terça-feira, 6 de abril de 2010

Entrevista com Jarbas Passarinho


Por Nélio Azevedo

Numa entrevista concedida às jornalistas Maria Inês Nassif e Paula Simas, publicada no caderno Eu& do Jornal Valor Econômico, o ex-ministro de Médici, tenta dar uma nova visão do que foi a ditadura militar que dominou o país de 1964 a 1985.

Tenho certo respeito por Jarbas Passarinho por ter sido o único militar que admitiu publicamente, alguns eventos do período de exceção, como por exemplo, a Guerrilha do Araguaia.

Era, talvez, a única autoridade militar, um coronel-ministro falando coisas que seus pares sequer queriam pensar que existisse.

Uma coisa me causou estranheza na sua fala, a tentativa de inocentar o General Médice e a incriminação de Geisel. Acho que uma coisa é certa, não havia inocentes nessa história. Havia sim um bando de militares preocupados com a situação política em que o país se encontrava e outro bando de civis preocupados com a ação desses militares ao jogarem a constituição do país no lixo e tomarem o poder de assalto. O que é pior, é que tudo a mando dos EUA, financiados pelo congresso americano, garantido pela 7ª frota e endossados por uma parcela da população que não conhecia ou não queria a democracia e, pela ala conservadora da Igreja Católica.

O país tem uma dívida com a população em relação aos desaparecidos do período da ditadura, através da lei da anistia os militares se auto-perdoaram e fingem que perdoaram os civis mortos ou desaparecidos. Mas, nunca soubemos o que foi perdoado nem o que foi praticado. Tem muita gente que participou de forma ativa dos aparelhos de repressão e estão aí repetindo no dia-a-dia o costume adquirido com a pratica da tortura. Basta ver as nossas cadeias públicas onde é comum ver os “aparelhos” tão comuns nos porões da ditadura.

Nessa semana o canal Globo News apresenta duas entrevistas, uma com o General Newton Cruz e outra com o General Leônidas Pires, personagens remanescentes desse período e que tiveram papeis decisivos nos rumos que as coisas da política tomariam.

O Jarbas fala de um plano do governo Geisel para eliminar fisicamente os opositores do regime, não sei se falava da Operação Escorpião ou da Operação Condor, ambas foram executadas em parceria com os governos militares dos países visinhos, Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai.

Fala do nefasto Golbery e esquece personagens como Heitor de Aquino, Augusto Radmacker,  General Milton Tavares, General Figueiredo, General Orlando Geisel e outros que preferiam as sombras e que felizmente ou infelizmente, não estão vivos para dar suas versões.

Passarinho afirma que o período da ditadura não foi o “Império do Mal”, que ele considera sendo fruto do maniqueísmo e que houvera erros de parte a parte. Gostaria que ele explicasse isso às viúvas dos militares e civis mortos nesse período, às mães que não puderam enterrar seus filhos, aos filhos que viram seus pais serem mortos ou levados para os escuros porões do Dops ou do Cenimar, para nunca mais voltar.

Depois de assistir ao documentário sobre o assassinato do ex-presidente Jango Goulart, vítima de envenenamento pela tal Operação Escorpião, levada a cabo por agentes uruguaios e brasileiros, fico pensando se realmente o acidente com JK foi acidente, se até mesmo o acidente com Fleury fora acidente. O jeito é esperar pelas entrevistas e ver se traz algum fato novo nesse pântano que se transformou a história política do país nessas décadas de ditadura militar.

O prolongado período de ditadura nos deixou uma herança maldita, a tentativa de eliminar toda e qualquer liderança civil nos privou de ter em quem nos espelhar, esse fato explica e justifica nossa infinita pobreza em termos de liderança política, podemos contar nos dedos de uma das mãos aos líderes políticos que se fizeram depois do golpe.

Pessoas se tornaram mais importantes que os partidos políticos, algumas delas se tornaram donos desses partidos e se morrem, os partidos morrem junto. Nossas instituições são muito frágeis e isso representa um perigo para a democracia, essa criança que nem atingiu a adolescência no Brasil.

10 comentários:

  1. SEU IMENSO TEXTO NÃO VAI ENCONTRAR POVO PARA INTERPRETÁ-LO, PODE PROCURAR POVO DE OUTRA FORMA, OU ACHA OU NÃO ACHA O POVO. SE CANSAR DE PROCURAR O POVO, DESCANSE QUE O POVO VAI TE ENCONTRAR.

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  2. Sou encontrador das multidões, e procurador do povo é meu passado, a multidão já foi encontrada, vai procurar serviço Ileal e Neim chicrete.

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  3. Há certo tom de revanchismo na maneira com que setores da imprensa debatem, hoje, a decretação do AI-5. A opinião é do ex-senador e ex-ministro do Trabalho no Governo Costa e Silva, Jarbas Passarinho. Em entrevista à TV Senado, Passarinho disse que aquele episódio deve ser analisado dentro do contexto político da época, e não à luz da situação atual.Para o ex-ministro, a medida, editada há 30 anos, se justificava plenamente, em função da existência de ações de guerrilha armada visando a derrubada violenta do governo. Tais ações se inscreviam num contexto de guerra fria, e estavam ligadas a um movimento comunista internacional presente e atuante, algo que, segundo disse, já não existe mais.
    Ileal - Encontrador do Povo

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  4. Jarbas Passarinho, quando era pequeno em Raul Soares, pra mim o Jarbas marceneiro da rua santana era o Jarbas Passarinho.

