segunda-feira, 22 de abril de 2013

Hospital de Caratinga realiza primeira captação de órgãos para doação

Hospital NS AuxiliadoraCaratinga (MG) - O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, juntamente com o MG Transplante, realizou na tarde de domingo, 14, a primeira captação de órgãos em Caratinga para transplante. O trabalho, realizado com êxito, foi resultado de uma eficiente conjugação de esforços da equipe multiprofissional do HNSA, da família do doador e da equipe técnica do MG Transplante.

O doador, um adolescente de 15 anos, identificado pelas iniciais G.A.M.T., deu entrada no HNSA na noite do domingo anterior, 07. Vítima de um acidente com motocicleta, o adolescente foi conduzido à Unidade de Tratamento Intensivo, onde recebeu todos os cuidados e intervenções possíveis, mas teve constatada a morte cerebral no dia 13.
 
Os órgãos captados foram transportados rapidamente através de um helicóptero. A captação pôde ser realizada no HNSA devido à infraestrutura que o hospital oferece, com bloco cirúrgico bem equipado e UTI.

O administrador Cláudio de Oliveira Paiva, considera que o hospital está, cada vez mais, sendo útil para a saúde das pessoas e, neste caso, salvando vidas. “Graças à sua estrutura e também à sua equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, assistentes sociais) a captação dos órgãos foi exitosa, proporcionando vida para as pessoas que necessitam de transplante”, destaca.

transplanteO médico Rafael Marciano, diretor clínico do HNSA, ressalta que a estrutura do hospital está melhorando e cita como exemplo a UTI Adulto e neonatal que possibilita a resolução de problemas de saúde mais complexos, que antes não eram possíveis. “Toda essa estrutura foi colocada à disposição do paciente, mas infelizmente, devido à gravidade de seu quadro, ele acabou não resistindo”, explica o médico. Para ele o diagnóstico de morte encefálica é complexo e obedece a protocolos internacionais, que são exigidos pela equipe do MG Transplante. “Essa captação de órgãos só foi possível devido à seriedade e competência da equipe da UTI do HNSA e da equipe de neurologia”, afirmou o médico.

Para Romilda Valadão, enfermeira na UTI do HNSA, esta captação de órgãos em Caratinga, além de ter sido um marco para a cidade e para o hospital, mostrou, através desta iniciativa tão nobre da família, o verdadeiro sentido de amor ao próximo. “Deixamos o nosso agradecimento aos familiares, e que sirva de exemplo para população. Quem doa órgãos, salva vidas”, afirmou a enfermeira.



Doação de órgãos

Segundo dados recentes, no Brasil existem cerca de 60 mil pessoas à espera de um transplante. No entanto, o número de doadores de órgãos no Brasil cresce cada dia e, com ele, o índice de transplantes realizados no país. Atualmente, o programa público nacional de transplantes de órgãos e tecidos é um dos maiores do mundo, perdendo apenas para os EUA.
Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada, após a constatação da morte encefálica. Neste quadro, não há mais funções vitais e a parada cardíaca será inevitável.

A doação de órgãos é regida pela Lei nº 9.434/97. É ela quem define, por exemplo, que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas mortas só pode ser realizada se precedida de diagnóstico de morte cerebral constatada por dois médicos e sob autorização de cônjuge ou parente.

Tirando dúvidas sobre o assunto:

1. Que tipos de doador existem?

Existem dois tipos: Doador vivo e doador falecido. Podem doar em vida as pessoas saudáveis que concordem com a doação em vista de algum familiar. Estes podem doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Parentes de até quarto grau e cônjuges podem ser doadores sem necessidade de autorização judicial. Já os doadores falecidos são pacientes em UTI com morte encefálica.

2. Quais órgãos ou tecidos podem ser retirados de um doador falecido?

Em morte encefálica, podem ser doados o coração, o pulmão, fígado, pâncreas, intestino e rim. Até seis horas após a morte, podem ser doados os tecidos, córnea, pele e ossos.

3. Para quem são os órgãos?

Os órgãos doados vão para pacientes que precisam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado e controlada pelo Ministério Público.

4. Como ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?

Não existe dúvida quanto ao diagnóstico. O diagnóstico da morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar.

5. Após a doação o corpo fica deformado?

Não. A retirada de órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.
*Com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

Diário de Caratinga, com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

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