Revista citou histórico de polícia
corrupta e governos imediatistas
Uma reportagem publicada na revista britânica The Economist
afirma que a violência nos morros do Rio de Janeiro é alimentada por
uma competição singular no mercado de drogas, que impõe uma série de
dificuldades financeiras às gangues do tráfico e as leva a uma disputa
feroz por espaços.
No artigo, a revista
que chegou às bancas nesta sexta-feira questiona por que a cidade
testemunha episódios de violência similares à briga entre facções que
ocorreu no último fim de semana e cujos desdobramentos já deixaram mais
de 30 mortos.
"Se as pesquisas sobre o uso
de drogas forem confiáveis, o consumo per capita de cocaína, crack e
maconha fica perto da média quando comparada com outras capitais de
Estado", é o pressuposto inicial da revista. "Então por que a cidade
que acabou de levar a indicação para as Olimpíadas de 2016 é tão
inclinada a ataques repentinos de violência por causa da droga?"
A
primeira razão, diz a reportagem, é que "a cidade é marcada por uma
história de governos ruins". "Erros passados incluem acomodar
interesses de facções de traficantes na esperança de mantê-los
pacificados."
Outro motivo seria a polícia
carioca. "Algumas das armas usadas pelos traficantes são vendidas a
eles pela polícia, e os policiais ainda praticam demasiadas execuções
sumárias em vez de se dar ao trabalho de processar os suspeitos,
fazendo com que os moradores das favelas os vejam como uma fonte de
injustiça tanto quanto os traficantes."
A terceira razão, que a Economist
analisa com mais detalhes, é o fato de existirem na cidade três gangues
rivais que disputam o mesmo mercado consumidor, enquanto outras
capitais têm apenas um grupo dominante. "Um estudo do governo estadual
sugere que, por conta dessa competição, longe de viver como personagens
de um vídeo de hip-hop da MTV, os traficantes do Rio estão operando
'perto do zero a zero'."
Sobre um
faturamento anual de cerca de R$ 316 milhões, as gangues lucram cerca
de R$ 27 milhões, diz a revista, citando o estudo. Grande parte dos
recursos é destinada à compra de armas, pagamento de pessoal e
vendedores de drogas.
A estrutura de
salário é "surpreendentemente linear" – ou "uma exceção ao quadro
nacional de distribuição desigual de renda", nas palavras da Economist
– e as gangues já embarcaram em atividades paralelas, como o
fornecimento ilegal de eletricidade, em busca de outras fontes de renda.
"Antes
da violência recente, alguns analistas haviam sugerido que as
dificuldades financeiras estavam levando as gangues a cooperar em
algumas operações”, diz a revista. “Mas a resposta mais comum a esta
situação é invadir o terreno do vizinho."
Fonte: BBC Brasil
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