Após a divulgação da suspeita da morte da menina rio-casquense, causada por dengue, o Portal Rio Casca Online entrou em contato com a família da menina, se colocando à disposição para uma entrevista que esclarecesse os fatos do ponto de vista da família. Isto porque as notas veiculadas na imprensa e em outros jornais, não esclarecem nada, deixando implícito que a família teria negligenciado cuidados à menina levando-a tardiamente para o hospital.
Após ponderar sobre a entrevista a família considerou que seria uma boa oportunidade de esclarecimento e assim o site publicou a entrevista realizada no dia 09 de abril.
O Portal esclarece ainda que a entrevista só foi publicada agora, porque aguardava a cópia dos documentos possuídos pela família para comprovação dos fatos. Nenhum desses documentos será publicado pelo Rio Casca Online, pois são propriedade da família, cabendo ao site a mera veiculação dos fatos.
A entrevista foi realizada com a tia da menina, Ana Maria, e com uma prima, Elaine, isto porque a mãe não estava em condições de falar sobre o assunto, abalada com a situação.
A entrevista:
Ana Maria : A gente quis falar sobre o assunto porque foi publicada uma nota de que nós não havíamos levado a menina a tempo de ser tratada quando na verdade há muitos dias ela vinha passando mal, e o primeiro dia em que a levamos para o hospital foi no dia 16/03.
RCOL : E o que aconteceu no dia 16 ?
Ana Maria : A minha irmã levou ela no dia 16 ao hospital passando mal e o médico a mandou de volta para casa mandando dar somente dipirona.
RCOL : E qual foi o médico que a atendeu ?
Ana Maria : Não sabemos qual o médico atendeu no dia 16 pois quando pedimos todos os papéis do prontuário dela o hospital insistiu em dizer que ela não passou pelo hospital no dia 16 e ela passou sim. E sabemos que ela passou pelo hospital sim pois minha irmã ainda pediu para sair da aula para levar a menina ao hospital.
Durante alguns dias minha irmã só deu dipirona, mas ela voltava a passar mal, isso porque eles disseram que tinha uma virose e que se voltasse a febre era só pra dar dipirona.
Dia 23 ela voltou ao hospital com a menina passando mal e quem atendeu foi o Dr. Igor e no mesmo dia ela voltou à noite e foi o Dr. Breno quem atendeu. Em todos os atendimentos era sempre a mesma coisa, mediam a febre e mandavam dar dipirona.
No dia 25 ela voltou ao hospital e o Dr. Marco Antonio foi quem atendeu, nesse dia voltamos ao hospital porque ela estava vomitando sangue. Até este dia os vômitos eram sem sangue mas todo mundo ficou assustado da menina não melhorar e começar a vomitar sangue.
RCOL : Ela teve algum dos outros sintomas conhecidos como sendo presentes na dengue como manchas pela pele, dores no corpo e etc ?
Ana Maria : Manchas não e nem dor, só dizia ter dor de cabeça. Todas as vezes em que voltamos ao hospital perguntávamos se era dengue e os médicos sempre diziam que não, que era só uma virose.
Neste dia em que ela vomitou sangue, minha mãe perguntou ao médico se não podia ser dengue hemorrágica porque ela havia vomitado muito sangue. E o Dr. Marco Antônio disse que não, que isso era da garganta, que era amigdalite que não era para se preocupar.
Com muita preocupação minha mãe pediu encaminhamento dizendo que a levaria para Ponte Novae uma técnica, Maria Aparecida disse que se a levassem só iriam passear em Ponte Nova pois os mesmos cuidados que teriam em Ponte Nova estavam tendo aqui.
RCOL : E foi neste dia que a levaram para Ponte Nova ?
Ana Maria : Neste atendimento eles colocaram ela no soro e mandaram comprar 7 injeções naquela mesma hora, todas para garganta, e que ela tomaria uma ao dia. Minha mãe e meu pai saíram por volta de meia noite para falar com o pessoal das farmácias e conseguir as injeções. Conseguiram 2 com o Rosaldo e o Raimundo encomendaria o restante no outro dia.
Levaram a injeção para o médico que aplicou a injeção e deixou ela no soro até uma e meia da manhã mais ou menos.
Liberaram ela para casa, mas ela estava toda molinha, já não respondia muito, e assim que chegou em casa vomitou novamente.
Pela manhã do dia 26, bem cedo, estavam todos desesperados e minha mãe entrou em contato com o Dr. Joaquim em Ponte Nova, mas conseguiu somente para as duas da tarde. Minha mãe procurou o médico por telefone e explicou como ela estava e então o Dr. Joaquim disse que estava de plantão no Hospital Arnaldo Gavazza e falou para levá-la para lá na mesma hora.
Ela deu entrada na internação do Gavazza às 10:46h e com diagnóstico inicial de dengue hemorrágica.
Ela já estava tão fraca que não respirava direito e estava gelada já de manhã quando foi levada pra lá; nem abria o olhinho direito.
Quando entrou no hospital eles nem conseguiram coletar sangue e tiveram que coletar a partir da virilha que foi o único lugar possível.
