Por Nélio Azevedo
Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência com quatro frases:
1) 'Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus. '
2) 'Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível. '
3) 'Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe. '
4) 'Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura. '
Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.
Então, revelou a origem delas:
- a primeira é de Sócrates (470-399 a.C.)
- a segunda é de Hesíodo (720 a.C.)
- a terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.
- e a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia e tem mais de 4000 anos de existência.
Pelo jeito os problemas relacionados com os conflitos de gerações não é nada novo e, parece-me que irão se perpetuar até o fim dos tempos.
Lembro-me das discussões que tínhamos eu e meu pai a respeito da política, meu pai não era uma pessoa tão politizada, mas, tinha suas próprias opiniões que hoje eu as compreendo perfeitamente. Nunca pensei que teria posicionamentos parecidos com os que ele tinha na época e, hoje reconheço feliz da vida que tanto ele estava certo que acabei por me encontrar tendo esses mesmos posicionamentos, principalmente quando se trata de relacionamento com os filhos.
Que bom que eu virei uma pessoa quadrada, era como eu o definia, quadrado sim, mas, sensato.
Dizem que a gente quando se torna pai a gente aprende muito, eu não sabia muito bem o que um pai poderia aprender com os filhos, hoje eu sei, com certeza: Sendo pai eu aprendi a ser um filho melhor, tento todos os dias ser tudo que eu desejaria que meus filhos fossem.
Na década de 90, com o processo de globalização, o país entrou numa política de marginalização de quem tinha mais de 40 anos, eu perdi meu emprego nessa época e só fui revê-lo em 2006, assim como eu, uma leva de quarentões se viram na mesma situação, nós não tínhamos emprego, mas nossos filhos teriam. Seria uma coisa até louvável se não tivesse provocado uma onda de pais desempregados e filhos empregados. A principal conseqüência disso foi que o pai que determinava os rumos da família perdeu esse status e os filhos, com toda falta de experiência e vivência, tomaram as rédeas da casa. O conhecimento gerado pela informatização das profissões promoveu uma substituição dos quadros e demoraram uma década para perceber que conhecimento sem sabedoria e experiência de vida pode se tornar um risco para todos.
A maior conseqüência disso foi uma desagregação dos lares e a família, perdeu seu espaço e sua função. A família não é mais um porto seguro, uma referência e luta contra tudo e contra todos para se manter como instituição. Os filhos ficaram todos surdos e coisas estranhas começaram a acontecer, os jornais estão recheados de fatos envolvendo pais e filhos, e, não-raro, assistimos estupefatos assassinatos, níveis assustadores de violência e falta de respeito.
Um dos ingredientes mais constantes nesse processo é o uso de drogas e bebidas alcoólicas, mas, tem outros; a ansiedade de alguns pais na tentativa de suprir a sua ausência com bens materiais, filhos de pais ausentes que são adotados por traficantes que prometem o mundo e o filho acaba no fundo de um poço que muitas vezes não tem saída. Alguns ainda se perguntam: “Onde foi que eu errei? Eu lhe dei tudo”! Talvez se não tivesse dado tudo, o filho teria valorizado o que tenha recebido.
Ninguém tem tudo nem precisa de tudo. Aprendemos a valorizar só o que conquistamos com sacrifício próprio, com o nosso suor. O que é dado de mãos beijadas não. Se puder dar um carro novo, dê. Mas, dê também uma explicação sobre o sacrifício que alguém fez para que ele pudesse ter aquele bem; sobretudo, dê educação. Nossa sociedade anda carente de educação, aquela velha educação que aprendemos desde o berço, recheada de respeito e valores que realmente sejam importantes na formação do caráter das pessoas.
Tenho saudades dos tempos em que se respeitavam os mais velhos só pelo fato de serem mais experientes e mais sábios.

Na minha humilde opinião, os pais não são exemplos e vivem a mediocridade de cobrarem aquilo que não praticam, quando deveriam buscar os conselhos na palavra de Deus, dentre os quais cito dois em que se resume tudo:
ResponderExcluirDeuteronômio 5:16 Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR teu Deus.
Proverbios 29:15 A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe.
Gente é um absurdo esperar mudanças daquilo que que não deveria ser mudado, entendo que pessoas vivam da sua maneira, entretanto nunca da minha maneira, acredite na vida simples como ela é, e vamos torcer para que todos consigam viver feliz.
ResponderExcluirAproveitem os momentos para fazer tudo aquilo que goste, respeito é tudo, dar e ganhar presentes, oferecer amor e criar facilidade para o outro ser.
Gustavo de Assis Firmino.