de mim, pensar que seria uma unanimidade, até porque, eu acho que toda unanimidade é burra: quando todo mundo está pensando igual, ninguém está pensando ou seguindo o pensamento de um só.

A opinião dos que não pensam como eu me serve de orientação e advertência; se quero escrever para os outros, tenho que escrever para aqueles que irão criticar-me também e, as críticas foram muito boas, algumas fizeram inclusive com que eu repensasse o que tinha escrito.

Sempre ouvi dizer que o brasileiro lê pouco, com certeza o brasileiro lê pouco por vários motivos, um deles é que livro é um artigo de luxo, custa muito caro e, o que se escreve nem sempre é o que a maioria das pessoas quer ler. Talvez haja uma elite que escreve para uma elite.

Eu sempre acreditei no poder das palavras, principalmente se escritas, apesar de concordar que as coisas mais importantes ditas e que permaneceram por todos os tempos, jamais foram escritas por seus autores.

Ultimamente tenho lido a respeito de grupos literários da periferia da cidade de São Paulo e pude constatar que é surpreendente o poder o poder de conscientização e participação que a literatura tem alcançado por lá.

É maravilhoso saber que uma antiga boca-de-fumo no Capão Redondo abriga hoje uma biblioteca, a Biblioteca Êxodus, criação de um ícone da produção e geração de cultura popular, esse cara se chama Ferrez, é escritor, comerciante e autêntico representante dos sentimentos e das lutas da imensa população que vive na periferia de São Paulo. Ficou conhecido porque expressa com realismo a dureza das relações entre povo e Estado, entre pobres e ricos, entre as precárias condições de vida nas favelas e a repressão policial.

Fala do processo de criminalização da população pobre da periferia que tem contribuído para acumular ódio e faz um alerta: “Vai chegar um dia que a agressão a um menino ou uma menina vai virar uma revolução em São Paulo. Ninguém agüenta tanto desrespeito, tanto tapa na cara”.

Exemplos assim estão se disseminando por toda a periferia e rompendo as fronteiras do Estado, no Rio de Janeiro onde o movimento abraçou o Funk como expressão popular legítima.

Gostaria de ver esse movimento florescendo aqui em Minas, que fosse além do Hip Hop, especialmente nas cidades do interior onde as oportunidades são mais escassas; sobretudo, em Raul Soares onde o movimento estudantil da década de 60 e 70 colocou a cidade numa situação de vanguarda, com um grêmio estudantil atuante com uma bela biblioteca na sua sede, grupos de teatro, jornais, festivais de canção, olimpíadas e outras manifestações onde os jovens eram os autores e o público alvo era toda a comunidade.

Gostaria de empreender algo semelhante na nossa querida cidade, onde em breve estarei.

Para contato, meu e-mail – nelioazevedo@hotmail.com   

5 comentários:

  1. Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, escrever e fazer arte, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
    O exodo de raulsoarense pensadores,que movimentavam a cultura nos bons tempos do Cerp,do Benedito e faziam acontecer,deixaram uma lacuna que ocupada pelos oportunistas neoliberais,capitalistas sanguessugas e desqualificados rurais que não conseguiram se manter no campo e invadiram a cidade com suas "espertezas" negociar e negociar,criando assim uma cultura do não trabalho,ocupando os espaços nos três poderes.
    Voltem! Voltem!

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  2. Grande Nélio, voce saiu de Raul Soares, e Raul Soares nunca saiu de voce, estamos te aguardando para fincar os pés definitivamente aqui na nossa querida terra. Sabemos que voce contribuirá para o nosso desenvolvimento cultural, com suas qualidades fenomenais.
    Possivelmente, em breve nos encontraremos, para cantar "O Boemio voltou novamente".

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  3. Tudo bem Nélio Azevedo, se for para somar que venha para Raul o mais rápido, seria mais um para unirmos as forças. O Zé Horta Valadares também está vindo para somar e com mais você e mais outros a cidade poderá ganhar muito com novas idéias, mesmo sabendo que por aqui - em si tratando de novas idéias e colocá-las em prática - não está nada fácil. O desafio pode ser muito interessante, e ainda bem que a grande maioria do nosso povo é do bem... Estamos precisando de novas lideranças que possam colocar as boas idéias na prática e levantar o astral de todos nós. Que venham todos e eu tenho certeza que poderemos contar com os raul-soarenses ausentes que gostam de participar....

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  4. JÁ DISSE E REPITO: RAUL SOARES PRECISA MAIS DO QUE NUNCA DO APOIO E DAS ATENÇÕES DE SEUS FILHOS MAIS ESCLARECIDOS,ESTEJAM ELES ONDE ESTIVEREM,VOLTEM SUAS ATENÇÕES PARA NOSSA TERRA!!!!!!!!!!

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  5. Parabéns Nélio!
    Sua contribuição será sem dúvida alguma muito importante.
    Antonio Leal Dutra.
    Procurador do Povo.

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