Às 20:30 horas disseram pra gente que o exame havia chegado e era dengue hemorrágica e que precisaria ser transferida para uma UTI pediátrica. Aí foi que toda a família se mobilizou e conseguimos uma vaga em BH no João XXIII.
Nós só procuramos a Secretaria de Saúde no final quando avisaram a gente que precisaria da UTI; até eles ainda não estavam ajudando.
Ficamos revoltados porque como há uma epidemia de dengue, essa possibilidade devia ser considerada desde o início e não afastada até o final praticamente como fizeram aqui em Rio Casca.
Deveriam ter indicado algum lugar ou médico que pudesse tratar, mesmo que fosse particular; mas só diziam que não era dengue. Nós íamos somente ao Hospital porque chegamos a procurar a policlínica durante o dia neste período, mas o Dr. Silvio estava com dengue e afastado uns dias e a Dra. Nízia não estava foi isso que nos disseram.
RCOL : Qual foi a causa indicada no atestado de óbito ?
Ana Maria : O atestado de óbito diz que ela morreu por choque hemorrágico. E nossa revolta é que temos os documentos do médico que na noite anterior disse que ela tinha amigdalite; nós perguntamos para todo mundo, ninguém sabe de amigdalite matar uma pessoa por choque hemorrágico; mas todo mundo sabe que a dengue sim causa choque hemorrágico se não tratada.
RCOL : O que está acontecendo com este caso hoje e o que vocês efetivamente esperam daqui pra frente ?
Ana Maria : A gente não quer culpar nem brigar com ninguém, a gente só quer que as autoridades levem em conta os erros que aconteceram para não deixar de atender corretamente a um paciente.
A gente não aceita que o médico fique insistindo tanto numa simples virose. Há uma grande diferença do atendimento do mesmo dia no hospital aqui em Rio Casca e no Arnaldo Gavazza. Lá no Gavazza nos sentimos atendidos, e vimos eles fazerem tudo o que puderam, mesmo ela tendo falecido lá nós não temos queixa alguma porque vimos o esforço deles; só que aqui poucas horas antes o médico insistiu em que ela estava vomitando sangue por causa da amigdalite.
RCOL : Alguma autoridade procurou vocês para conversar ?
Ana Maria : Hoje a Gerência Regional de Saúde entrou em contato através de uma enfermeira daqui para perguntar o que tinha acontecido, mas eles não tem documento nenhum nem viram nada. Ela só ligou e perguntou o que aconteceu.
A gente acha que se no início ela fosse adequadamente diagnosticada poderia estar aqui. Acreditamos que houve uma negligência inicial em diagnosticar a menina. Agora dizem que nós não fizemos nada a tempo. Se nós fôssemos os responsáveis por dizer o que a menina tinha não precisaríamos dos médicos e do hospital. Se ela passava mal desde o dia 16 alguma coisa diferente deveriam ter feito.
Ficamos ainda mais revoltados porque o que saiu no jornal foi o médico (Dr. Marco Antonio) dizendo que a família não informou corretamente o que tinha a menina sendo que está tudo escrito aqui na cópia do prontuário que ela tinha febre, vômito e etc, os atendimentos, a prescrição da dipirona, o diagnóstico da amigdalite e etc.
Aqui no prontuário dá pra ver que em nenhum atendimento foi solicitado um exame sequer para ver o que a menina tinha. E quando entramos no hospital de Ponte Nova a primeira coisa que perguntaram era quais os exames ela tinha feito durante os dias em que passava mal.
Queremos dizer que a Secretaria de Saúde não foi negligente pois eles só souberam quando precisamos da UTI; a gente não procurou antes a Secretaria de Saúde, só a policlínica e o hospital. Quando entramos em contato com a Secretaria fomos bem atendidos.
Nos sentimos desrespeitados e desonrados por aparecermos ainda como negligentes no cuidado com a menina. Alguma mãe que se preze negligencia cuidado a uma febre ou vômito de um filho por dias seguidos assim ?
Não estamos querendo brigar com ninguém, mas queremos fazer tudo o que for possível para que outras famílias não sofram como estamos sofrendo agora; acreditando que este caso poderia ter tido um destino diferente.
Em tempo, estamos à disposição de todos os envolvidos e/ou citados para os devidos esclarecimentos; para veiculação das diferentes versões e esclarecimento dos fatos.
O melhor que se espera agora é que a família seja consolada e confortada por Deus e pela solidariedade da população rio casquense e que como bem diz a própria família, outros não sofram esta mesma dor.
Fonte: Portal Rio Casca Online
quinta-feira, 22 de abril de 2010
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Pascoal, bom dia!
ResponderExcluirAgora sim, seu blog voltou a ficar legal para acessar, aquela papagaiada toda estava muito pesada, a informática ás vêzes dificulta, fique veiaco com seu Técnico.
É incomcebível que profissionais da saúde se coloquem tão alheios ao sofrimento e a atualizações que sempre são feitas pela epidemiologia do Estado, principalmente das Regionais. Ou até mesmo qualquer leigo pode acessar o GOOGLE e se informar. Minhas condolências a esta família. RJ
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