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  5. Esses petistas daqui; nunca levaram uma borrachada, nunca enfrentaram nada, são verdadeiros carijós, (Os carijós eram considerados pelos colonizadores portugueses como índios dóceis, trabalhadores e bem intencionados. Pertenciam ao ramo guarani e efetuaram uma marcha migratória do Paraguai para o sul do litoral brasileiro.

    Ayolas, na conquista do Paraguai, encontrou-se com os carijós à margem de um rio que deságua vinte quilômetros acima da foz do ramo principal do Pilcomaio, onde os ameríndios em questão possuíam uma aldeia cercada por uma paliçada dupla e guarnecida de bocas de lobo (escavações com estrepes no fundo).

    Os espanhóis acossados pela fome, marcharam resolutamente para a vitória. Os índios, ao ouvirem os primeiros estampidos das armas de fogo, fugiram em corrida louca, caindo muitos nas próprias esparrelas que haviam armado aos invasores.

    Depois de ocupar a taba, em homenagem a Santíssima Virgem, deu Ayolas, o nome de Assunção.(fonte Wikipédia)
    Ao primeiro estampido eles desaparecem, são verdadeiros subservientes. Eu, fui obrigado a me apresentar ao Exército, em seguida fui detido acusado de comunista infiltrado, após perceberem o tamanho da ignorância que estavam cometendo, depois de ser mandado para o HCE (Hospital Ccentral do Exército) no Rio de Janeiro e internado no Pavilhão de Neuropsiquiatria, e ter assistido a todo tipo de tortura, e passado por elas também, fui dispensado do serviço militar com a seguinte declaração em meu certificado: "...foi isento do Serviço Militar em 22 de março de 1974, por insuficiencia física para o Serviço Militar, podendo exercer atividades Civis. nº2 do §2º do Art 165 do RLSM."
    A frase que supostamente me absolveu talvez tenha sido em um dos interrogatórios geralmente sob tortura psicológica quanto me perguntaram aos berros: O senhor é comunista?...e eu serenamente respondi: não sou católico. Eles se entreolharam e um disse pro outro essa denúncia não procede. Embarquem esse recruta para o 10º BATALHÃO DE INFANTARIA em Juiz de Fora imediatamente.
    Não sei quanto tempo passei por lá mas foi uma eternidade, era o período de transferencia de poder Médice pra Geisel, o chamado período de "queima de arquivo". Mesmo assim desisti, não desisto nunca, sou brasileiro, sou Leal.
    Obrigado Nélio! pela oportunidade.
    Antonio Leal Dutra.
    Procurador do Povo.

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  6. O NEM Chicret tinha razão:
    http://www.paulohenriqueamorim.com.br/
    ¨POBRE COMPRA COMPUTADOR E VENDAS EXPLODEM¨.

    http://www.estadao.com.br/noticias/e-agora--lan-house

    E AGORA LAN HOUSE?
    É o pobre gerando desemprego na rede Monkey.

    Com o fim da rede Monkey e a popularização dos PCs, começa uma nova fase para o acesso à internet fora de casa no Brasil.

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  7. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...



    "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



    O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



    O CRIME DE LESA HUMANIDADE


    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


    Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



    AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


    A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



    A COMISSÃO DA VERDADE


    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    Paz e Solidariedade,



    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br

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  8. A respeito de massacres cometidos pelo Estado, se formos investigar, não faríamos outras coisas mais importantes; mas, é preciso que conheçamos a nossa história. O Massacre de Ipatinga, ocorrido em 1964 até hoje é pouco conhecido e, olhe que isso ocorreu outro dia mesmo. Pior são os massacres que ocorrem diariamente nas favelas cariocas, pela polícia carioca; e, no agreste pela força da pobreza.

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  9. O SOS DIREITOS HUMANOS
    DEVERIA DAR UMA OLHADA
    AQUI EM RAUL SOARES TAMBÉM!!!
    VOCÊS SABIAM QUE NOSSOS LIXEIROS(GARIS)
    DO CAMINHÃO DE LIXO ESTÃO TRABALHANDO
    EM CONDIÇÕES DE "TRABALHO ESCRAVO"???????
    NÃO TEM TURNO,É UMA TURMA SÓ,TRABALHAM
    O DIA INTEIRO E MUITAS VEZES ATÉ ALTAS
    MADRUGADAS.
    NÃO RECEBEM HORAS EXTRAS!!!
    TRABALHAM SÁBADOS,DIAS SANTOS E FERIADOS
    ISTO SEM RECEBER NEM UM CENTAVO A MAIS QUE
    O SALÁRIO DELES.
    TRABALHAM NA CHUVA E EM CONDIÇÕES PRA LÁ
    DE PRECÁRIAS!!!
    AQUI EM RAUL SOARES SÓ NÃO VIU ISTO AINDA,
    QUEM NÃO QUIS VER,POIS A HISTÓRIA SE REPETE
    TODOS OS DIAS EM NOSSA RUA E EM NOSSAS PORTAS!!!!!!!!!!
    SOS PASCOAL E DIREITOS HUMANOS,NÃO PODEMOS
    FICAR CALADOS DIANTE DE UMA DESUMANIDADE DESTA!!!!!!!!

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  10. Pena é que este anônimo deixou para fazer esta denúncia em uma matéria que já está no final da primeira página,né!!!!!!

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